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Entre a crise global e as tensões políticas: dados para uma semana turbulenta

Entre a crise global e as tensões políticas: dados para uma semana turbulenta


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Por Julio Gambina

Estamos passando por uma semana turbulenta, com muitas questões globais, regionais e locais a serem consideradas. Localmente, cresceu a tensão entre a CGT e o governo.


O mundo e sua crise

Do encontro no México, além de declarações sobre o crescimento da economia e do emprego, o resultado real é a recapitalização do FMI para 456 bilhões de dólares, sem contribuições dos Estados Unidos e compromissos de contribuições surpreendentes.

Entre outros, os da Europa com 200 bilhões de dólares, o que confirma que o resgate é para bancos e empresas em apuros, ao invés de atender às necessidades dos desempregados e empobrecidos pela crise.

Ainda mais surpreendente é o apoio dos países emergentes, onde a China pontua com 43 bilhões; Brasil e México com 10.000 milhões cada, e até a Colômbia com 1.500 milhões. Imaginemos esses recursos aplicados de forma soberana ao desenvolvimento alternativo de nossos países.

O que pensam aqueles que imaginam um bom uso desses vastos recursos nas mãos do FMI? Quanto custa para o Banco do Sul emergir e com que facilidade o FMI ressurge desde a existência do G20?

O fracasso não pode ser escondido na Rio + 20, mesmo com a colorida proposta de uma "economia verde", que nada mais é do que a mercantilização da natureza.

Pintar de verde a comercialização da produção em curso não esconde os problemas socioeconômicos e a crise mundial do capitalismo contemporâneo, onde se verifica o crescimento da desigualdade, com milionários mais milionários, no mundo e na região latino-americana, segundo o Relatório de O Consultor Capgemini - RBC Wealth Management, e sem surpresa, esses milionários em dólares vêm dos setores de mineração, agricultura e energia, ou seja, do negócio de recursos naturais, da chamada “economia verde”.

Não há dúvida de que a aposta na industrialização transnacionalizada da produção agrícola e mineira tem entre seus beneficiários grandes corporações econômicas que privilegiam seus benefícios em detrimento da qualidade de vida das populações nas quais se assentam seus investimentos; E mesmo falando em “empregos verdes” a aposta é reduzir a renda dos trabalhadores, já que o salário é concebido como um custo que deve ser reduzido para enfrentar a crise; sem falar na depredação dos recursos naturais.

O fracasso da Rio + 20 era um resultado esperado, além da magnitude do conclave com presenças de praticamente todos. O problema é que o modelo de produção capitalista, ainda em crise, é poluente, superexplorador, predatório e destrutivo.

As cúpulas populares realizadas no México e no Brasil exigem um debate na sociedade para modificar o modelo de produção e desenvolvimento, pensando em soluções alternativas.

Nesse sentido, é surpreendente o apelo dos movimentos camponeses que enfatizam o poder da produção alimentar indígena e camponesa e da agricultura familiar, contra a segmentação irracional da industrialização que domina desde o pacote tecnológico inicial até a comercialização em grandes lojas e supermercados, que reduz a diversidade da dieta e a riqueza de proteínas necessárias ao dia a dia.

Mas também destaca os apelos feitos para investigar o crime econômico cotidiano, especialmente com a movimentação de dinheiro e principalmente com a dívida pública, um grande condicionador de nossas economias, e claro rejeitar as ações de organismos internacionais e o resgate de bancos que continuam acumular grandes ganhos às custas do empobrecimento de grande parte da população.

Sucessos "verdes" do Paraguai


Além disso, o fenômeno do golpe institucional contra Lugo, o presidente paraguaio, não pode ser entendido sem o domínio da produção de soja que pinta de verde a agricultura dos países do Mercosul, região produtora e exportadora por excelência de oleaginosas e seus derivados.

Horas antes do golpe, em contundente reclamação, o jornalista paraguaio Idilio Méndez antecipou o “severo retrocesso à esquerda, às organizações sociais e camponesas, acusadas pela oligarquia latifundiária de instigar os camponeses; avanço do agronegócio extrativista nas mãos de transnacionais como a Monsanto, por meio da perseguição aos camponeses e da tomada de suas terras e, por fim, a instalação de uma confortável audiência para os oligarcas e partidos de direita para seu retorno triunfante nas eleições de 2013 para o Poder Executivo. ”(1)

O golpe ainda não havia ocorrido, mas havia clareza sobre quem havia causado a manobra que culminou com a morte de 18 pessoas, policiais e camponeses, e que o governo encarregou Lugo de demiti-lo em poucas horas, pondo em causa a fragilidade das democracias em nossa região.

Camponeses ocupam terras devido à crescente ocupação de latifundiários, paraguaios e vizinhos, principalmente brasileiros (brasiguayos), todos amparados pelo pacote tecnológico das transnacionais de alimentos e biotecnologia com a Monsanto à frente. É algo a se pensar em todos os países do Mercosul.

Resta saber se o Paraguai vai se somar à experiência de Honduras, que depois de fortes declarações críticas dos governos, o golpe institucional finalmente chegou. A grande questão será a mobilização popular que o presidente deposto evitou.

A mudança política na região tem o limite do poder econômico, o que é uma lição a considerar, que se esse poder não for afetado estruturalmente, confrontando-o com outro poder (anticapitalista), por outra equação de beneficiários e perdedores, o sistema capitalista toma a iniciativa e o curso da acumulação.

Não se trata apenas de direita, esquerda ou centro-esquerda, mas também sobre a orientação do curso econômico; se afirmando as tendências da acumulação capitalista em curso para além da crise mundial, ou promovendo caminhos alternativos ao capitalismo.

É claro pela experiência recente que o poder econômico não recorre apenas às armas na sua iniciativa política, embora conte com o apoio das crescentes bases militares da região, da aplicação generalizada de leis antiterroristas e de outros mecanismos de ingerência e incidência; porque com os meios de comunicação e as formas que assume a democracia representativa (poderes executivo, legislativo e judiciário) mantém a hegemonia do regime do capital.

O conflito é pela apropriação da riqueza social

A discussão é sobre riquezas. É o que se discute na situação da Argentina. É um debate sobre riqueza e pobreza.

Um estudo recente da Flacso mostra que na última década a taxa de lucro é muito superior à da década anterior, a do Menemismo. (2)

A taxa média de lucro durante 2002-2010 atingiu 37,2%, enquanto entre 1993-2001 foi de 24,8%. Nos últimos anos houve um percentual de ganho superior a 50% do que na época do Menemismo.

Como isso é explicado? Em economia não há mágica; em qualquer caso, a riqueza muda de bolso. O documento explica isso com a queda dos salários e o aumento da produtividade.

Daí a recorrência no debate sobre distribuição de renda, pois mesmo com o desemprego caindo de 22 para 7% em uma década, não está apenas acima da média dos anos anteriores, dos anos 80, muito menos dos anos 70 , mas sim uma recuperação no emprego baseada em rendimentos historicamente em declínio e rendimentos crescentes.

A turbulência da semana, com opiniões políticas muito diversas, sobre quem joga o partido que a direita reivindica, o conflito vai continuar antes do apelo à mobilização da CGT, com um tema sensível para debate: a contribuição dos trabalhadores para o financiamento da do Estado via imposto de renda.

Como apontamos para o caso paraguaio, se os interesses do poder econômico não são afetados, ele assume a iniciativa política para garantir sua utilidade e com ela o modelo de acumulação.

Seja por meio de cúpulas globais ou da experiência paraguaia, na Argentina se abre a discussão sobre o modelo econômico e os rumos políticos, ou seja, sobre o modelo produtivo e de desenvolvimento, bem como sobre o governo do capitalismo local, até mesmo uma perspectiva alternativa .

Não se trata de apoio ou crítica ao governo, mas sim da orientação da política económica e da estrutura de dominação que daí surge, com a questão de saber se é possível consolidar um percurso por profundas transformações estruturais, contra o lucro. e para renda popular.

Julio Gambina - Doutor em Ciências Sociais UBA. Professor de Economia Política na U.N. de Rosário. Presidente do FISYP. Membro do Comitê Diretivo de CLACSO.

Referências:

1. Idilio Méndez; “A Monsanto ataca no Paraguai: as mortes de Curuguaty e o impeachment de Lugo”.

2. Pablo Manzanelli, “A taxa de lucro durante a pós-conversibilidade. Um balanço preliminar ”, em: http: //www.apuntesparaelcambio.com.ar…


Vídeo: A guerra comercial entre EUA x China - Concursos Públicos (Junho 2022).


Comentários:

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