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Impacto da variabilidade climática na malária

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Por L. Delgado, K. Córdova, A. J. Rodríguez

Na Venezuela, o ressurgimento de algumas doenças pode estar associado a certos fenômenos climáticos (menino, menina, etc.) que se manifestam em algumas regiões do país com maior incidência de malária, como vem ocorrendo no estado de Sucre ( Delgado et al, 2003).

Análise recente do impacto da variabilidade climática sobre a malária na Venezuela

A variabilidade climática pode afetar a saúde pública venezuelana de diferentes maneiras, uma das quais é produzida pela alteração dos padrões de precipitação, bem como dos padrões de temperatura e outros elementos climáticos, o que se traduz em possíveis aumentos de certas doenças infecciosas, particularmente metaxênicas.

Na Venezuela, o ressurgimento de algumas dessas doenças pode estar associado a certos fenômenos climáticos (Niño, Niña, etc.) que se manifestam em algumas regiões do país com maior incidência de malária, como vem ocorrendo no Estado de Sucre (Delgado et al, 2003).

Os padrões epidemiológicos de apresentação da malária na Venezuela são devidos a múltiplos fatores, tais como:
- Suscetibilidade do hospedeiro
- Status imunológico
- Aspectos sócio-culturais e econômicos,
- O vetor e os fatores ambientais ligados ao seu ciclo de vida e à sua ecologia.
- Variabilidade climática.

Figura 1. Incidência anual de malária na Venezuela e sua relação com os anos do fenômeno ENOS, 1951 - 2001 (Delgado et al, 2004).


A Figura 1 mostra como os dois períodos de maior incidência de malária na Venezuela, para o período 1951 - 2001, podem estar associados, entre outros fatores, à variabilidade climática observada. Com efeito, o pico da incidência da malária em 1971 coincide com um ano Niña forte, que na Venezuela está associado a uma intensificação das chuvas em detrimento da frequência das chuvas no segundo semestre do ano, enquanto os dois anos anteriores foram relativamente mais secos (1969, El Niño forte e 1970 Neutro).

Por outro lado, a epidemia registrada entre 1988-1991, que ocorreu principalmente em Bolívar, também pode estar relacionada às mudanças climáticas. Os anos de 1986 e 1987 corresponderam ao fenômeno El Niño, fraco e forte, respectivamente, após o qual ocorreu a mudança para La Niña, fraco em 1988 e moderado em 1989 e com um El Niño fraco em 1990.

Como se sabe, o Estado de Sucre foi o primeiro estado com incidência de malária em algumas ocasiões, permanecendo sempre entre os 5 primeiros estados com maior IFA.

Fazendo uma análise da epidemiologia da doença e sua relação com a variabilidade climática no Estado de Sucre nos últimos 15 anos (1986-2000), foram encontradas associações e correlações entre casos de malária e alternância dos fenômenos Niño e Niña ( Figura 2).

Figura 2. Incidência trimestral da malária em Sucre e sua relação com os anos do fenômeno ENOS, 1986 - 2000 (Delgado et al, 2004).


Para o período de 1986 a 2000, 64.803 casos de malária foram notificados no estado de Sucre (média anual de 1.117 ± 951 [± DP]) com cinco picos relevantes:
- 1988: 1.512 casos
- 1990: 2.071 casos
- 1991: 4.165 casos
- 1997: 3.513 casos
- 2000: 5.011 casos.

Correlações significativas (r2> 0,50, P <0,05) foram encontradas entre o aumento dos casos de malária e os fenômenos La Niña (definidos como períodos predominantemente frios e chuvosos), para determinados anos do período estudado (Figuras 3 e 6). Aqueles anos com correlação não significativa podem ter outros fatores associados mais importantes que o climático (Figuras 4, 5 e 7).

Figura 3. Incidência (Casos) de Malária em Sucre e sua relação com os anos do fenômeno ENSO, 1986-1988 (Trimestres) (Delgado et al, 2004).


Figura 4. Incidência (Casos) de Malária em Sucre e sua relação com os anos do fenômeno ENOS, 1988 - 1989 (Trimestres) (Delgado et al, 2004).


Figura 5. Incidência (casos) de malária em Sucre e sua relação com os anos do fenômeno ENOS, 1990 - 1993 (trimestres) (Delgado et al, 2004).


Figura 6. Incidência (casos) de malária em Sucre e sua relação com os anos do fenômeno ENOS, 1994 - 1996 (trimestres) (Delgado et al, 2004).


Figura 7. Incidência (Casos) de Malária em Sucre e sua relação com os anos do fenômeno ENOS, 1998 - 2000 (Trimestres) (Delgado et al, 2004).


O fenômeno La Niña na Venezuela, segundo registros climáticos locais e estudos da NOAA, está associado a uma maior intensidade de chuvas nas regiões Centro-Norte do país. O aumento dessas precipitações também está relacionado a períodos de aumento no número de casos de malária após essas elevações (Figura 8).

As mudanças climáticas certamente impactam a biologia e ecologia do vetor, o que é explicado em parte pelo encurtamento do ciclo de vida, devido à temperatura, precipitação e umidade (fase aquática), bem como uma melhor expectativa de vida (fase terrestre) (adulto) . Com isso, aumenta a população de vetores, o que, juntamente com outros fatores biológicos e sociais, predispõe ao aumento do número de casos de malária, o que é relatado tanto na literatura quanto nos estudos realizados no Estado.

Tudo isso mostra a característica multifatorial da malária e a complexidade desse sistema ecológico, onde o clima é um fator importante a se considerar e estudar.

Figura 8. Relação entre a dinâmica da malária no estado de Sucre, Venezuela e variações climáticas, 1986 - 2000 (trimestres) (Delgado et al, 2004).


Lenda:
Linha superior: Variações climáticas ENSO.
Linha vermelha: Incidência de casos de malária por trimestres / ano
Linha azul: Precipitação por trimestre / ano
Setas amarelas: Possíveis conexões entre a incidência da malária e a precipitação.

* Projeto Clima e Saúde, CHIEX-Venezuela

REFERÊNCIAS

Cordova. Sim, Karenia. (2002) Impactos socioambientais da variabilidade climática na Venezuela.

Delgado L, Córdova K., Rodríguez AJ. (2003). Variabilidade Climática e Saúde na Venezuela: Estudo da dinâmica da malária no estado de Sucre. In: V Congresso Venezuelano de Ecologia, Isla de Margarita, Venezuela, novembro; pp. 71
Delgado L, Córdova K., Rodríguez AJ. (2004). Impacto epidemiológico da variação climática na dinâmica da malária em uma região nordeste da Venezuela. International Journal of Infectious Diseases 2004; 8 (Suplemento 1): S23-S24.


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Comentários:

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    Essa é uma boa ideia.

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    Zer bom eu coloquei 5 pontos.

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