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Rio Bermejo Está a pedir ajuda?

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Por Nilo Alberto Schaller

Alguns exploradores e autores, incluindo Charles Darwin, consideraram o Rio Bermejo como o Nilo da América. Para lhe dar este nome, levaram em consideração o seu comportamento ancestral de transbordar e, desta forma, dar vida e regular a evolução dos prodigiosos e quase únicos ecossistemas dos seus vales de inundação.

O Bermejo, mais do que um rio, é na verdade uma torrente. Por ser conhecido e pelo que se sabe, de épocas anteriores, caracterizou-se por possuir, entre outras, as seguintes características: grande número de meandros que, atualmente, seriam indicadores de senescência; mudanças nas costas e uma diferença muito alta nos fluxos entre os períodos de vazante e pico de inundação.

Além disso, deve-se acrescentar que grandes inundações, ciclicamente produziam, até poucos anos atrás, os já mencionados transbordamentos que formam os ecossistemas de sua bacia.

A altíssima quantidade de argila, silte, areia e outros minerais que suas águas contêm, principalmente em períodos de enchentes, é outra de suas características. Esses materiais ao sedimentar, além de modificarem seu canal, estariam fragilizando-o às mudanças que a instabilidade do clima e do homem estão produzindo, tanto em suas nascentes como em toda a sua bacia.

Mudanças produzidas

O homem baseado, fundamentalmente, em critérios de exploração de recursos, necessidades, avarias e emergências, passou a tampar e prevenir com obras de defesa, a entrada das águas, dos transbordamentos ancestrais, para uma vasta área do Centro-Leste de a bacia. Este fato produziu uma mudança total nos ecossistemas regulados pelo rio. De ambientes naturais baseados em inundações: estuários, ravinas e riachos por onde corriam as águas, passou, quando as cheias foram interrompidas, para ecossistemas ou antes espaços, que estão a ser invadidos por densas populações de invasores lenhosos. Na época das obras, havia abundante informação técnica que antecipava o que poderia acontecer se fossem realizadas. Presumivelmente, foi ignorado, ignorado ou subestimado. Também houve propostas de soluções para o problema e sobretudo, mais amigáveis ​​e até recuperadoras do meio ambiente. Eles não foram levados em consideração por motivos que não podem ser mencionados aqui.

Como é lógico supor, essa mudança brutal afetou também a fauna nativa. De sistemas naturais que deram vida a um grande número de espécies, eles se mudaram para ambientes perturbados pelo homem. Neles, o número de espécies e o número de cada uma delas é, na maioria das vezes, visivelmente menor.

Além disso, como há menos água na superfície, conforme expressam alguns produtores, a quantidade e a qualidade da água nos canteiros diminuiriam progressivamente, à medida que aprofundam e, em alguns casos, vão se esgotando.

Outras mudanças

Ao exposto, deve-se acrescentar que o rio desde 2003, até o momento, devido às mudanças climáticas, seu comportamento cíclico ou ambos os fenômenos ao mesmo tempo, deixou de atingir os níveis conhecidos de transbordamento. Seus fluxos são menores e isso pode estar determinando uma tendência, mais notável, de declínio. Lembremos, por exemplo, que foi navegável até 1945.

Coincidentemente, a partir do mesmo ano (2003), o regime pluviométrico anual foi sempre inferior à média no centro leste da região, (aquele de maior carga populacional), e em quase todo o curso do rio. A diminuição das chuvas foi e ainda é uma constante. Como tal, também contribuiu para o fato de que os ecossistemas aquáticos que ainda prevaleciam na área desapareceram ou estão desaparecendo. A mudança no aspecto da paisagem, sobretudo dos baixos, trechos baixos e meias colinas, anteriormente inundadas, foi brutal neste período e, tudo parece indicar que vai continuar a acontecer.

A forte seca está levando as autoridades das cidades do Chaco e Formosa a “colocarem as mãos” no Bermejo. Todos esses empreendimentos são baseados na extração de água do rio em declínio. Isso inclui trabalhos de irrigação para áreas importantes. A realização de todas essas obras, é doloroso dizer, responderia mais a critérios de exploração e urgência do que a um planejamento cuidadoso e sábio realizado pelas instituições competentes com a participação da população.

O Bermejo não tem fluxo infinito, é apenas um tributário. Desde 2003 trouxe menos água e, por todos os motivos apontados, poderia diminuir muito e até mesmo parar de funcionar no período de seca. Para afirmar esta hipótese que pode parecer algo utópica, basta analisar o que lhe aconteceu e o que continua a acontecer ao "companheiro de viagem, do Bermejo, na vida e no tempo": o rio Pilcomayo.


A pesca

A pesca no rio Bermejo, como é praticada, em quase toda a bacia, é indiscriminada, irracional e insustentável. A falta ou escassez de controles que permitam o cumprimento da legislação é, sem dúvida, uma das causas desta dolorosa situação atual.

Outra causa é o desinteresse que existe em conseguir o desenho e a aplicação de programas eficazes voltados para a proteção e sustentabilidade da fauna ictiológica.

Dá a impressão de que acontece com os peixes o mesmo que com as águas dos rios: pensamos que não vão acabar nunca e depois todos pescamos e o fazemos, na maior parte, com critérios de exploração e sem cumprir os regulamentos existentes.

A cada dia que passa, a pressão exercida sobre o recurso é maior e, a este ritmo, é possível concluir que a médio prazo, os peixes que ainda hoje estão presentes terão desaparecido e, com isso, as águas do mar. rio ficará sem a regulamentação essencial que os peixes realizam nos ecossistemas aquáticos.

Uma prova disso é que a pesca comercial na bacia do Bermejo, sendo proibida por acordos jurisdicionais, foi autorizada pelas autoridades de algumas localidades ribeirinhas. Tanto quanto se sabe, as medidas teriam sido tomadas sem qualquer tipo de análise do recurso e sem consulta às autoridades competentes da região.

Outro problema que ameaça a sustentabilidade da ictiofauna, talvez o mais importante, são as grandes bombas centrífugas. Estes, junto com a água, extraem, dependendo da época do ano, milhões de ovas, larvas e alevinos que se perdem inexoravelmente. Evidentemente, isso acontece, porque o problema, como tal, tem permanecido ignorado e sem ser analisado racionalmente. No entanto, presume-se que poderia ser facilmente resolvido se houvesse vontade para alcançá-lo. Os benefícios seriam aqueles que todos podemos imaginar: uma importante contribuição para a sustentabilidade da ictiofauna que hoje parece pouco importar.

Tudo o que foi dito nada mais faz do que demonstrar o uso anárquico, indiscriminado e irracional que continuamos a fazer de um recurso que é de todos, como é o rio.

Lixo

Ainda somos poucos, mas o problema já é visível: por hábito, porque somos assim ou seja lá o que for, estamos transformando as margens do nosso rio e o próprio rio, em lixão. Isso é mais apreciado nas cidades ribeirinhas onde as costas de Bermejo vão se transformando, aos poucos, em depósitos de lixo de todos os tipos. Resolver este problema não é difícil e o principal para o conseguir seria começar por reconhecer que existe.

Para reflexão

Se continuarmos assim, o que deixaremos para as gerações futuras? A resposta a esta pergunta pode ser necessária para perceber que temos que mudar. Talvez o caminho seja, não olhar apenas para o humano, ser capaz de voltar algo de nosso olhar para o ambiente natural que nos dá vida. E faça isso com base na correção dos erros que cometemos e continuamos a cometer.


Vídeo: Filman la fuerte crecida del río Gastona, en el sur de Tucumán (Pode 2022).