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Mudança ambiental global. O bumerangue da espécie humana

Mudança ambiental global. O bumerangue da espécie humana


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Por Cristina Hernández

Mudanças climáticas, poluição do ar e da água, transformações da paisagem - como processos de desmatamento e degradação do solo -; a extinção de espécies e o esgotamento dos recursos naturais superexplorados são fatores que propiciaram uma mudança ambiental global que requer uma resposta urgente e definitiva das nações, mas não haverá solução real para o conflito se o modelo de desenvolvimento capitalista for.


Os últimos dez anos foram pródigos em notícias sobre terremotos, tsunamis, inundações, secas, ondas de calor e frio, o extermínio de espécies animais, florestas totalmente devastadas. Ao mesmo tempo, sabemos que o buraco na camada de ozônio aumenta, as reservas de hidrocarbonetos estão se esgotando, a temperatura dos oceanos e dos mares aumenta, as geleiras estão derretendo e a poluição produz todo tipo de problemas de saúde humana.

O sistema de consumo das sociedades contemporâneas tornou-se predador de todos os recursos ambientais e hoje nos remete à gênese da luta pela sobrevivência. Se as taxas de crescimento econômico baseadas na pilhagem da natureza continuarem, nossos descendentes podem não encontrar maneiras de permanecer vivos. No entanto, as principais causas dessa situação serão as últimas a serem afetadas por suas consequências. A desigualdade do mundo contemporâneo faz com que sejam as nações e os povos mais pobres os primeiros a sofrer os ataques dessa ação danosa à natureza.

Mudanças climáticas, poluição do ar e da água, transformações da paisagem - como processos de desmatamento e degradação do solo -; a extinção de espécies e o esgotamento dos recursos naturais superexplorados são fatores que provocaram uma mudança ambiental global que requer uma resposta urgente e definitiva das nações.

Esta não é uma preocupação recente. No relatório apresentado à Assembleia Geral das Nações Unidas em 1987 pela Comissão Brundtland, denominado Nosso Futuro Comum, foi apresentado o conceito de "Desenvolvimento Sustentável", posteriormente apoiado na Cúpula do Rio em 1992. Com isso, o princípio elementar de um desenvolvimento onde as necessidades da geração atual são satisfeitas sem afetar as da geração futura. Porém, realizar esse paradigma em um mundo onde prevalece um modelo de desenvolvimento baseado na acumulação excessiva tem sido praticamente impossível. Suas consequências nem mesmo foram postergadas, embora existam apelos internacionais como a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Agenda 21, a Declaração do Milênio e as Metas de Desenvolvimento do Milênio, o Plano de Implementação de Joanesburgo, o Programa de Ação de Barbados para o Sustentável Desenvolvimento dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, entre outros.

Em seu discurso na Cúpula das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992, Fidel assegurou que a espécie humana corria o risco de desaparecer e responsabilizou diretamente as sociedades de consumo pela atroz destruição do meio ambiente. A solução idealizada pelo líder histórico da Revolução Cubana foi por meio de uma melhor distribuição dos recursos. “Se você quer salvar a humanidade dessa autodestruição, é preciso distribuir melhor a riqueza e as tecnologias disponíveis no planeta. Menos luxo e menos desperdício em alguns países, de modo que haja menos pobreza e menos fome em grande parte da Terra. Chega de transferências para o Terceiro Mundo de estilos de vida e hábitos de consumo que destroem o meio ambiente. Tornar a vida humana mais racional ”, declarou.


Na verdade, trata-se de aplicar uma abordagem cultural à sustentabilidade, a fim de alcançar um sistema de pensamento e ações onde prevaleça a harmonia com a natureza. O modelo cultural de produção, até então devastador, deve ser substituído por valores que apontem para uma relação mais sábia com o planeta. Não basta promover o cuidado com o meio ambiente se a visão de mundo e os princípios sobre os quais o desenvolvimento econômico é concebido não forem radicalmente transformados.

Só para citar alguns números da ação devastadora da espécie humana, estima-se que no mundo cerca de 15 milhões de hectares de florestas são perdidos por ano, que 52 por cento dos pesqueiros são explorados ao limite, outros 24 esgotados e apenas três por cento são considerados inexplorados.

Enquanto a América Latina consome cerca de 4% da energia mundial e a África 2,5%, os EUA e a União Européia consomem cerca de 58% da energia do planeta. O deslocamento climático ambiental é a principal causa da migração humana e em 2010 atingiu 38 milhões de pessoas.

Além disso, milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados todos os dias, enquanto a fome é uma causa de morte na África Subsaariana. Os EUA são o país que lidera os números desse desperdício. De acordo com um estudo da Universidade do Arizona, entre 45 e 50 por cento de todos os alimentos colhidos são perdidos anualmente antes de serem consumidos. O mesmo relatório afirma que esse alimento poderia servir para atender a todas as necessidades dos desnutridos daquele país, onde 4,6 milhões de famílias sofrem de grave insegurança alimentar.

Perto da celebração da Cúpula Rio + 20, onde as nações do mundo se reunirão para avaliar os desafios dessa mudança ambiental global e as formas de enfrentar suas consequências até agora irreversíveis, os movimentos sociais se reuniram no Brasil no Fórum Social Temático Capitalista Crise, Justiça Social e Ambiental. A crise ambiental e a soberania alimentar estiveram entre os assuntos discutidos, sempre assumindo que “o aquecimento global é resultado do sistema capitalista de produção, distribuição e consumo”.

Na Declaração Final desta Assembleia de Porto Alegre, transnacionais, instituições financeiras, governos e organismos internacionais são responsabilizados por não quererem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. A opção por uma “economia verde”, proposta como solução para a crise ambiental e alimentar por algumas potências internacionais é posta em causa, pois “resulta na mercantilização, privatização e financeirização da vida. Os agrocombustíveis transgênicos, a geoengenharia e os mercados de carbono não são, como aponta o documento, uma verdadeira solução para o conflito se o modelo de desenvolvimento capitalista não for superado.

Não existem recursos infinitos para o planeta. A responsabilidade de preservá-los hoje é dos governos, mas também de cada um dos seres humanos que o habitam. Cada ação que realizamos como uma comunidade de nações em busca de uma cultura ecológica é uma garantia de perpetuidade. A crise ambiental nos coloca diante do desafio intelectual de conceber um ethos em harmonia com o espaço que a vida nos deu. O presente dossiê de La Jiribilla, portanto, responde ao imperativo ideológico e cultural de manter a segurança da Terra.

Cristina Hernandez • Havana - Ilustrações: Zardoyas

O dossiê 562 de La Jiribilla sobre Mudanças Climáticas pode ser visto na íntegra nos links a seguir
http://www.lajiribilla.cu/2012/n562_02.html
http://www.lajiribilla.cubaweb.cu/2012/n562_02/dossier.html


Vídeo: CIÊNCIAS 8º ANO: INTERFERÊNCIA HUMANA NO CLIMA (Julho 2022).


Comentários:

  1. Redamann

    É difícil dizer.

  2. Dohn

    Peço desculpas, não chega perto de mim. Quem mais pode dizer o quê?

  3. Gillecriosd

    Este tópico é simplesmente incomparável :), é muito interessante para mim.

  4. Laheeb

    I know one more decision



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