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"Água virtual", agronegócio da soja e questões econômicas e ambientais futuras ...



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Por Walter Alberto Pengue

Produzir alimentos implica consumir água. de água e um de carne, exige cerca de 16.000 quilos.

(*) Ao final deste artigo, inclui-se um link para download do livro “Agricultura industrial e transnacionalização na América Latina. ¿A transgênese de um continente?, De Walter A. Pengue (2005) em formato pdf fornecido pelo autor publicado pela Rede de Formação Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Série de Textos Básicos para Capacitação Ambiental nº 9 (México e Buenos Aires).

Toda "grama" é água ...

A agricultura é uma das principais produções demandantes de água (chega a cerca de 70% da média mundial), sendo a irrigação uma das atividades que gera preocupação quanto à disponibilidade e impactos na demanda de água potável, o que pode implicar no aumento de as extrações através deste para as próximas décadas (Bruinsma, 2003).

Produzir alimentos implica consumir água. "Toda grama é água" disse o pai da agricultura conservacionista argentina (Molina, 1967). de água e um de carne, exige cerca de 16.000 quilos deste elemento vital (Hoekstra, 2003).

Nesse sentido, apesar da eficiência que se busca na produção agrícola, a água e a seca têm sido fatores limitantes da produção em muitos países do mundo.

No caso da agricultura, é necessário distinguir dois componentes importantes na água que se move do solo para a atmosfera, que são: a evaporação e a transpiração. O primeiro é a perda direta de água do solo para a atmosfera e o segundo é a quantidade de água que se move pela planta à medida que é absorvida pela raiz, fluindo pelo xilema, evaporando pelo mesofilo e finalmente se difundindo como vapor. de água para a atmosfera através dos estômatos. Os dois componentes, para efeito de cálculos relativos ao consumo do recurso, estão integrados no conceito de evapotranspiração.

Apesar dessa importância, a produção de grãos tem considerado o uso de água em sistemas de sequeiro como um insumo não restritivo e não imputado às contas de custos e benefícios. Porém, o alimento contém uma porção relativamente importante de água em sua estrutura e tem demandado porcentagens muito maiores desse insumo durante o processo de produção.

O comércio agrícola mundial também pode ser pensado como uma gigantesca transferência de água, na forma de matéria-prima, de regiões onde ela é encontrada de forma relativamente abundante e barata, para outras onde é escassa, cara e seu uso concorre com outras prioridades . (Pengue, 2006).

A análise do uso da água pelo setor agrícola não pode deixar de considerar o fato de que 98% das terras cultivadas na América Latina são cultivadas em áreas de sequeiro, mas que a agricultura industrial para exportação demanda mais água a cada dia para sustentar seu sistema produtivo e aumentar sua produtividade física (como por exemplo começa a acontecer na região pampeana argentina).

Muitas regiões da América Latina já sofrem graves problemas. A disponibilidade de água no México vem diminuindo como resultado da superexploração dos lençóis freáticos e da crescente degradação da parte superior das bacias, o que implica custos mais elevados. Como são os camponeses que foram relegados às partes superiores das bacias e são eles que mais sofreram com as políticas de abertura do comércio agrícola e de contenção dos preços básicos, é menos provável que continuem com as suas tradicionais tarefas de gestão do trabalho. água e solo (Barkin, 1998).

O caso do uso da água na Argentina, especialmente para a produção de safras de exportação e acompanhado de um possível ciclo de seca nos próximos períodos, exige uma reflexão sobre o uso consuntivo do recurso, especialmente contra as novas demandas produtivistas tanto no Pampeano áreas e nas regiões extrapampa. É possível que o maior desafio nos próximos anos seja evitar que, por sua excelente rentabilidade em ambientes desfavoráveis ​​para outras espécies, a soja mantenha uma predominância que muitos consideram prejudicial a longo prazo (Sierra, 2006).

Países ricos e pobres de água

Ao contrário do caso mexicano, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai situam-se em um dos três maiores aquíferos do mundo, que tem um volume de cerca de 37 mil quilômetros cúbicos e cobre cerca de 1.190.000 quilômetros quadrados: o aquífero Guarani. Outro aquífero mais telúrico e acima do qual se situa o Pampa Ondulado é o Puelches, que atinge o centro de Santa Fé, a leste de Córdoba e a nordeste de Buenos Aires (Arias, 1999). Este aquífero alimenta a cidade de Buenos Aires e áreas urbanas e industriais, junto com a crescente demanda por água na agricultura intensiva com irrigação.

No caso do Guaraní, a extração de água subterrânea nos quatro países é destinada 69% para a agricultura, 21% para a indústria e 10% para o consumo interno. O aquífero representa 6% do território argentino, mas está situado em ricas áreas produtivas como a Mesopotâmia e os Pampas do Chaco.

A crescente demanda, principalmente da agricultura e a possibilidade de contaminação devido à sua intensificação industrial, evidencia a necessidade de se identificar a possibilidade, por um lado, de danos por contaminação do aquífero e, por outro, num futuro próximo, as pressões do louco sistema mundial de preços dos grãos, pelo aproveitamento do recurso natural, como fonte barata de “água virtual”.

Dentre esses custos ou externalidades, os ganhos futuros do setor agrícola devem considerar diretamente a compensação pela redução das áreas de produção agrícola em decorrência da intrusão salina, da degradação do solo e do esgotamento da disponibilidade ou acesso a produtos agrícolas. Recursos hídricos (lençóis freáticos e aquíferos), maior acesso (ou sua restrição) à água por grupos rurais com menos recursos e mais vulneráveis ​​para sua própria subsistência, geração de sistemas de produção agrícola mais ricos ou sua perda derivada de monoculturas de exportação e restrições de água para outros usos, inclusive ambientais usa.

Os equipamentos de irrigação estão crescendo na Argentina, alcançando a área irrigada atualmente de 1.290.000 hectares. O principal percentual de máquinas e equipamentos para irrigação não está localizado, como se poderia pensar, nas áreas com maiores limitações hídricas (por exemplo, o nordeste ou noroeste da Argentina), mas na região pampeana, onde as safras da agricultura industrial exigem água de forma mais intensiva (Tabela N ° 1) (CNA, 2002). A dependência dessas lavouras em relação à água é notável e qualquer risco de seca pode implicar na perda total da produção, visto que a produtividade prevalece sobre sua estabilidade.

Tabela N ° 1. Irrigação por aspersão, em quantidade de equipamentos por tipo e região.

EstacionárioPivô centralFront AdvanceCanhão automotor
Região Pampeana13231061101422
Noroeste3922795977

Fonte: Censo Agropecuário Nacional, 2002.

Assim, além das avaliações de produtividade em matéria seca de grãos por gota d'água, seria interessante começar a considerar a qualidade dos nutrientes gerados pela “gota d'água” e sua destinação e uso final nos países de destino.

Nesse sentido, é estratégico para países produtores como a Argentina e as demais nações da Região, "ricos em água", rever muito mais do que contemplativamente, os benefícios (não contabilizados) gerados pelo processo de exportação com seus grãos de "água virtual" (que muitos dos países importadores não têm em seus territórios, mas também não pagam no comércio mundial).

A troca de água virtual por meio do comércio de alimentos torna-se crucial nas discussões futuras, principalmente considerando que tanto as importações de países desenvolvidos quanto de nações que não têm água ou a desperdiçaram compulsivamente têm um peso considerável na economia de água.

O que é a água virtual

O valor da água virtual de um produto alimentar é o inverso da produtividade da água. Pode ser entendido como a quantidade de água por unidade de alimento que é ou poderia ser consumida durante seu processo produtivo (FAO, 2003), ou seja, utilizada ou contida na criação de produtos agrícolas.

A circulação virtual de água tem aumentado constantemente com as exportações de países agrícolas nos últimos quarenta anos. Estima-se que cerca de 15% da água utilizada no mundo se destina à exportação na forma de água virtual (Hoekstra e Hung, 2002). 67% da circulação virtual da água está relacionada ao comércio internacional de safras. Nos últimos cinco anos do século 20, o trigo e a soja responderam por 47% do total dessas produções. Nem as safras de alto ou baixo valor no comércio internacional, nem as comunidades finais que as consomem, ainda reconhecem esse importante uso de recursos em suas contas (Chapagain e Hoekstra, 2003).

É claro que o comércio virtual de água gera economias significativas de água nos países importadores e uma possível deterioração nos exportadores, que fazem uso intensivo ou em nível de sobreexploração. Por exemplo, transportar um quilo de milho da França (tida como representante dos países exportadores de milho para a produtividade da água) para o Egito transforma uma quantidade de água de cerca de 0,6 m3 em 1,12 m3, o que representa globalmente, uma economia de água de 0,52 m3 por quilo comercializados, situação que, como se pode verificar, não contabiliza os custos ou externalidades gerados pela utilização desta água em França.

Possivelmente, a aparente economia no uso da água, esconda esses custos, que, graças ao movimento global de alimentos, triplicaram. O comércio virtual de água aumentou em valor absoluto, de 450 km3 em 1961 para 1.340 km3 em 2000, atingindo 26 por cento da necessidade total de água para a produção de alimentos (FAO, 2003, op.cit).

As externalidades vinculadas às exportações virtuais de água também devem considerar os problemas derivados do aumento dos usos desse recurso: intrusão salina, salinização, perda de estrutura do solo, lavagem de nutrientes, contaminação.

Água virtual e agricultura

Um país limitado em sua disponibilidade de recursos hídricos pode decidir utilizá-los de outra forma, ao invés de aplicá-los na agricultura ou culturas que consomem muita água ou decidir importá-los e economizar a água de seu território para utilizá-la em outras produções ou para consumo doméstico ou industrial, buscando fazer um uso econômico mais eficiente do recurso.

Por este motivo, as restrições e problemas relacionados à escassez de água no mundo para a agricultura e a segurança alimentar alertam para problemas futuros no uso eficiente do recurso.

Estima-se que assim como se calcula que a dieta básica de alimentos transformados em calorias para consumo humano é em torno de 2.700 calorias, ou transformada na água necessária para produzi-las em cerca de 4,3 m3 por dia, são necessários 1.570 m3 de água anualmente por pessoa (WWF, 1986), cifra que cerca de 40 países no mundo não alcançam mais.

Na agricultura de exportação, a água virtual será medida multiplicando as toneladas anuais (em toneladas por ano) pela quantidade de água necessária para essa produção (em metros cúbicos por tonelada).

Hoekstra e Hung (2002) avaliaram que nos últimos cinco anos do século 20, o volume global das principais safras agrícolas de água virtual entre os países foi de 695 Gm3 por ano. Em comparação, a água total usada pelas plantações era equivalente a 5.400 GM3 por ano (Rockstrom e Gordon, 2001), o que significa que 13% da água usada pelas plantações não era usada para consumo doméstico ou local desses recursos e produtos, mas eram consumida como água virtual no mercado de exportação.

A disponibilidade de água e sua demanda para a agricultura nem sempre é uma constante, mas sim uma exceção. Nesse sentido, países como a Argentina posicionam-se como atores importantes no comércio mundial de grãos, pois dispõem desses dois recursos vitais para o crescimento do comércio mundial, como a água, seu espaço produtivo e sua fertilidade.

Por esta razão, um país pode fingir importar produtos que requerem grandes quantidades de água para sua produção e exportar produtos que requerem muito menos água.

A aparente busca de eficiência econômica e produtiva nessas relações, pode, em qualquer caso, mostrar melhorias no uso do recurso para um determinado país e até a nível global, mas por outro lado, pressões agora, sobre os recursos hídricos dos países exportadores líquidos de grãos (leia-se água) como a Argentina.

Nesse sentido, o que se propõe aqui é diferente, em termos da discussão sobre o comércio mundial de água virtual que de alguma forma tenta redirecionar e marcar as melhores ou piores eficiências da produção agrícola e onde seria conveniente produzir isso ou aquilo para focar Isto difere do que foi proposto por Hoekstra e Hung (2002) na medida em que, além de determinar os volumes de água virtual que circulam entre os países e por produto, essa água é reconhecida pelo seu valor não só em existência, mas como um input que foi desvalorizado até hoje.

Países Exportadores e Importadores de Água Virtual

Assim, na esfera global, apesar das análises recentes que começaram a ser desenvolvidas nos anos noventa, é possível identificar países que são exportadores ou importadores líquidos de água virtual, situação que responde a produtos, neste caso agrícolas que exportam. ou importar as demandas específicas de cada um desses produtos.

É evidente que o custo de transportar uma unidade de água de um país rico nele para outro que não tem para produzir um determinado grão seria extremamente caro, mas por outro lado, não é, quando esses grãos são produzidos nas nações que podem fazer uso mais intensivo do recurso.

Em certo sentido, o conceito anterior esconde em seu pano de fundo o aumento da produção celeiro daqueles países que podem fazê-lo àqueles que não podem, no quadro de um mercado globalizado e mais interdependente, pretender tentar proteger a segurança alimentar dessas nações. que eles são limitados de alguma forma.

Não concordamos com essa visão da natureza dos primeiros estudos para medir a água virtual, mas concordamos, no aprofundamento da análise do conceito de proteger e reavaliar o que não está sendo avaliado hoje nos países sul-americanos.

A Argentina está entre o grupo de países (Tabela 2) exportadores líquidos de água virtual, enquanto a maioria dos países compradores, por exemplo, de sua soja, são importadores (ou seja, déficit hídrico) desse recurso.

Basicamente, há claramente um fluxo de produtos (e água) entre a América do Norte (com exceção do México), o Sul (com a Argentina no topo) e a Austrália, em direção à Europa, Ásia e África (Mapa N ° 1).

Tabela Nº 2. Movimentos globais líquidos de “água virtual”

Os 10 principais países exportadores de água virtual (1995-1999)
PaísVOLUME EXPORTAÇÃO NET (109 m3)
Estados Unidos758,3
Canadá272,5
Tailândia233,3
Argentina226,3
Índia161,1
Austrália145,6
Viet nam90,2
França88,4
Guatemala71,7
Brasil45,0
Os 10 principais países importadores de água virtual (1995-1999)
PaísVOLUME IMPORTAR NET (109 m3)
Sri Lanka428,5
Japão297,4
Holanda147,7
Rep. Coreia112,6
China101,9
Indonésia101,7
Espanha82,5
Egito80,2
Alemanha67,9
Itália64,3

Fonte: Hoekstra e Hung. Comércio virtual de água - Uma quantificação dos fluxos de água virtual entre as nações em relação ao comércio internacional de safras.

Mapa Nº 1. O fluxo mundial da “água virtual”

Transporte de "água virtual do Pampa argentino" para países "importadores de água"


Fonte: Modificado, União Internacional para Conservação da Natureza, IUCN, 2003.

Para nosso país, dois autores já revisaram o fluxo virtual do caso argentino, ambos indicando que se trata de um exportador líquido de água. Tanto para Chapagain e Hoekstra (2003) quanto para Zimmer e Renault (2003), a Argentina tem entre 52 e 66 bilhões de metros cúbicos de água virtual exportada (Tabela Nº 3).

Tabela Nº 3. Balança comercial de água virtual na agricultura argentina

AutoresChapagain e Hoekstra (2003)Zimmer e Renault (2003)
Água Virtual Importada Bruta2,43
Água virtual bruta exportada54,269
Balanço de água virtual líquido– 51,8– 66

Fonte: Elaboração própria sobre Chapagain e Hoekstra (2003) e Zimmer e Renault (2003).

Se considerarmos o cultivo da soja, vemos que nos últimos cinco anos, ele ocupou um espaço preponderante em termos de uso gratuito e exportação de água virtual (Tabela N ° 4).

Praticamente toda a soja argentina é exportada (98%), tanto em grãos, como principalmente em óleos, farinhas e pellets. Da mesma forma, há uma crescente importação de soja de países vizinhos, especialmente do Paraguai, Bolívia e uma pequena mas crescente porção do Brasil por barcaça pela Hidrovia Paraguai Paraná (Pengue, 2006) para atender à crescente demanda do agronegócio de moagem.

A soja importada pela Argentina geralmente entra nas esmagadoras localizadas às margens do rio Paraná, no cinturão Rosário Santa Fé, que hoje se tornou o maior pólo de transformação da soja do mundo.

Além disso, as estimativas das corporações indicam que até 2006 a capacidade de moagem diária atingirá cifras entre 130 a 142.000 toneladas, sendo necessária uma produção da ordem de 42.000.000 toneladas, para não haver ociosidade na agroindústria. Esta situação justificaria ainda mais a demanda corporativa pelo aumento da profundidade da Hidrovia e entrada de soja do Paraguai, Bolívia e Brasil [1] (principalmente Mato Groso do Sul), dado o menor custo do frete, a capacidade de processamento e custos mais baixos do que as britagens brasileiras [2] [3].

Parte importante da produção de oleaginosas, da ordem de sete milhões de toneladas, continuará a ser exportada em semente ou feijão (principalmente para a China [4]), de forma que o agronegócio teria cerca de 34 milhões de toneladas para processar. Ou seja, eles estarão utilizando, no melhor dos casos, 81% da capacidade instalada. Por isso, talvez não até agora, mas no futuro imediato a origem da soja dos países vizinhos será importante, especificamente utilizando as hidrovias Paraguai-Paraná e Alto Paraná.

Tabela Nº 4

Balanço líquido de “água virtual” na produção argentina de soja durante os últimos cinco anos (em bilhões de metros cúbicos).

Cultivo de soja20002001200220032004
Água Virtual Importada Bruta0,00750,00800,00970,00950,0094
Água virtual bruta exportada29,8633,3338,6835,0842,55
Balanço de água virtual líquido– 29,85– 33,32– 38.67– 35,07– 42,54

Fonte: self made.

Nos próximos anos (próximos cinco), as estimativas de soja importada pela Argentina, por meio da Hidrovia Paraguai Paraná, serão importantes. Embora até agora os principais volumes venham do Paraguai e em menor medida da Bolívia (que deriva sua produção dos países do Pacto Andino), estima-se que nos próximos anos, a cifra que estará entrando por este corredor estará atingindo 5.000.000 toneladas, a serem processadas nas britagens da beira do rio Paraná. Por outro lado, as importações de água virtual mudariam, não substancialmente, mas chegarão a 5.000 milhões de metros cúbicos.

Exportação de Água Virtual nos Pampas

No caso da soja, por exemplo, uma média de fontes cita eficiências no uso de água entre 5 e 11 kg por 10 m3 (Doorenbos e Pruitt, 1977, Andriani e Bodrero, 1995, Dardanelli et al., 1991). Índices semelhantes podem ser atribuídos ao girassol ou ao trigo. O milho, devido ao seu metabolismo C4, consegue produzir entre 10 e 24 kg de grãos com os mesmos 10 m3.

Existem vários fatores que, no caso da soja argentina, é importante levar em consideração. A primeira é que nem toda a soja produzida consome o mesmo volume de água, situação que é então ajustada por unidade de peso produzida, embora existam diferenças entre a demanda de água da soja de primeira e segunda classe. A segunda é que, de um modo geral, na região pampeana, o déficit hídrico que pode eventualmente surgir não é crítico para a produção, embora em algumas situações possa limitar o rendimento potencial da cultura. Durante a década de 1990, um bem capital que muitos produtores incorporaram na região foi a irrigação.

Da mesma forma, embora mais de 70% da soja do país venha das três províncias do Pampa, é importante considerar a entrada em produção, especialmente das províncias extra-Pampas, que muitas estão localizadas em áreas marginais para a agricultura de sequeiro. Tendo em conta os valores médios e as indicações anteriores, a soja argentina, para cada quintal produzido, necessita de consumir cerca de 111 metros cúbicos de água [5].

Na Campanha 2004/2005, de 38.300.000 toneladas, a Argentina exportou gratuitamente mais de 42.500 milhões de metros cúbicos de água (Gráfico Nº 1). As três províncias de Pampa exportaram 28.190 milhões de metros cúbicos. Poderíamos nos perguntar: teríamos produzido e exportado esses volumes se não tivéssemos um recurso tão desvalorizado em nossas exportações até agora, como a água? Percebemos adequadamente a importância do recurso nesse sentido? Consideramos os efeitos da a intensificação da agricultura tanto em nosso Pampa Úmido, como no Pampa Semiárido e ainda mais nas ecorregiões marginais que já estão produzindo soja para exportação? Para quais mercados (países) vai a soja argentina? Esses países podem produzir soja sob nas mesmas condições? de água suficiente ou incorrer em custos para esta produção?

Gráfico Nº 1. Consumo aparente de água contida nas exportações da cultura da soja na Argentina no período 1970/71 a 2004/2005.

Metros cúbicos (m3).


Fonte: Pengue, 2006.

A cifra representa quase três vezes as importações líquidas anuais de água de grãos de países como China, Indonésia, Espanha ou Egito (Hoekstra e Hung, 2002), destinos das exportações argentinas. Outros países fizeram da irrigação e da intensificação do uso de lavouras cobertas ou da irrigação intensiva um fator de uso produtivo.

Mas esses países contam a água (se for irrigação) em suas equações econômicas.

O volume que estamos propondo apenas para as exportações argentinas de soja representa 20 vezes o volume de água disponível para países como Israel.

Para A. Allan (1999), a situação de déficit hídrico nos países do Norte da África e Oriente Médio incorporou importações líquidas de recursos hídricos desde a década de 1970, e isso pode ser basicamente devido ao alto custo do recurso em seus territórios. e a escassez que ainda não se manifestou na nossa, somada aos possíveis conflitos que, segundo suas avaliações, estão começando a ocorrer por conta do uso da água.

China, agronegócio e soja argentina.

Para muitos argentinos, a China se tornou "Meca" para a colocação de produtos do agronegócio. Tanto o setor privado quanto o oficial prometem investimentos relacionados à logística e à produção agroindustrial, apontando para um forte aumento nas exportações de nossos grãos para este destino, que recebe cerca de 70% dos embarques de soja argentina, incluindo grãos, óleos e pelotas.

O que realmente preocupa os estrategistas e planejadores chineses é sua relativa escassez de água e segurança alimentar (Liu e Yang, 2003), com a agricultura se tornando uma alta prioridade para aquele país (Agenda 21 da China, 1994).

A China tem atualmente 1,2 bilhão de pessoas e apenas 0,06 hectares per capita de terras aráveis. Ao longo das próximas duas décadas, a população chinesa é estimada em mais de 1,5 bilhão de pessoas, então a terra agrícola média será reduzida para 0,025 hectares por pessoa. É claro que, para a China, a situação da segurança alimentar se apresenta como uma questão de prioridade nacional. O desafio produtivo é ainda mais importante para a área onde a China concentra quase 60% de sua população, que é o sul do país e o rio Yangtze (Davis, 2003). Essa área de alta demanda alimentar tem 20% das terras agricultáveis, e as opções produtivas também se limitam às existentes, altamente trabalhadas e com uma ocupação crescente de espaços de produção industrial e urbanizações. Em direção ao sul do país, há boa disponibilidade de água, mas faltam nutrientes. No norte, ocorre o contrário, limitando tanto os solos degradados como os não, por não possuírem um abastecimento adequado de água (Wittwer et al, 1987).

A região sul, após milênios de trabalho, apresenta deficiências significativas nos principais nutrientes como N, P, K, Ca, Mg, S, Zn, B, Cu e Mo (Lu et al., 1992). O aumento dos fertilizantes minerais está gerando problemas importantes de acidificação do solo e oxidação da matéria orgânica (Yan, 1998).

Farinhas de proteína de soja são exportadas para o gigante asiático para alimentar porcos e peixes, especialmente localizados no sul do país, para então suprir a demanda da crescente população urbana chinesa.

Tem o problema de aumentar os custos de produção da soja, dada a forte demanda por fertilizantes minerais que são importados, caros e marginalmente eficazes quando imobilizados no substrato.

O outro recurso que a China limitou severamente é a água. O manejo da irrigação para a produção de alimentos é um dos principais destinos, mas seus custos são igualmente elevados.

Mais uma vez, a distribuição da água é totalmente desigual, enquanto o sul está inundado, o norte seca (Han, 1987).

A China comprará globalmente cerca de 16 a 18 milhões de toneladas de soja em 2006, o mesmo ou mais do que produz, o que representa uma saída de divisas da ordem de 3,5 bilhões de dólares, em valores correntes.

A China consome 23% do óleo de soja e 16% do farelo de soja mundial, importando atualmente 34% da soja que circula no mundo. Como já disse, é o principal destino dos grãos argentinos.

Fá-lo por se tratar de uma economia em expansão e cuja população, à medida que aumenta a sua renda, se volta para as proteínas animais, que são produzidas a partir dos carboidratos e das proteínas vegetais, exportadas por países como a Argentina.

Mas também porque o que a China não tem é justamente água, além de estar mal distribuído e disponível em locais onde não é tão necessário para a produção (seu Sul, Mapa nº 2).


Mapa nº 2. Precipitação média na China

(relações com a população, solos e produção agrícola)

Fonte: modificado de Wittwer et al, 1987.

Embora seja o quinto lugar no ranking mundial de países em termos de volume de recursos hídricos, os 1,2 bilhão de habitantes que possui compõem o a disponibilidade de água per capita a coloca entre as últimas do planeta.

Hoje a China enfrenta o problema crescente de que sua indústria em expansão e uma população com maior acesso à renda demandem mais recursos hídricos, que necessariamente devem ser retirados da agricultura, principalmente na região norte do país, onde grande parte do trigo que existe é produzido. usa água de irrigação, a custos altíssimos.

Acontece que o país asiático se impôs, conquistou e superou, gerando 95% do consumo de trigo, milho e arroz. Mas essas safras são extremamente ineficientes no uso da água. A manutenção da produção de trigo no norte do país tem levado a reduções drásticas nos aqüíferos - que estavam contaminados com água salobra - e impactos ambientais negativos, que hoje começam a prejudicar seu sistema produtivo e alimentar.

A esse respeito, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgou em março de 2005 um relatório denominado "Reformas da política de recursos hídricos da China" onde afirma que haverá mudanças no perfil da produção agrícola do país asiático, ” desde lavouras extensivas, com alta demanda hídrica, até lavouras intensivas, com alta demanda de mão de obra - uma vantagem comparativa da China - e com a viabilidade de aplicação de tecnologias de conservação de irrigação, com viabilidade econômica. Eles vão importar o resto ”.

Quando a China importa seus 18 milhões de toneladas de soja, entra "virtualmente" nos 20 bilhões de metros cúbicos de água que levou para produzi-los.

A demanda por soja na China é um dos fatores mais marcantes, crescendo continuamente em relação aos 2,9 milhões de toneladas importadas há uma década (1995). Essa mudança sustentada se deve às transformações dietéticas (importam proteínas vegetais para produzir proteínas animais) e ao crescimento de sua população. Embora importem mais soja, sua própria produção de milho aumenta significativa e permanentemente.

En el caso de Argentina, solamente teniendo en cuenta las exportaciones de granos de soja, que son los que China más demanda desde el país (al castigar con barreras paraarancelarias o aranceles altos, las importaciones de aceites y granos) estamos exportando en promedio, agua virtual por un volumen de 5.000 millones de metros cúbicos anuales.

Los agricultores argentinos están haciendo uso de otra de las ventajas comparativas disponibles en el país, como el agua, que tampoco en este es ilimitada, pero se maneja como tal. China esta apelando a una ventaja competitiva, estratégica, al utilizar los precios globales para comprar en el exterior y producir cultivos más rendidores en agua como el maíz, ocupando para obtener la soja que sigue necesitando para su producción de carne de cerdo y peces, el espacio territorial y los recursos de Argentina, vía precios.

El incremento del comercio global de agua virtual implica cambios drásticos en los patrones de producción agrícola de los países y que tiene que ser examinado en las cuestiones de políticas de seguridad y soberanía alimentaria y formas sostenibles en el uso de los recursos hídricos.

Este comercio mundial no deja de soslayar, para el caso argentino, un incremento de la demanda por soja de parte de países importadores como China seguido por la Unión Europea. Todos estos, países faltos de agua y por ende, de escaso potencial productivo para alcanzar los niveles de producción exigidos hoy día en la Argentina.

La sobreexplotación y subvaluacion de recursos como los nutrientes exportados (Pengue, 2005,2006) y ahora la de agua virtual no reconocida aun por los traders compradores, amerita identificar si este modelo de crecimiento sesgado hacia uno o dos cultivos para Argentina (soja y maíz), no pone por un lado en peligro la estabilidad estructural agropecuaria y por el otro la estabilidad ambiental y la seguridad alimentaria nacional en el mediano plazo.

Las agendas ambientales de Argentina, deberían incluir en sus cuentas nacionales la información referida al comercio de agua virtual (WWC, 2003).

El caso de Argentina, que se esta convirtiendo en un exportador neto de pocos productos como la soja, fuerte demandante de agua, indicaría que el indicador debería ser considerado. Especialmente, cuando todos los guarismos muestran una demanda siempre en aumento. El crecimiento de las plantas de crushing agrega un factor adicional de consumo, utilización y disponibilidad a gratuidad del recurso.

La situación histórica que en sus primeros tiempos tuvieron Las Pampas, en un ámbito de alta resiliencia, hoy en día ha cambiado. Los disturbios y transformaciones ocasionadas por la incorporación de ciertas tecnologías y nuevos procesos económicos globales, han sacado del sistema a una gran cantidad de recursos que se explotan hasta su agotamiento y luego, se pretende se restituyan por la vía de la reposición artificial.

Si con los granos fertilizados se puede seguir adelante un tiempo más; en el caso del agua, la limitante no será tan sencillamente resuelta y desde el vamos, estos costos, no solo para su reconocimiento sino para poner un freno y orden a un sistema de consumo irracional, deberían ser seriamente considerados, ayudando así a revisar más holísticamente los riesgos ambientales a la estabilidad de países como Argentina.

Nuevamente la percepción por la problemática y el uso del indicador no pasan meramente por su cálculo y el guarismo obtenido (de por sí, alarmante) sino que, la preocupación manifiesta, es por la aparición confirmada de un nuevo conflicto ecológico distributivo que tiene al agua de los países sudamericanos en su centro, pero que aún como sucede con la Argentina, se subvalúa o considera pobremente. La deuda por nutrientes, se refuerza con esta deuda por agua virtual que no estamos evaluando aún pero que nos enfrenta a otro problema, al ocuparse no sólo espacio territorial, sino recursos acuíferos vitales para la vida y estabilidad ambiental mediata en la Argentina. La huella hídrica de China sobre Argentina es un guarismo indicador de la intensidad relativa del uso del recurso, y que puede ser una medida de ajuste al incorporarse la externalidad en las grandes transacciones que los traders cerealeros hoy día obvian por completo.

Walter Alberto Pengue
GEPAMA FADU UBA

  • Para bajar completo el libro “Agricultura industrial y transnacionalización en América Latina. Pengue (2005) en formato pdf pulse aquí

    Libro Ing Walter Pengue Agricultura Industrial

Bibliografía

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Notas

[1] Las estimaciones hablan de una demanda posible de granos desde estos tres países de hasta 5.000.000 de toneladas en los próximos años. Muy posiblemente, los principales volúmenes provengan del Paraguay, luego Bolivia y por último el Brasil, que actualmente sigue teniendo costos más altos, salvo para Mato Grosso do Sul, de donde podrían estar bajando alrededor de 500.000 toneladas. No obstante, los ingresos desde el Brasil pueden seguir creciendo, al imposibilitarse la salida de soja transgenica por el puerto de Paranagua en el Estado de Paraná, que decidió la prohibición plena de producción, transporte y comercialización de este producto, aprovechando nichos comerciales que le demandan soja convencional.

[2] Los costos de crushing son: En Argentina, u$s 4 a 5, en Brasil, de u$s 12 a 15 y en EE.UU., u$s 10,.- por tonelada. El crushing de una tonelada de soja, rinde alrededor de 177 Kg.de aceite y 790 Kg. de harina con una merma de alrededor de 33 Kg.

[3] La presión por el dragado de la Hidrovia Paraguay Paraná seguirá creciendo, dado que las agroindustrias argentinas presentan una capacidad de transformación alta y costos mas bajos, pudiendo “llenar” barcos superiores a tonelajes de mas de 62.000 (mayores a los Panamax). Estos barcos preferirían ingresar también y cargar en Argentina mientras que por otro lado, estos transportes mas modernos presentan inconvenientes en el paso por el Canal de Panamá que soporta menos carga y por tanto deben pasar con una carga de menos 10.000 toneladas por unidad, lo que acrecienta sus costos.

[4] Se esta produciendo una fuerte transformación de la industria molturadora china que esta reemplazando sus obsoletas plantas de transformación por otras mucho mas modernas (Sarjanovic, 2006).

[5] Para nuestra Región, consideraré entonces que por cada 9 kilogramos de soja producida necesitamos 10 metros cúbicos de agua.


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Comentários:

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