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Colômbia, a paz deve prevalecer sobre o conflito armado

Colômbia, a paz deve prevalecer sobre o conflito armado


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Por Sergio Ferrari

A luta continua, a mineração, o confinamento de comunidades, os deslocamentos em massa, os assassinatos. É um indicador que se contrapõe, por si só, aos discursos triunfalistas que se projetam no exterior.


Embora em algumas áreas do país a situação pareça estar melhorando lentamente, o conflito armado continua a ser uma “realidade dramática”. Devemos apostar que paradigmas alcançáveis ​​de uma paz duradoura são fortalecidos de baixo para cima, diz Irma Perilla nesta entrevista exclusiva. Uma opção que no futuro deve se impor como única alternativa naquele país sul-americano, exaurido por quase 50 anos de conflito.

Irma Perilla, economista, especialista em Cooperação Internacional e gestão de projetos para o desenvolvimento, com longa experiência no fortalecimento institucional de organizações sociais, atua como co-diretora da SUIPPCOL na Colômbia.

O Programa Suíço para a Promoção da Paz na Colômbia (SUIPPCOL) é promovido por uma dezena de organizações não governamentais com o apoio ativo do Ministério das Relações Exteriores da Suíça. Foi criado em 2001 e sua terceira fase, em andamento, será concluída em 2011.

É constituído por: Caritas; a Ação Quaresmal; EPER; Swissaid; Anistia Internacional / CH; Grupo de Trabalho Suíça-Colômbia; Terra dos Homens / Suíça; as Brigadas pela Paz; E-CHANGER e a Bethlehem Mission of Immensee.

P: Fala-se muito no exterior sobre o andamento da pacificação da Colômbia. Como você lê o que seu país vive hoje?

Irma Perilla: Se os territórios forem visitados, é evidente que o conflito continua prevalecendo. A pacificação divulgada não é sentida. Os confrontos, os combates, a mineração, o confinamento de comunidades, os deslocamentos em massa, os assassinatos continuam. As mulheres ainda são consideradas, em muitos lugares, espólios de guerra. Acabo de regressar da cidade de Pasto (Nariño) e a organização com a qual me encontrava teve de interromper a nossa discussão para atender a dois casos de meninas de 13 e 15 anos que foram estupradas.

As "duas" colombias

P: Como você explica que existem duas visões tão diferentes do mesmo país no exterior?

R: A realidade é única e muito dramática. Os números são do Escritório de Direitos Humanos e Deslocamento (CODHES), em seu último boletim. Eles indicam que existem mais de 4 milhões de pessoas deslocadas, mais de um milhão dos quais ocorreram nos últimos quatro anos. É um indicador que se contrapõe, por si só, aos discursos triunfalistas que se projetam no exterior.

P: O que, então, prevalece na atual situação política?

R: Vida civil militarizada. Que não tem nada a ver com a paz que as comunidades desejam. Isso está longe de ser visto.

Notamos que não existe uma política de paz no país. Estou me referindo ao que deveria ser uma orientação do Estado, do Governo. A estratégia é fazer guerra para alcançar a paz. Por isso, o componente central da política de "segurança democrática" é militar. Longe das reais expectativas das pessoas que nas regiões devem suportar a dor da violência no dia a dia.

Mensagem clara ao poder

P: Em uma situação tão complexa, quais são os principais eixos do trabalho atual da SUIPPCOL?

R: Existem dois aspectos essenciais. O primeiro é o desafio de fortalecer os mecanismos de proteção e autoproteção dos processos, iniciativas e comunidades de paz com as quais trabalhamos em regiões de conflito.

SUIPPCOL busca apoiar, acompanhar e reforçar as iniciativas que apresentam tantos riscos, mas resistem à guerra. Para que não se deixem cooptar por nenhum dos atores, para que não diminuam na convicção das suas propostas de paz, para que continuem a promover o que estão a construir com tanta dignidade.

É preciso lembrar que apoiamos desde a base uma Rede de Iniciativas de Paz, que reúne mais de vinte comunidades, redes ou processos das mais distantes regiões do país.

O segundo eixo de nosso trabalho busca continuar fortalecendo a articulação entre todas aquelas comunidades, redes e iniciativas que vivenciam realidades semelhantes. É muito importante que eles se conheçam, se apoiem, troquem experiências e se incentivem.


P: Essa é a filosofia básica da SUIPPCOL?

R: Certamente. Que todas estas iniciativas de paz, que estão a desenvolver propostas concretas, possam enviar a sua mensagem à sociedade civil e ao Governo. Essa mensagem muito clara é o fim da guerra, a necessidade de uma solução política negociada e a construção de uma paz sólida e duradoura.

P: E a comunidade internacional?

R: É muito importante! Todas essas iniciativas de paz precisam de muito apoio internacional para que suas propostas sejam ouvidas pelo Governo colombiano, pelo sistema das Nações Unidas e entendidas como um mandato das comunidades que sofrem, como vítimas diretas e mais expostas ao conflito.

A Rota Pacífica das Mulheres, que apoiamos desde a primeira etapa da SUIPPCOL, por exemplo, organiza nos dias 24 e 25 de junho, em Bogotá, um fórum internacional sobre verdade, justiça e reparação integral. É também um exemplo da importância atribuída à comunidade internacional, integrando-a na dívida pendente que ainda existe com as mulheres vítimas de violência.

P: Outros setores da vida colombiana, como a hierarquia da Igreja Católica, nos últimos meses falaram explicitamente a favor da solução política negociada ...

R: É uma posição importante. A reflexão da Conferência Episcopal vai na direção de uma solução negociada e de acordos humanitários. É assim que se posiciona contra o Governo e os grupos armados, oferecendo-se institucionalmente como mediadora.

P: Você está dizendo que há sinais de esperança na solução negociada?

R: Sentimos um pouco de esperança, pois hoje importantes setores da sociedade colombiana se perguntam se é hora de buscar caminhos de paz, para avaliar, pelo menos, as condições de iniciar o diálogo com os atores armados. Setores que não perguntaram antes. Em um determinado momento, com a aproximação das eleições presidenciais. E junto com isso, a questão da sociedade civil entrar nesse eventual diálogo como um terceiro ator principal. Daí a importância de reforçar todas as iniciativas de baixo para cima, para que a sociedade civil seja forte e, quando essa negociação for aberta, possa promover a sua própria visão de uma paz justa e sustentável.

Sergio ferrari, de volta da Colômbia - colaboração E-CHANGER e swissinfo

Processos e Iniciativas

Entre as iniciativas de paz, da própria sociedade civil, que contam com o apoio do programa suíço, está a Rede de Iniciativas e Comunidades de Paz de Base, povos e comunidades que se opõem à presença ou permanência em seus territórios de atores armados e do confronto militar .

Os Territórios da Paz também estão emergindo fortemente. É uma proposta promovida principalmente pelas comunidades indígenas de Cauca (sudeste do país) que oferecem seus territórios para facilitar a negociação política entre o Governo e os grupos guerrilheiros. Já no final da década de 1980 havia uma iniciativa semelhante para garantir, então, o diálogo entre o Governo e a guerrilha M19.

Existem agendas regionais para a paz, como a de Chocó, que nasceu da confluência do trabalho de três dioceses da Igreja Católica com 87 organizações afro-colombianas e indígenas. Eles promovem não apenas uma proposta de paz para a região, mas também um conceito de desenvolvimento, baseado em suas próprias visões de mundo e culturas.

Desde sua primeira fase a SUIPPCOL apóia redes como a Rota Pacífica das Mulheres, movimento feminista e pacifista com ação política, cultural e social que visa fortalecer a visão feminista de pacifismo, não violência e resistência civil. Promove a inclusão de propostas políticas e sociais das mulheres colombianas (Sergio Ferrari)


Vídeo: XX Seminário Nacional do Instituto Foro do Brasil: Gen. Rocha Paiva (Junho 2022).


Comentários:

  1. Picford

    Algo da moda hoje em dia.

  2. Fresco

    É uma pena que eu não possa participar da discussão agora. Eu não possuo a informação necessária. Mas com prazer, vou assistir a esse tema.

  3. Skipton

    Obrigado pela ajuda neste assunto, quanto mais simples melhor...



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