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Esquel, a chama que não se apaga

Esquel, a chama que não se apaga


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A comunidade da Escola está em permanente movimento há exatos 10 anos. Aqui está um breve panorama daqueles primeiros dias que se estende até os dias atuais de plena mobilização contra as intenções de viabilizar a megamineração em Chubut e de expulsar a mineradora Minas Argentinas / Yamana Gold da cidade.

Pela Assembleia de Vizinhos Convocados de Esquel

fundo

No segundo semestre de 2001, as medidas de ajuste econômico foram aprofundadas na Argentina, prejudicando gravemente os setores sociais mais pobres e também os setores médios. No final daquele ano, eclodiu uma grave crise econômica e financeira e com ela surgiu uma revolta popular nas principais cidades do país e se formaram assembleias nos bairros ou cidades para enfrentar a situação e questionar profundamente o modelo e seus executores do a classe. política.

Diretamente relacionada a essa crise e seus golpes provinciais e locais, durante 2002 a Assembleia de Bairro de Esquel (A.V.E.) surgiu em Esquel e os professores se convocaram maciçamente para lutar enquanto outros sindicatos também se mobilizaram em grande número.

Em janeiro de 2001, a Comunidade Mapuche "Huisca Antieco" foi surpreendida pela entrada clandestina em seu território da empresa Meridian Gold em busca de ouro e talvez alguns outros minerais. Os membros da comunidade viajaram com urgência para Esquel, alegando diante da sede da Diretoria de Minas e Geologia que haviam recebido permissão para entrar nos territórios sem qualquer consulta à Comunidade, embora sem sucesso. A Comunidade impetrou Amparo Ambiental, porém o juiz interino declarou inadmissível, recomendando “esgotar os canais administrativos”. Apesar deste preocupante panorama institucional, a empresa desapareceu de cena poucos dias após o início do conflito.

Em meados de 2002, a comunidade de Esquel e a província de Chubut tomaram conhecimento definitivo da iminência do início da mineração no Cordón Esquel previsto para 4 de janeiro de 2003. O Governo da Província, por meio de seu Diretor de Mineração, o geólogo Guillermo Hughes, tornou públicas as reivindicações da Minera el Desquite SA (adquirida naquele mesmo ano pela Meridian Gold Inc. do Canadá) para iniciar a etapa de exploração da jazida de ouro e prata localizada a 6,5 ​​km de nossa cidade e cuja exploração vinha sendo realizada há aproximadamente quatro anos.

Desde o final de 2001, o governo de Chubut promoveu conversações abertas em Esquel sobre alguns aspectos da exploração (cianeto, impacto social, legislação etc.). Porém, moradores de Esquel começaram a investigar os antecedentes desse tipo de mina em outras partes do mundo e no país, especialmente alertados - a princípio - pelo uso de cianeto de sódio no processo de extração de ouro e prata do resto da rocha.

Em abril de 2002, professores da sede local da Universidade Nacional de Pataônia (UNPat) criaram uma Cátedra Aberta sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Nesse contexto, foram organizados fóruns e mesas de discussão sobre o problema entre maio e novembro de 2002, que contaram com a participação de profissionais locais, de outras partes do país e especialistas estrangeiros.


Alguns professores e pesquisadores da sede local da Universidade Nacional da Patagônia (UNPAT) começaram a investigar os riscos ao meio ambiente decorrentes desse tipo de empreendimento. Desde setembro de 2002, as atividades de extensão universitária têm se multiplicado com inúmeras conferências para a comunidade, apoiadas por bibliografia confiável e desinteressada de autores renomados neste campo. O canal de TV local colaborou com essas palestras de divulgação universitária para atingir toda a população. Simultaneamente, esses professores e pesquisadores começaram a estudar o relatório de impacto ambiental apresentado pela mineradora para apresentar suas objeções e daí surgiram novos elementos de análise.

Vizinhos e profissionais visitaram todas as escolas primárias e polimodais de Esquel e outras cidades para compartilhar com os jovens as informações obtidas e que contradiziam ostensivamente as fornecidas pelo governo e pela mineradora: terríveis antecedentes de acidentes por derramamento / vazamento de cianeto, contaminação de águas e solos pela drenagem ácida de minas e metais pesados, impactos altamente negativos no nível socioeconômico das localidades ou regiões de exploração, marco legal argentino com enormes vantagens jurídicas e fiscais para os investimentos mineiros (tendência verificável em outros Países da América Latina), etc.

Alguns vizinhos promoveram em outubro de 2002 a coleta de assinaturas contra o cianeto contra o uso do cianeto e para um plebiscito obrigatório.

A Assembleia de Vizinhos Auto-convocados é formada

Em novembro de 2002, começaram a ser realizadas assembleias de bairro, reunindo todos os setores críticos para o empreendedorismo. Na terceira assembléia, os 600 presentes pronunciaram por unanimidade NÃO À MINHA e foi decidido realizar a primeira marcha em 24 de novembro de 2002.

Após esta mobilização, o governo de Chubut anunciou o adiamento da audiência pública onde seria analisado o estudo de impacto ambiental do projeto de mineração e que havia sido convocada para 4 de dezembro de 2002. Diante daquele primeiro triunfo parcial dos vizinhos, foi decidido realizar uma marcha naquele dia para comemorar a conquista. Dessa forma, eles continuaram marchando a cada 4 dias de cada mês até o presente.

Diversas atividades foram desenvolvidas durante o conflito: distribuição de informações nas vias públicas por meio de cartilhas, grafite na rua, murais, festivais de arte, palestras em bairros da cidade e em outros locais que também expressaram seu repúdio ao empreendedorismo e mobilizações com a participação de um número crescente de oponentes da mina.

Desta forma, instalou-se um debate público muito importante, nunca visto nesta cidade e cujo alcance se traduziu não só na ampla rejeição do projeto mas também na massividade das mobilizações, que incluíram também a modalidade de escrache: ao escritórios de alguns meios de comunicação que apoiavam abertamente a mina, empresários e políticos.

Amplos setores de comerciantes e provedores de turismo também se manifestaram contra a mineração em grande escala, e chegaram a causar uma forte ruptura dentro da Câmara de Comércio e Turismo local, cujos principais líderes acordaram com a mineradora diferentes negócios para suas respectivas empresas (fornecimento de combustível, suprimentos para construção, etc.).

A montanha ainda está de pé graças ao seu povo

Resumidamente, o projeto de mineração em Cordón Esquel não se concretizou devido a:

• Mobilização social que rejeita amplamente a atividade de mineração em grande escala.
• A consulta popular de 23 de março de 2003, na qual 82% dos eleitores expressaram NÃO À MINHA.
• A proteção ambiental emitida por um tribunal de Esquel em fevereiro de 2003 e que, após ser homologada por todas as instâncias superiores, foi encaminhada pela mineradora ao Supremo Tribunal de Justiça da Nação, que confirmou a referida proteção.
• A proibição da mineração de metal a céu aberto e do uso de cianeto estabelecida na Lei 5001, sancionada pelo Legislativo de Chubut após o resultado esmagador da consulta popular de março de 2003 foi conhecido.

O presente de 10 anos de luta

Em 2007, a Yamana Gold Inc. adquiriu a Meridian Gold, ambas localizadas no Canadá, e com ela, o depósito Cordón Esquel e todas as suas propriedades de mineração. Por volta de 2010, Yamana Gold. por meio de sua subsidiária Minas Argentinas S.A. inicia uma série de atividades para reativar o projeto, divulgando algumas modificações em relação ao original, mas sem apresentar nenhum estudo específico e detalhado sobre ele.

Em conversas com vizinhos, a mineradora divulga promessas de suposto desenvolvimento, empregos e proteção ambiental que se revelam falácias absolutas ao investigar a atuação dessa mesma empresa em outras partes do país e do mundo. A isso se soma a compra de testamentos por meio de diversos mecanismos e uma estreita relação de colaboração recíproca com os mais altos funcionários do Município de Esquel e do governo provincial.

Recentemente, uma série de pronunciamentos públicos vigorosos contra a megamineração foram registrados por vários atores sociais, associações profissionais, trabalhadores e sindicatos em Esquel e na região. Da mesma forma, um grupo de desempregados da cidade fixou-se durante cinco dias no Município exigindo trabalho genuíno e que a mineradora saísse da cidade, responsável por criar um clima de conflito social e incentivar o esvaziamento de atividades verdadeiramente produtivas.


Em outro elo da luta, conseguiu-se a modificação do Código Tributário Municipal, pelo qual não poderão ser concedidas autorizações comerciais a quem pretenda desenvolver qualquer atividade complementar ou relacionada a outras atividades proibidas ou não permitidas no ejido municipal, como grandes -escala de mineração .escala, o que é proibido pela portaria nº 033/2003. Com esse arcabouço, a população exige que o município retire a autorização comercial provisória que a Minas Argentinas / Yamana Gold possui para um suposto cargo administrativo.

Simultaneamente, os vizinhos impulsionam o debate para definir um perfil produtivo para Esquel, região e província, que se concentre em atividades verdadeiramente produtivas, sem saques ou contaminações, gerando mão de obra genuína para gerações. Nesse sentido, um 1º. Fórum que abordou diversas iniciativas e teve grande participação.

O movimento social NÃO À MINHA é proposto como um espaço externo ao aparato partidário e às organizações sindicais. Ela atravessa o esqueleto da comunidade de forma transversal e se integra a todos os setores sociais: desempregados, trabalhadores, profissionais, comerciantes, etc.

Uma característica distintiva do movimento é a tomada de decisões na montagem e o desempenho das tarefas por meio de comissões formadas livremente. Esta modalidade, além de horizontalizar o seu funcionamento, fortaleceu o protesto social, alimentando-o com um caráter forte, diverso, autônomo e democrático, onde vizinhos de qualquer política, sindicato ou afiliação coletiva participam simplesmente por serem vizinhos e com tal caráter.

Não para a mina
http://www.noalamina.org/mineria


Vídeo: Queima de Novo (Junho 2022).


Comentários:

  1. Dajar

    Não posso participar da discussão agora - não há tempo livre. Voltarei - com certeza vou expressar minha opinião.

  2. Tedal

    não é lógico

  3. Pan

    Sim eu te entendo. Nele algo é também para mim parece que é um pensamento muito excelente. Completamente com você eu vou concordar.

  4. Diederich

    Há algo nisso. Agora tudo está claro, obrigado por sua ajuda neste assunto.



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