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Governança e mudanças climáticas

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Por rodrigo arce

A governança é a chave para enfrentar melhor os desafios das mudanças climáticas. A mudança climática é um compromisso compartilhado por todos e, portanto, todos devemos fazer os esforços necessários para sua mitigação e adaptação.


Todos nós estamos cientes das implicações das mudanças climáticas. Cabe-nos agora desenvolver as propostas que nos garantam um melhor preparo para a mitigação e adaptação às alterações climáticas. Um dos fatores refere-se às condições de governança necessárias para enfrentar esse desafio.

Para os fins deste ensaio, vamos usar uma definição de governança que se refere à forma como os atores públicos e privados se organizam e trabalham juntos para alcançar a sustentabilidade, levando em consideração a influência do mercado e da mídia. Essa definição implica alcançar um acordo social, político e econômico que garanta a sustentabilidade da vida no planeta, em todas as suas manifestações.

A definição nos convida a rever as implicações dos seguintes fatores: o setor público, a sociedade civil, o mercado e a mídia em relação às mudanças climáticas. Queremos saber se em nosso país temos ou estamos em vias de conseguir uma governança alinhada às demandas das mudanças climáticas. Mais do que um relato detalhado, o que queremos é motivar reflexão, proposta e ação.

Em relação ao setor público e seus poderes, teríamos que nos perguntar se temos uma estrutura institucional que se encarrega de liderar o processo de consulta pública e privada para a mobilização em torno das mudanças climáticas. Mas, além de saber se essas instituições ou organizações existem ou não, estamos interessados ​​em primeiro saber o grau de gestão eficaz que existe nessas instâncias e, portanto, o grau e tipo de liderança que existe. Isto nos levará a rever a qualidade de seus procedimentos e sua ecoeficiência, a qualidade da gestão de talentos, a existência de uma cultura de gestão da informação e do conhecimento, a cultura do trabalho em equipe, a cultura organizacional voltada para a sustentabilidade e o reconhecimento explícito que a natureza também é um dos clientes fundamentais da gestão.

Nesse sentido, é necessário conhecer o grau de coordenação que existe tanto entre os órgãos internos quanto o grau de articulação intersetorial para o desenvolvimento mais efetivo de ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Da mesma forma, é necessário saber qual é o grau de abertura à sociedade civil por meio de um compromisso comprometido com a participação social na gestão e na fiscalização. Interessa-nos conhecer o grau de transparência e as manifestações expressas no combate à corrupção que ameaçam a implementação de políticas efetivas para um melhor enfrentamento às mudanças climáticas. Comemorando a existência de estratégias, políticas, planos e padrões, é importante saber em que medida eles são efetivamente implementados.

Mas tão importante quanto a qualidade dos processos é a qualidade da tomada de decisões em termos de sustentabilidade. É importante saber em que medida são administradas as tensões entre os interesses econômicos e políticos e as demandas de sustentabilidade. É preciso saber se a tomada de decisão tem uma visão transgeracional ou se é mediada por interesses insustentáveis ​​de curto prazo. É interessante saber em que medida os direitos humanos dos atores envolvidos são reconhecidos e respeitados, em que medida os direitos dos povos indígenas são considerados com sinceridade na tomada de decisões.

Também é importante saber até que ponto a questão das mudanças climáticas é um eixo transversal que atravessa as políticas sociais e econômicas. É interessante medir até que ponto as políticas, programas e projetos visam "descarbonizar" o desenvolvimento. É interessante saber em que medida as políticas de energia e transportes visam o alcance da eficiência energética, assim como é importante que nos expliquem se existe uma política florestal coerente, se promove sua conservação e manejo e em que medida a portaria é implementado um zoneamento ecológico territorial e econômico com a participação ativa da sociedade civil. Na mesma linha, é interessante saber em que medida são desenhadas e implementadas estratégias para reduzir o desmatamento e como se aplica uma política coerente de combate à extração ilegal de madeira e ao comércio de produtos florestais.

Além disso, é importante saber em que medida são feitos esforços deliberados para converter Áreas Protegidas em papel em autênticas Áreas Protegidas, bem como em que medida é facilitada a participação da sociedade civil na gestão da Área.


É preciso analisar em que medida a administração pública é capaz de gerar regulações compatíveis com a sustentabilidade ou se é facilmente influenciada pelos lobbies do poder econômico. É também importante saber em que medida os acordos e convenções internacionais de que o país é signatário se traduzem, não apenas nas legislações e políticas nacionais (regionais e locais) mas, sobretudo, na sua implementação prática. É interessante saber em que medida a palavra nacional é honrada diante dos compromissos internacionais na matéria. No mesmo sentido, interessa-nos saber em que medida a palavra é homenageada perante os atores internos.

Também temos interesse em saber até que ponto o setor público investe em suas instituições de ensino e pesquisa para gerar conhecimento que nos permita estar mais bem preparados para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Não se trata apenas da existência das instituições, mas também do grau de implantação em instrumentos e equipamentos, bibliografia, políticas de gestão de talentos científicos e tecnológicos e grau de sustentabilidade institucional.

Também nos interessa saber o grau de consistência das equipas negociadoras nacionais nos principais processos globais relacionados com as alterações climáticas. Precisamos saber se são equipes consolidadas e se permitem a continuidade do processo.

Na questão da sociedade civil, interessa-nos conhecer não só o mapa dos atores relacionados com as alterações climáticas, mas também o grau de coesão interna e associada. É importante saber em que medida suas propostas e ações são baseadas em informações científicas e se as contribuições dos saberes ancestrais estão ou não incluídas no conteúdo de suas propostas.

Estamos interessados ​​em saber o grau em que essas organizações gerenciam suas informações, seus conhecimentos, suas ideias e propostas. Também nos interessa saber, como no setor público, qual é a sua capacidade de diálogo, a sua capacidade de escuta, o grau de seu espírito de diálogo generativo e concertado com as autoridades e com o setor privado. É muito importante conhecer a qualidade da democracia interna, como se exerce e se constrói a liderança democrática, em que medida existem políticas explícitas que favoreçam a participação ativa das mulheres e crianças. Também estamos interessados ​​em saber até que ponto eles têm sistemas eficazes de comunicação e educação do cidadão.

Também é interessante saber até que ponto as organizações são consistentes entre o discurso e a prática. Deve ser medido o grau em que as organizações são consistentes com seus próprios princípios e não são influenciadas por considerações políticas e econômicas.

Também é importante saber como as populações locais estão se preparando para reduzir sua vulnerabilidade às mudanças climáticas, que capital social e cultural elas fortalecem para ter um melhor controle dos riscos e ameaças de desastres causados ​​pelas mudanças climáticas.

É necessário também saber o grau de força dos partidos políticos, de que forma as mudanças climáticas são uma questão central que permeia todas as suas propostas políticas e como elas se traduzem em suas ações políticas. Da mesma forma, é importante saber em que medida as propostas dos cidadãos em relação à mitigação e adaptação às mudanças climáticas são traduzidas e assimiladas. É interessante saber quais esforços estão sendo feitos para reduzir a informalidade política, como eles constroem sua transparência e qual o grau de comprometimento com o combate à corrupção.

No que se refere ao mercado, interessa-nos saber o grau e autenticidade com que falam e implementam programas inspirados na responsabilidade social empresarial e na economia sustentável. Temos interesse em saber se os investimentos levam em consideração a sustentabilidade ou apenas o interesse econômico. É importante conhecer os esforços deliberados que são feitos na empresa para ser mais ecoeficiente. Nesse sentido, é interessante saber quais medidas estão sendo tomadas para melhorar a eficiência energética, a conservação da água e a reciclagem dos produtos. Da mesma forma, estamos interessados ​​em saber em que medida seus produtos são pensados ​​em termos de sustentabilidade ou se são pensados ​​apenas em termos de reposição rápida por obsolescência. É muito interessante saber se os programas de responsabilidade social ou de relacionamento com as comunidades visam criar ou fortalecer parceiros interlocutores ou se destinam apenas a satisfazer a população para trabalhar com tranquilidade.

Por fim, interessa-nos saber se existe ou não liberdade de expressão na imprensa (externa e interna) É importante saber se na decisão de apresentar a informação prevalece o critério da sustentabilidade ou da defesa dos interesses do grupo. Na medida em que há ou não há censura interna de informações que nunca são publicadas. Também nos interessa saber até que ponto se empenham sistematicamente para que a população compreenda as origens e consequências das alterações climáticas e esteja mais bem preparada para a mitigação e adaptação às alterações climáticas.

Fizemos um relato muito superficial das implicações da governança e das mudanças climáticas. Como podemos ver, a governança é fundamental para enfrentar melhor os desafios das mudanças climáticas. Cabe agora a todos os atores analisar até que ponto estamos construindo uma governança para as mudanças climáticas. A mudança climática é um compromisso compartilhado por todos e, portanto, todos devemos fazer os esforços necessários para sua mitigação e adaptação.

Rodrigo Arce é Engenheiro Florestal


Vídeo: O Brasil e as mudanças climáticas. Nerdologia (Julho 2022).


Comentários:

  1. Kieron

    Considero, que você está enganado. Vamos discutir.

  2. Akinolar

    Eu imploro seu perdão que interveio ... eu entendo essa pergunta. Convido para a discussão.

  3. Kazinris

    Eu não sei nada sobre isso

  4. Colemann

    Boa hora do dia! Hoje, usando o design amigável deste blog, descobri muitas coisas até então desconhecidas. Podemos dizer que fiquei muito para trás neste tópico em vista do seu constante desenvolvimento, mas mesmo assim o blog me lembrou muitas coisas e abriu novas, pode-se dizer, informações misteriosas. Anteriormente, eu costumava usar as informações de tais blogs, mas ultimamente tenho relatado tanto que não há tempo nem para ir ao ICQ ... o que posso dizer sobre blogs ... Mas obrigado aos criadores de qualquer maneira. O blog é muito útil e inteligente.



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