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O espaço como construção sociocultural

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Abordagem cognitiva do uso do espaço no Páramo de Las Hermosas, cordilheira central da Colômbia


O espaço, na perspectiva particular desta apresentação, é considerado como o resultado dos processos socioculturais que nele se realizam durante um determinado momento do tempo. Em um sentido ideal, espaço refere-se à convergência de discursos mentais e categorias que atribuem certas qualidades às condições objetivas do mundo físico; já no sentido instrumental, o espaço é considerado mais como uma condição circunstancial construída pelos grupos humanos em relação ao seu uso, como um ponto de referência ao qual se atribuem representar o mundo e a si mesmos. No deserto de "Las Hermosas" convergem um conjunto de percepções e representações socioculturais emitidas por vários grupos humanos: camponeses, burocracias, grupos armados, ambientalistas, etc., que geram relações sociais no espaço. O artigo tenta oferecer uma abordagem do espaço na perspectiva do antropólogo e está dividido em três seções: 1) Algumas considerações de natureza teórica são levantadas sobre como o referente espacial constitui um importante elemento de análise para entender a cultura como um fenômeno localizado , 2) É apresentada uma abordagem do espaço onde a pesquisa está sendo realizada e as diferentes escalas de análise que têm sido utilizadas para delimitá-la como um eixo onde convergem várias categorias socioculturalmente construídas, 3) Por fim, algumas considerações são apresentadas como uma reflexão sobre a análise espacial e a identificação de problemas nas estratégias de pesquisa antropológica. Por fim, é necessário esclarecer que a análise aqui apresentada constitui apenas um avanço do trabalho de campo que está sendo realizado no curso de antropologia e, portanto, os resultados têm caráter parcial.

1. O Contexto Teórico e a relevância da Análise Espacial na Antropologia.

Abordar os conceitos de espaço e ambiente, do ponto de vista teórico e prático, implicaria retomar a mesma história do desenvolvimento da disciplina antropológica. Basta citar a longa jornada que a partir do final do século XIX iniciaram os praticantes do determinismo geográfico que, apoiados na teoria do evolucionismo unilinear, proclamaram o impacto decisivo do ambiente físico na cultura humana. Posteriormente, o Difusionismo e sua variante mais proeminente, o particularismo histórico, os estudos das Áreas Culturais, a Ecologia Cultural e finalmente as perspectivas contemporâneas da Adaptação Humana, constituem algumas das correntes que desde a antropologia têm considerado a variável ambiental ou espacial como essencial para a análise do ser humano. cultura.

Porém, a importância da dimensão espacial em um mundo onde o tempo já perdeu seu sentido pela velocidade com que as distâncias se encurtam, onde apenas a noção de lugar e mudança de cenário se mantém, tem um caráter diferente do que tinha em tempos anteriores. : o que poderíamos dizer do espaço que hoje se constrói em torno da televisão, do espaço do supermercado, ou do espaço sob as pontes nas cidades onde para muitos a noção de espaço público e privado é apenas uma conjectura ou uma metáfora. Da mesma forma, encontramos diferenças na maneira como os mesmos espaços são interpretados e enunciados por diferentes quadros conceituais: são os "mapas mentais" que os grupos sociais constroem e orientam seus destinos. O mundo "pós-moderno" foi bem identificado com o espaço, assim como o "Moderno" o fez por sua vez ao longo do tempo. Talvez seja esse contraste que os espaços oferecem e tudo o que neles se passa como única coisa que os molda, a consciência que temos de “estar” no mundo. Sartre (1993), diferencia duas condições do espaço em relação ao ser: de um lado “meu lugar”, definido como “o lugar onde 'habito' (meu 'país', com seu solo, seu clima, sua riqueza, seu configurações hidrográficas e orográficas), mas também, de forma mais simples, a disposição e a ordem dos objetos que hoje me aparecem ..., e que me indicam como a própria razão de sua ordem ”; e, por outro lado, "meu entorno" que ao contrário de "lugar que ocupo" refere-se às "coisas-utensílios que me rodeiam, com seus próprios coeficientes de adversidade ou utensílio" fundados em relação ao meu lugar (514, 529). Assim, poderíamos dizer que os ambientes não existem por si mesmos, mas obedecem às circunstâncias em que se inserem e aos locais construídos socioculturalmente como referências de sua razão de ser. A troca entre os seres humanos em todos os seus aspectos é uma questão de convergência de sítios, é um fato localizado mediado por espaços e ambientes: neste momento neste lugar enquanto falo ou enquanto você lê, o espaço é o mediador que justifica o que eu fazer e na mesma medida o que eu represento para você e o que eu sou para mim mesmo.

Braudel (1997), considera as "civilizações" como espaços. Como ele diz, “É sempre possível localizar civilizações em um mapa, independente de seu tamanho, tanto civilizações ricas quanto pobres. Um aspecto essencial de sua realidade depende das posses ou vantagens determinadas por seu ambiente geográfico” (23). Segundo Braudel, a ideia de "civilização" nos remete a espaços, terras, relevos, climas, vegetação, espécies animais, etc., e tudo o que essas condições implicam para o Homem. O espaço constitui o palco onde ocorrem as expressões humanas e, para Braudel, "ele condiciona em parte seu desenvolvimento, explica suas particularidades; os homens passam, mas o ambiente permanece relativamente igual a si mesmo" (23).

Em outra perspectiva, Wallerstein (1997) propõe considerar a variável “Espaço de Tempo” como uma “construção social” relativa, que deve ser considerada como o centro de qualquer tentativa de obtenção de conhecimento sobre a sociedade. Como ele diz: "Ninguém é capaz de mudar o tempo ou o espaço." No entanto, ele considera que o significado, as interpretações, o uso e a percepção que temos em relação ao tempo e ao espaço “não são constantes” (3).

É claro que, no caso das disciplinas sociais, não é possível referir-se a fenômenos socioculturais sem localizá-los adequadamente no espaço / tempo em que ocorrem. Da mesma forma, um determinado referente espacial adquire sentido e significação apenas em virtude de sua conceituação humana, ou seja, o espaço adquire uma conotação de "fato social" apenas na medida em que é categorizado e definido socioculturalmente (Molano, 1995). O conceito emitido num dado espaço não se dá em termos absolutos, pelo contrário, é dinâmico, muda tanto pela passagem do tempo "natural" como pelos ideais humanos que medeiam a sua definição e utilização, implicando neste sentido uma obrigação -ser ideal relacionado a uma noção social de como deve ser usado, os meios de sobrevivência e a justificativa de tudo isso com a ideologia de categorias culturais concretas.

Para a antropologia, o estudo dos grupos humanos seria algo impossível sem a adequada determinação do tempo e do espaço onde estão localizados. Acima do conceito abstrato de Cultura que se constrói a partir da disciplina para abordar um universo que existe e o torna compreensível, as realidades que observamos e sobre as quais se teoriza existem tanto pelo que o ser humano faz instrumentalmente, quanto porque do que quem pensa sobre o que faz e até sobre si mesmo. A cultura, neste sentido, é uma "abstração localizada", é a convergência de circunstâncias físicas e ideais abstratos em um dado intervalo de tempo e espaço.

Da antropologia, o interesse pelo estudo das relações entre o homem e o espaço físico onde se encontra não é recente. Particularmente para a disciplina antropológica, a necessidade de estudar grupos sociais no contexto onde eles produzem e expressam sua cultura é reconhecida uma vez que seus praticantes serão concedidos "modernos", e fundamentalmente porque o Particularismo Histórico contribuiu para o desenvolvimento da disciplina, a consciência de a necessidade de estudar grupos humanos como resultado de sua própria história e contexto, e não dentro das grandes generalizações e categorias abstratas propostas pelo evolucionismo unilinear.

No passado, em particular no final do século XIX, duas tendências dentro da disciplina sob a influência teórica do evolucionismo, centraram-se em considerar a variável espacial como elemento decisivo para a explicação do desenvolvimento da cultura humana, propondo grandes generalizações sobre a escala de tempo linear: determinismo geográfico, por um lado, proclamou a influência decisiva do ambiente geográfico no desenvolvimento cultural; enquanto o difusionismo tentou explicar a distribuição de características culturais no espaço e determinar as possíveis relações entre culturas geograficamente distantes. Ambas as perspectivas reificaram a questão ao polarizar o problema espacial de uma forma radical: ou o ambiente era completamente determinante nos grupos humanos, ou era simplesmente um elemento passivo no qual a cultura se desenvolveu e se distribuiu de forma "arbitrária".

Já no início do século XX e a partir do trabalho de estudiosos como Franz Boas -que começou como geógrafo-, surgiram novas indagações e indagações sobre o papel “decisivo” do meio ambiente na cultura, a partir de determinantes agente a ser considerado um elemento importante na medida em que limita ou favorece as atividades culturais.
Boas [1911] (1947), faz menção à tendência dos estudiosos da "antropogeografia" da época em explicar "todo desenvolvimento cultural com base nas condições geográficas ambientais" (186), considerando esse fato como algo "inadmissível" . Foram as observações de Boas em seu extenso trabalho de campo que o levaram a identificar um problema que muda completamente a percepção das relações entre o Homem e o Meio Ambiente, bem como a tendência a fazer grandes generalizações: Boas observa que "muitas vezes as formas culturais das pessoas vivem no mesmo tipo de ambiente apresentam diferenças marcantes ... ”(185). Em outras palavras, se o ambiente geográfico realmente determina como um grupo social se adapta, como diferentes adaptações socioculturais podem convergir em referentes espaciais semelhantes? O próprio Boas sugere uma ideia a esse respeito: "... não importa quão grande seja a influência que atribuímos ao meio ambiente, essa influência pode se tornar ativa apenas quando é exercida sobre a mentalidade, de modo que as características da mente devem intervir no formas resultantes de atividade social "(186). Vistas dessa maneira, as condições "objetivas" do ambiente físico afetam a cultura apenas na medida em que são conhecidas, idealizadas. Nada está implícito nas condições físicas do espaço que nos diga como seus recursos devem ou não ser usados ​​de forma "mais adequada". A oferta ambiental não existe a priori embora os recursos existam, a questão “recursos para quê?” Uma construção relaciona-se com a perspectiva sociocultural particular e as circunstâncias espaço-temporais que convergem num dado momento. A questão deve ser: recursos para quem?

Por outro lado e a partir de uma abordagem mais geral, Lowie [1937] (1946) considera a geografia como uma ciência que tem a ver "inevitavelmente e constantemente" com o estudo da cultura e que deve ser levada em conta para se alcançar "um conhecimento mais claro da maneira como os fenômenos culturais se entrelaçam com os fenômenos de outra natureza ”(311).

Segundo Lowie, "a geografia fornece ao pesquisador da cultura uma técnica e certos resultados definitivos. Os fatos que ele estuda variam no espaço, portanto sua primeira e mais óbvia tarefa é determinar suas relações espaciais" (312). Assim, a análise da distribuição espacial de um dado elemento sociocultural permite inicialmente entender o contexto de um problema inicial, mas não resolvê-lo completamente; ao contrário, pode evidenciar uma série de "problemas históricos" pela maneira como os fenômenos identificados como "problema" se localizam na escala do tempo. Segundo Lowie, "nem é preciso dizer que o cartógrafo que quer ser sábio deve estar atento às diferenças cronológicas indicadas por suas fontes" (313). Da mesma forma, para o etnógrafo que tenta localizar problemas de pesquisa pertinentes à cultura, é necessário considerar que as condições que observa e toma nota para descrever e analisar um dado universo social, não são gratuitas ou arbitrárias, mas sim interconectado com eventos que ocorreram no espaço e mudando ao longo do tempo.

Em síntese, podemos dizer que os interesses da antropologia convergem com a geografia na necessidade de compreender e analisar os aspectos socioculturais dos grupos humanos como fatos localizados no espaço. A ênfase no "local" que atualmente observamos em obras de vários tipos, talvez seja uma consequência lógica do desenvolvimento das disciplinas em relação às circunstâncias colocadas pela compreensão do mundo atual. A geografia, neste ponto, desempenha um papel vital na análise da construção de espaços (locais e ambientes) que existem em torno de grupos humanos. Não é possível ignorar que qualquer espaço pode ser descrito se você tiver o quadro conceitual de referência para fazê-lo, no entanto, como esse espaço "é" em relação à forma como é utilizado, percebido e significado, só pode ser abordado a partir de a perspectiva de quem vive, usa e transforma. Desse modo, é necessário reconhecer que as condições objetivas do espaço quando entram no campo linguístico não existem mais a priori, pelo contrário, representam categorias abstratas da ordem cultural que se cristalizam por sua vez em acontecimentos reais. Talvez seja o momento de propor uma “geografia dos mapas socioculturais” que considere tanto as práticas locais quanto os saberes na construção dos espaços.

2. Os problemas da escala e da convergência das representações temporais espaciais na alta montanha equatorial.

De acordo com a perspectiva a partir da qual colocamos os problemas de pesquisa, somos forçados a optar por diferentes escalas de análise e abordagens de definição que sejam proporcionais tanto aos objetivos propostos quanto à forma como articulamos o problema teórico com o mundo fenomenológico. - neste caso, uma referência espacial - onde localizamos nosso universo de estudo. Segundo Ghul (1976), “A análise, compreensão e descrição dos fenômenos que ocorrem em um determinado território requerem uma divisão ordenada da respectiva área em unidades mais ou menos homogêneas. O grau de subdivisão e os critérios A homogeneidade dos a unidade espacial depende da escala de detalhamento em que a análise será realizada, da natureza dos fenômenos contemplados e do ponto de vista adotado para o estudo ”(35). Desse modo, o interesse em investigar os comportamentos socioculturalmente significativos de um grupo social localizado em um determinado espaço, a partir do conjunto de relações que seus membros estabelecem com os elementos de seu meio físico circundante, nos induz a pensar sobre o papel do geografia e ecologia, bem como em disciplinas complementares para a análise de aspectos socioculturais como a distribuição espacial da população, uso do espaço, mudança nas condições físicas do espaço e organização social, análise cartográfica e a delimitação das unidades de análise, bem como argumentar o contexto mais amplo a partir do qual a vida social local se consolidou.
A questão básica do problema de pesquisa é a seguinte: Como diferentes representações socioculturais convergem no mesmo referente espacial empírico na forma de construções ideais (categorias mentais) e instrumentais (categorias de uso) em um dado intervalo de tempo? Partindo de uma condição lógica, entende-se que o espaço e suas condições "objetivas" não são percebidos da mesma forma por sujeitos socioculturalmente distintos. Nesse sentido, ao se tentar compreender o conjunto de relações existentes entre um determinado grupo social e o espaço onde vivem seus membros, é necessário considerar criticamente a forma como as disciplinas classificam essas relações em relação às categorias utilizadas pelas disciplinas. para delimitar seu espaço em seus próprios termos.

Como poderíamos abordar sistematicamente a dimensão espacial de um universo tão fisicamente e socioculturalmente "complexo" como a alta montanha nos Andes equatoriais úmidos? Talvez, se levarmos em conta os níveis de escala que usamos na definição dos problemas, bem como as fontes de onde obtemos as informações para argumentá-los, as representações que existem em torno dos espaços oferecem uma chave para a antropologia e o conhecimento das culturas como bem como pela mesma geografia na sua tentativa de conhecer os espaços.
Em um sentido amplo, dizer que a geografia colombiana é "complexa" e que os processos socioculturais que ocorrem nessa complexidade espacial são diversos parece algo que todos nós temos como certo. Porém, quando indagamos sobre como são os espaços em termos dos atores envolvidos em sua construção, a questão se complica, pois parece uma tarefa a ser cumprida.

No contexto nacional, a chamada “Região Andina” é considerada uma das cinco regiões “naturais” do país, o que na verdade representa mais uma abstração construída do ponto de vista institucional, sendo caracterizada por aspectos como alta densidade populacional, economicamente mais importante, urbano, "desenvolvido", com vias de comunicação que articulam o país no sentido Norte-Sul, determinadas condições biogeográficas, e em alguns casos naturalizadas ou no âmbito da política de "sustentáveis", etc., com o alguns dos ideais típicos da "nação" são ilustrados na tentativa de se definir por meio da homogeneização da diversidade. Assim, nesta categoria do espaço andino construído literalmente "de cima", não foram considerados os diversos contextos regionais a partir dos quais múltiplos espaços são construídos socioculturalmente localmente por seus habitantes.
Embora a Região Andina tenha sido classificada segundo suas diferentes zonas biogeográficas e mesmo socioeconômicas que nos dão a impressão de um incerto "mosaico" geocultural, a diversidade regional tem sido abordada mais do que em seus próprios termos, devido aos interesses particulares. de certas esferas regionais ou intelectuais que mediaram sua representação e conhecimento. A seguir, vamos ver como as altas montanhas são construídas de diferentes perspectivas e como estas podem corresponder a escalas que representam diferentes percepções da realidade geográfica e sociocultural em termos espaciais.

2.1 Escala regional: A Alta Montanha Equatorial.

No caso da "Região Alta Montanha Equatorial" na Colômbia, o espaço foi definido basicamente a partir de suas características físicas - naturais como altitude, temperatura, umidade relativa, ecologia, geomorfologia, etc., sob várias perspectivas da ordem científica, acadêmico e institucional, representando um ambiente estratégico que deve ser protegido e conservado devido a sua fundamental importância como fonte de água e recursos naturais para o país (Ver: Ospina e Tocancipá, 1999).

No outro extremo, as populações humanas que habitam e convergem em torno das altas montanhas têm características socioculturais tão heterogêneas de acordo com sua origem, uso do espaço, ideais, mercado a que se articulam, etc., que seria difícil classificar. eles dentro da mesma categoria homogênea como um produto do meio ambiente. Podemos falar de uma cultura de alta montanha?

Nesse sentido, são múltiplas as definições e categorias que podemos encontrar em relação à alta montanha equatorial e, em particular, ao páramo: daquele editado pelo dicionário, os representantes das ciências naturais e das disciplinas sociais, as burocracias, seus próprios habitantes e das regiões vizinhas. As diferenças cognitivas de acordo com os atores e interesses que convergem e criam representações em torno da alta montanha coincidem em um ponto comum acima das várias categorias de espaço que podem existir: a charneca é construída como um espaço "humano" a partir de categorias linguísticas que representam o "natural", o "bravo" e o "selvagem".

O páramo de forma particular e as altas montanhas em geral, tem representado ao longo do tempo um espaço de “fronteira natural” geográfica, um limite espacial que restringe o acesso entre os vales e para as terras baixas e mais quentes onde se instalam os grupos. Humanos permanentemente, algo que se atravessa, mas no qual não se permanece, é um espaço “político” que delimita territórios, um “não-lugar”. Nesse sentido, embora a alta montanha como referência espacial tenha sido considerada um "espaço transitório", de passagem ou uso periódico, por um longo período de tempo por populações "transumantes" ou grupos humanos (para usar o conceito de um geógrafo , Ghul, 1995), é claro que a atual situação das altas montanhas como espaço de habitação humana e uso econômico camponês, tem representado para as administrações regionais e os próprios ambientalistas uma "ameaça" para os "valiosos" recursos naturais gerados. ali por “natureza” como a água, vendo isso como um problema inclusive de segurança nacional que não considerou as condições locais dos grupos sociais diretamente relacionados ao problema.
A extensão real da região montanhosa da Colômbia é incerta, alguns cálculos falam de 2% do território nacional embora os critérios para sua definição - segundo alguns ecologistas - ainda sejam ambíguos devido às constantes mudanças geradas pela atividade humana e alterações na termos do ecossistema que ocorrem diariamente. Estima-se que o país tenha cerca de 70% dos mouros do mundo (ver Mapa 1). Neste sentido, mais do que uma figura estatística e abstracta, o espaço da alta montanha equatorial tem sido construído nas últimas décadas mais pelas dinâmicas sociais que convergem à sua volta, como um espaço "natural" único e estratégico pela sua diversidade e. importância regional como fonte de recursos hídricos contrastando com um espaço de uso e aproveitamento econômico tradicional. Do ponto de vista institucional, a zona de alta montanha tem sido considerada como algo “natural” que requer planos de gestão especiais para garantir a sua conservação. As populações locais, por sua vez, foram identificadas por suas práticas socioculturais que constroem um espaço humano útil a partir de ideais particulares, como o principal problema enfrentado pelas instituições para desenvolver seus objetivos de conservação. O pastoralismo, a agricultura e toda a rede de atividades associadas à sobrevivência (extração de madeira, queimadas etc.), em vez de serem abordados em seus próprios termos como fenômenos socioculturalmente significativos, foram "evidenciados" por seus efeitos como um elemento prejudicial. ambiente naturalizado.
À escala regional da alta montanha equatorial, ainda existem muitas lacunas óbvias a preencher em relação à forma como o espaço é construído instrumentalmente pelas suas populações locais, também na série de atores sociais que de uma forma ou de outra convergem nela. . Desse modo, e para os fins da apresentação, dois aspectos socioculturais básicos devem ser levados em consideração para entender como a construção do espaço para o caso da alta montanha equatorial sintetiza padrões cognitivos e interesses "políticos" específicos que articulam grupos sociais em torno o espaço físico: 1) por um lado, encontramos a convergência de um discurso institucional a partir de múltiplas perspectivas (científica, disciplinar, burocrática) que retoricamente e por "lei" constroem um espaço natural ideal que deve ser protegido e conservado, como um fonte de recursos recursos hídricos essenciais para a manutenção da "população nacional" bem como para garantir o "abastecimento ambiental como patrimônio dos colombianos e do mundo"; 2) e por outro lado, encontramos algumas populações locais "invisibilizadas" por uma questão de efeito talvez, cujas práticas tradicionais na construção de um espaço "útil" são mediadas por sua percepção particular de como ele deve ser utilizado transformando o “natural”, uma vez que o ideal é representado ou pelo paddock, no caso de grupos essencialmente pastoris, ou pela “cova” para cultivo de acordo com a dinâmica regional particular a que os grupos estão atribuídos no mercado. Ambas as perspectivas socioculturais convergem em torno de um problema comum a todos os seres humanos: como obter recursos do meio ambiente para sobreviver.

2.2 Escala departamental: Cordilheira Central entre Valle del Cauca e Tolima.

Os departamentos não são unidades homogêneas fisicamente ou socioculturalmente falando. Pelo contrário, existem espaços relativamente diferentes tanto em relação à sua topografia como às condições socioculturais da sua população. A cordilheira central da Colômbia, entre os departamentos de Valle del Cauca e Tolima, constitui uma fronteira geográfica que delimita territórios administrativos socioculturalmente distintos desde "A Linha" que divide as águas que desembocam no rio Cauca (vertente oeste) e no rio Magdalena ( encosta oriental). Em ambos os lados de La Línea, as populações que, embora sejam socioculturalmente diferentes por múltiplos fatores de natureza histórica, estão evidentemente interligadas pela toponímia, os padrões de povoamento, a economia, o parentesco e os freios transandinos que alguns casos ficaram lá, dando sentido ao espaço por um longo período de tempo.
As altas montanhas no contexto dos departamentos, e particularmente os espaços páramo, ocupam 4,9% da superfície departamental total no caso do Vale do Cauca, enquanto em Tolima ocupam 12,5% da superfície (Ghul, 1976, 192 ), contrastando fortemente com o espaço dos terrenos mais baixos, mais quentes e extensos, em alguns casos planos e com elevada intensidade de aproveitamento, como os vales geográficos do rio Cauca e do Magdalena e do Saldaña, onde se concentram os maior densidade populacional, estradas, capitais, o "bem-estar" da saúde média, cidades, etc., para cujos habitantes a montanha representa o extremo oposto da segurança da montonera e do cimento, é um ausente de suas idéias, que em muitos casos representa um "sinal de perigo", do desconhecido, do mais distante, do "natural" e do "selvagem" (ver Mapa 2). Ghul distingue 7 áreas culturais de acordo com os sistemas e a intensidade das comunicações, os dois extremos opostos são os seguintes: 1) “Regiões densamente povoadas, com um intenso sistema de tráfego baseado em automóveis, em consequência do seu desenvolvimento e situação económica e social "(131); aqui estão os vales interandinos e principalmente a cordilheira oriental. 2) Por outro lado, "As áreas montanhosas e os paramunas despovoados sem estradas constituem espacialmente as encostas exteriores das serras ... e as grandes alturas dos paramunas do país que estão acima do limite de altura para a vida humana (de acordo com Ghul 3500 msnm ) e onde apenas as rotas de trânsito seriam justificadas ou, se for o caso, para a exploração do subsolo "(131-132).

O Páramo de "Las Hermosas" está geopoliticamente localizado entre os dois Departamentos como área de reserva estadual com 125.000 Hectares dos quais 25.000 correspondem ao vale e 100.000 a Tolima no contexto do Sistema de Parques Nacionais que integra 45 áreas protegidas por lei com um especial categoria de gestão e vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Administrativamente, a área do Parque Nacional é uma unidade espacial à qual se articula uma burocracia que cumpre uma função tanto do ponto de vista retórico quanto prático. No entanto, em termos socioculturais, a população que vive no Parque e arredores difere significativamente de uma região para outra e mesmo de uma bacia para outra dentro da mesma região. A definição de Parque Natural Nacional como uma das categorias de área protegida emitida pelo estado é a seguinte: “área de extensão que permite sua autorregulação ecológica e cujos ecossistemas em geral não foram substancialmente alterados pela exploração ou ocupação humana e onde as áreas vegetal e animal, complexos geomorfológicos e manifestações históricas ou culturais tenham valor científico, educacional, estético e recreativo nacional e para a sua perpetuação estejam sujeitos a um regime de gestão adequado ”(Torrente e Acosta, 1996). Hasta aquí, solo mencionare este aspecto jurídico del área para ilustrar como una categoría es superpuesta literalmente sobre la población local desde 1977 cuando el poblamiento del área es un proceso iniciado desde comienzos de siglo XX.


Desde otro ángulo, y de acuerdo con las categorizaciones de biólogos y ecólogos, el medio geográfico por encima de 3000 m.s.n.m. en ambas vertientes a uno y otro lado de "La Línea" se integra como un mismo ecosistema de bosques alto-andinos y páramos con algunas variaciones relativas a aspectos como brillo solar anual, precipitaciones, etc., de carácter físico-natural. Desde una perspectiva antropológica en cambio, existen diferencias y semejanzas socioculturales adaptativas, significativas en cuanto a las formas de definir y construir el espacio con relación al uso. Las condiciones que los grupos sociales han provocado a ambos lados de La Línea, difieren sustancialmente en la misma medida que difieren las formas de poblamiento, las tradiciones con las que los grupos sociales se han adaptado al medio, las circunstancias regionales relativas a la dinámica de la población, la percepción que tienen los sujetos de sí mismos y su entorno y el mercado al cual se articulan.

Las carreteras por ejemplo, constituyen en el contexto departamental la mejor forma de ilustrar un elemento de continuidad espacial, de acceso a los espacios, de movimiento, de comunicación e intercambio entre los seres humanos. Tanto en la montaña del Valle del Cauca como del Tolima, es común encontrar las "Puntas" de las carreteras que suben hacia la cordillera central como espacios de referencia donde termina la "civilidad" y comienzan los caminos de herradura por los que se conducen a uno y otro lado de la línea los habitantes de las regiones más apartadas y distantes. En el Valle del Cauca, existen por lo menos cinco de estas puntas dirigidas en dirección al Tolima las cuales en algunas ocasiones alcanzan los 3000 m de altitud. En el Tolima en cambio, las puntas de las carreteras que se dirigen hacia el Valle, generalmente no alcanzan altitudes superiores a 1500 m de altitud con excepción de la que conduce de Herrera (Tolima) a Florida (Valle) en el extremo sur del departamento con una población fundamentalmente paisa y cafetera en el Tolima, e indígena Paez en el Valle, cuyo tramo de finalización es de tan solo siete kilómetros para cruzar la línea departamental. También deben considerarse puntas con una altitudes considerables como la de San José de las Hermosas y la de Roncesvalles al Norte del páramo de Las Hermosas Departamento del Tolima.

Fundamentalmente, la existencia de un espacio "naturalizado" como el Parque Nacional en medio de las Puntas de las carreteras, ha impedido y contenido legalmente las iniciativas regionales para que estas se conecten, ya que según se argumenta, los efectos de este tipo de obras en escenarios naturales similares han tenido consecuencias desastrosas para los ecosistemas al producirse una "Colonización Espontánea" mediada por el acceso que plantean las vías a las poblaciones aledañas.

La naturaleza política del "aislamiento" espacial existe sin embargo en un sentido distinto para ambas vertientes. Las condiciones que plantea para los habitantes de las tierras altas las circunstancias de las tierras más bajas donde se abastecen y con las cuales intercambian, determinan en un sentido amplio las dinámicas sociales, la velocidad del cambio y el ritmo de la vida en las altas montañas así como el punto de referencia con el cual se articulan las poblaciones locales a un contexto regional. Es común encontrar en las regiones de alta montaña más apartadas del Tolima, que la población se adscribe económicamente al Valle del Cauca donde intercambia mientras se sigue considerando políticamente Tolimense. Como un aspecto de carácter cognitivo, desde el Valle del Cauca se "entra" al Tolima, este es percibido como un espacio cerrado al que se ingresa pasando La Línea, y quizás por efectos de etnocentrismo cultural, para los campesinos de la alta montaña del Valle y aún los mismos Tolimenses que habitan allí, el espacio tolimense es considerado como un territorio donde abunda el "peligro" para el extraño, mitificado por historias de muerte y "violencia" donde las personas desaparecen simplemente o mueren de frío entre las montañas. A la inversa, los tolimenses "salen" al Valle tradicionalmente por constituir una ruta más corta y económica donde se efectúan cierto tipo de transacciones, o por que diversos factores de tipo bélico así lo determina.

2.3 Escala microregional: las unidades de estudio.

A escala microregional, es posible tipificar en espacios de alta montaña muchos elementos encontrados en el ámbito regional básicos para entender la dinámica de construcción del espacio como un conjunto. Sin embargo, existen diferencias y variaciones particulares en cuanto a las estrategias adaptativas relacionadas con la forma de definir el espacio como territorio, de acuerdo con el poblamiento y la procedencia de los grupos localizados contemporáneamente en la alta montaña, así como en aspectos de su estructura social, economía y poder, que imprimen a las poblaciones "locales" dinámicas particulares en su manera de relacionarse con su entorno y entre sí mismos.

El sector sur del Parque Nacional Natural "Las Hermosas", entre los Municipios de Palmira (Valle) y Rioblanco (Tolima) con 11.598 y 56.698 has. respectivamente en la jurisdicción del Ministerio del Medio Ambiente, constituye un espacio de convergencia de diversos actores sociales durante una escala de tiempo prolongada que se hace evidente por los caminos "prehispánicos" que comunican localidades a ambos lados de la cordillera y que aún las poblaciones actuales utilizan como medios de comunicación e intercambio (ver Mapa 3). Sin embargo, para el contexto del trabajo y en una escala temporal más corta, en la que nos interesa de manera fundamental conocer el proceso de construcción del espacio actual, es necesario considerar e identificar algunos de los aspectos socioculturales adaptativos más representativos de los actores sociales localizados en el espacio microregional de la muestra, para determinar la forma como se construye una relación particular entre la vida social y el entorno físico.

Para el caso de la alta montaña en las dos microregiones de estudio, Toche (valle) y La Reina (Tolima), encontramos aspectos de una sociedad fundamentalmente pastoralista adaptada a las condiciones físicas del medio ambiente. Los recursos que se obtienen del ganado (leche o queso), constituyen el producto que media el intercambio en un mercado regional lechero que converge económicamente en un mismo centro urbano: Palmira (Valle), y sobre el cual existe una estructura social heterogénea sobre la que gira toda una dinámica productiva de las relaciones sociales campesinas.

Para la población local de ambas microregiones, el "espacio natural" que tanto se estima y valora desde la mirada institucional como objeto de protección, constituye un "obstáculo" real para los ideales productivos campesinos que debe ser eliminado, transformado y aprovechado para garantizar su sobrevivencia. El páramo por su parte, ofrece pasturas para el ganado de manera natural siendo utilizado extensivamente para el pastoreo de las reses jóvenes en el momento del destete. En el pasado, el páramo fue un espacio de caza que era visitado periódicamente en épocas de intensificación debido a la abundancia de especies en bosques y entorno a las lagunas a las que se llegaba tras días enteros de caminata. Actividades como estas, fueron rompiendo las "montañas" y dejando trazados los caminos de acceso por los que posteriormente penetró la colonización y se establecieron los asentamientos permanentes. Generalmente, el páramo sigue siendo considerado como un espacio "Baldío" o como tierra de nadie que cada cual puede aprovechar como mejor le parezca, debido quizás a sus condiciones físicas extremas y las distancias que implica llegar hasta ellos.
En algunas ocasiones cuando se trata de pequeños propietarios que utilizan el área de un mismo páramo para pastorear su ganado, este es delimitado territorialmente para su uso privado de acuerdo con accidentes geográficos o en algunos casos por cercos, cuando se trata de unidades territoriales más amplias y que delimitan propiedades pertenecientes a familias tradicionalmente distintas. También hasta épocas recientes en esta región, podía observarse arder los páramos bajo el fuego provocado por los campesinos -generalmente mayordomos, lecheros, o los más jóvenes de los grupos familiares cuando subían a rodear el ganado- aún durante semanas enteras en la época de vientos (Jul. – Ago.), como resultado de una costumbre tradicional con la cual se buscaba "mejorar" las pasturas para el ganado cuando llegaran las lluvias.
Los bosques en cambio, no ofrecen por sí mismos para los campesinos un espacio económicamente productivo, por el contrario, son considerados como espacios "naturales" e improductivos que deben ser transformados para garantizar su aprovechamiento como pasturas para el ganado: El "potrero" representa una construcción sociocultural particular sobre el bosque alto-andino, identifica el espacio humano en oposición al "monte" que es lo salvaje, lo no humano. La concepción de "limpio" como una categoría de los campesinos para significar "sin monte", es una oposición binaria de la manera como los sujetos conocen su medio y lo clasifican. El espacio "enmontado" es valorado negativamente por los habitantes de la zona por considerarse no productivo, en el que abría que invertir energía para adecuarlo. También el uso del fuego y el hacha (ahora las motosierras) han sido las tecnologías aplicadas para transformar el bosque natural en espacio productivo, los bosques durante la temporada seca y de vientos se encienden llegando en muchas ocasiones las llamas hasta el páramo para quemar grandes extensiones que posteriormente aran limpiadas de troncos y utilizados en la quema de carbón o como leña para dar lugar al "limpio".

Introduciendo la variable temporal para comprender brevemente la construcción del espacio actual como el resultado de algo que acontece en el tiempo/espacio, la población actual del área de estudio es descendiente de "colonos" que llegaron a comienzos del siglo XX procedentes básicamente de dos corrientes migratorias: una Nariñense que penetró por el Cañón del Cofre y Toche adentro hacia las partes más altas de la vertiente occidental de la cordillera, y otra Tolimense que penetró por el cañón del río Cambrín y el Anamichú en la vertiente oriental de la cordillera, transformando las condiciones del medio natural en un medio humano productivo sobre la base de la horticultura, la caza y la recolección como estrategia económica en la fundación del territorio.

No obstante, las diferencias actuales existentes entre ambos lados de la línea permiten hacerse una imagen sobre las tradiciones y los ideales particulares con las que se construyó el espacio como el resultado de condiciones físicas y socioculturales regionales particulares. Mientras en el Valle actualmente, los bosques se han visto reducidos notablemente debido al acceso brindado por las carreteras, la densidad y diversidad de población que colonizó la alta montaña y las cuencas así como su manera de articularse con las tierras más bajas y fértiles del valle geográfico, puede observarse en el Tolima en cambio un poblamiento de la alta montaña mucho más disperso, encontrándose aún grandes extensiones de selvas andinas que descienden hasta los 1600 m.s.n.m. en cañones y cuencas "deshabitadas": el dimensionamiento del espacio es distinto, es enorme y las montañas no contrastan claramente con la tierra plana como ocurre en el Valle, existen montañas tras montañas y aún cadenas montañosas enteras tras otras que imprimen al espacio cierta cualidad de "inhóspito".

La utilización del espacio tolimense por decirlo de alguna forma, ha sido mucho más periódica o temporal entorno a la caza o como ruta de paso. Sin embargo, recientemente el ascenso altitudinal de la población ha sido incentivado por el cultivo de la amapola hasta aproximadamente los 3000 m.s.n.m. que representa una actividad rentable de manera temporal, mientras las condiciones "políticas" lo permiten. Encontramos en este sentido la construcción de un espacio de uso "temporal" el cual es abandonado y vuelto a utilizar. En el cañón de La Reina, encontramos un grupo social relativamente estable cuya actividad básica es el pastoreo y la elaboración de queso con el cuan intercambian el mercado del Valle. También los cultivos de amapola y toda la dinámica que existe entorno a ellos han introducido cambios en la vida social de sus habitantes más recientemente.

En este punto convergen ambas microregiones a ambos lados de la Línea: acceden por la misma carretera, al mismo mercado, y es del pastoralismo de donde obtienen una renta relativamente estable. Sin embargo, además del "potrero", existe otra categoría espacial de uso para los campesinos de la alta montaña: el "Tajo" de cultivo dentro del cual podemos identificar dos variables: el Tajo para horticultura o cultivo de tubérculos, y el Tajo para "jardín" o cultivo de amapola. Para el caso del primero, el cultivo de la papa ha representado una actividad tradicional que data de la llegada de los primeros colonizadores, pero que en el presente se ha reducido a niveles casi insignificantes debido a los cambios tanto en el medio físico como a las nuevas dinámicas de mercado regionales al extremo de observar en la remesa de los campesinos de la región subir papa para el páramo ya que su dedicación al ganado se ha convertido en una actividad casi exclusiva para obtener recursos. Para el caso del Tajo donde se siembra amapola en cambio, el espacio es construido sobre la idea de un uso "temporal", no es significado como propiedad privada sino como algo que se transforma, se cultiva, se cosecha y luego se abandona.

En la vertiente oriental de la cordillera central, las condiciones del espacio natural cambiaron drásticamente desde la segunda mitad de la década del ’90 debido al incentivo particular de la amapola. Hasta entonces, extensas regiones de bosques andinos se conservaron casi inexplorados, bastas montañas de bosque permanecieron como "fronteras" naturales para una población tolimense que se articulaba entonces como ahora económicamente al Valle del Cauca.

Sin embargo, llegaron las motosierras y los bosques rápidamente comenzaron a ser diezmados y confinados en algunas regiones a parches aislados, la devastación fue alarmante aún para los mismos habitantes nativos de la región. Así, de la misma manera que se iba abriendo el espacio para la "cultura", fueron llegando de diversas procedencias campesinos sin tierra buscando hacerse a la bonanza. La destrucción no fue exclusiva sobre el medio natural, la competencia entre los seres humanos en una lucha por el territorio que ahora era limitado llevó por un tiempo a la región a un estado avanzado de "descomposición social": La muerte y los conflictos entre amapoleros cristalizaban en un espacio inhóspito donde la ley del más hábil ganaba la faena, familias enteras desaparecieron por la ambición de dinero que generaba la mancha, las cantinas en los pueblos y los problemas personales contribuyeron a esta dinámica. La distancia y la concepción del espacio como "zona roja" y de peligro, así como la mirada de las instituciones que identificaba ya un problema de orden internacional, llevó a la intervención tangencial del estado que sin considerar el problema local y los seres humanos implicados, ha estado fumigando constantemente la región agudizando el problema que no sólo es de índole económico: una población invisible que habita un espacio inhóspito, donde la ley la ejercen otros actores armados, donde el estado no osa entrar, es un espacio cerrado y por que no "independiente" donde el tiempo tiene otro sentido, y el bienestar es relativo a lo que proporciona el medio físico, el ganado, o el mercado con el cual cada grupo se articula para intercambiar recursos.

3. Consideraciones Finales: Alta montaña ecuatorial espacio natural o espacio cultural.

Las altas montañas han sido consideradas como espacios hostiles para la vida del hombre, y en la mayoría de los casos, idealizadas por quienes no viven en ellas como ambientes "naturales" que representan lo salvaje, lo indomable, y más recientemente lo que debe ser conservado y protegido.

Haciendo una abstracción desde la disciplina, es posible comprender y analizar como múltiples categorías socioculturales convergen sobre la alta montaña de acuerdo con las percepciones particulares de los sujetos sociales que emiten un concepto con respecto a ella construyendo su misma naturaleza física. Para Boaventura de Sousa (1991), el modo como imaginamos lo real espacial puede convertirse en la matriz de las inferencias con que imaginamos todos los demás aspectos de la realidad" (215), anotando en relación con las escalas que es posible identificar dos tipos básicos: las escalas de análisis (pequeña escala) y las escalas de acción (grande escala) y de esta manera "cambiar de escala significa cambiar de fenómeno" o de problema (218). En este sentido, es necesario entender que el espacio no sólo es dinámico en virtud del tiempo geológico mirándolo desde una gran escala, sino, que es espacio en movimiento a partir de la manera como los seres humanos lo apropian e idealizan con fines aprehensibles a pequeña escala, incluyendo claro está la apropiación que nosotros mismos hacemos desde las disciplinas.
Con la ponencia, se ha buscado hacer evidentes algunos elementos de la construcción sociocultural del espacio en páramo de Las Hermosas desde los aspectos socioculturales que convergen en el área de investigación: la perspectiva "institucional" por un lado, considera el espacio como algo que debe ser protegido y conservado, construyendo un ideal que privilegia ciertos elementos considerados como "naturales", mientras invisibiliza otros considerados como "disfuncionales"; y la perspectiva local "tradicional" que construye un espacio de manera instrumental transformando sus condiciones "naturales" bajo ideales productivos como el pastoralismo o la explotación periódica de acuerdo con patrones cognitivos particulares.
Para la antropología, el interés por el análisis espacial de los lugares donde acontecen los fenómenos culturales propios de su interés, ha sido relevante desde el comienzo mismo de la disciplina. La necesidad del antropólogo por comprender el sustrato físico donde algo tan abstracto como la cultura se expresa, es fundamental para analizar el cómo la gran diversidad humana ha sido posible y ha llegado a ser en una multitud de espacios que van desde desiertos hasta selvas húmedas, desiertos, ciudades, glaciales, estepas, valles y montañas. Los conceptos de medio ambiente y contexto tanto en la antropología sociocultural como en la arqueología y la antropología biológica, han sido fundamentales para analizar los procesos adaptativos de los grupos humanos como el resultado de la interacción recíproca entre su cultura y el medio físico o espacio que donde esta tiene lugar.

Wallerstein (1996) reconoce la antigüedad de la geografía como práctica pero que se mantuvo al margen de las ciencias sociales debido a su tendencia a las grandes generalizaciones y grandes síntesis no analíticas hasta finales del siglo XIX cuando se "reconstruyó como una disciplina nueva" (29), aunque según apunta el autor, "fue la única disciplina que [antes de 1945] intentó de manera consciente ser realmente mundial en términos de su objeto de estudio" (29).

Las categorías que utiliza el geógrafo para delimitar o aprehender los fenómenos espaciales, constituye ya de echo categorías conceptuales abstractas, y tan arbitrarias como las que utilizaría cualquier cultura humana para clasificar los fenómenos espaciales que percibe. Las justificaciones científicas legitiman claro está, el conocimiento de unos mientras desvirtúa o ignora el de otros. Los intereses disciplinarios particulares han contribuido a menudo a ocultar las clasificaciones locales, así como la rica y diversa percepción tradicional de los pueblos que habitan diversas regiones. En este punto, ¿cuales son por ejemplo los mapas y las categorías que los diversos grupos tienen sobre el espacio que habitan?, ¿Cuales son las categorías del espacio locales en la alta montaña ecuatorial?

De acuerdo con el geógrafo Joaquín Molano (1995), la alta montaña "como espacio geográfico es estructura espacial, al igual en el pasado en el presente", sin embargo, como ambiente humanamente construido el sentido del espacio cambia a través de los procesos socioculturales acontecidos en él "adquiriendo la connotación de un hecho social en condiciones espaciales concretas" (54). La dimensión espacial no existe por sí misma ni en sus propios términos (a priori), por el contrario, el espacio responde a una construcción sociocultural relativa, resultado tanto de los intereses por conocer y clasificar el mundo fenomenológico, los procesos históricos y las experiencias particulares de quienes lo definen.

Generalmente se ha escuchado decir que Colombia es un país excepcional tanto por su diversidad geográfica como por su consecuente diversidad biológica y cultural. La compleja geografía nacional o heterogénea composición física del país (orografía), quizás sea una de las dificultades (obstáculo) primordiales en términos económicos y políticos por las cuales el espacio nacional no ha sido integrado como un conjunto que articule los "intereses" de todos, sino un complejo sistema fragmentado de intereses regionales, luchas por el territorio, y el aislamiento cognitivo de grandes extensiones y su población del marco referencia nacional. La diversidad ambiental (espacial) más que suponer una ventaja y adaptativa para la sobrevivencia, ha constituido en el caso colombiano un obstáculo real para la articulación de la población nacional a una dinámica económica que integre las potencialidades de las diversas regiones.

Así por ejemplo, la cordillera central ha constituido un "obstáculo" o "frontera" geográfica entre dos regiones "progresistas" como lo son el valle geográfico del río Cauca y el valle geográfico del Magdalena y Saldaña en el Tolima, dejando desarticulada la población de alta montaña en relación con el acceso a ciertos recursos o determinando una dinámica de interacción que corre a otra velocidad. De acuerdo con Braudel (1995), en América Latina la inmensidad del territorio supone la existencia particular de carreteras siempre en construcción, escasez de vías férreas, y donde la tracción animal y el paso de los hombres continúa siendo un elemento importante para desplazarse de un lugar a otro (373).
Sin embargo, no es posible afirmar que por el hecho de no haber "carretera" la población de extensas regiones como sucede en la alta montaña, esté desarticulada. Por el contrario, es posible afirmar que dichas poblaciones se han adaptado a su medio ambiente de manera excepcional utilizando los caminos de herradura por los cuales penetraron los primeros colonos y en algunos casos ya existentes de tiempos prehispánicos, y que con el paso de los años se han constituido en los verdaderos y únicos medios de acceso a estas regiones.


Espacio y tiempo cobran sentido con la noción de la distancia. La velocidad con la que es posible abarcar una determinada distancia da cuenta de los medios utilizados así como de las condiciones sobre las cuales se hace posible el movimiento, los fines y los destinos. En este sentido, el papel de la geografía me parece fundamental para comprender – más allá del dato estadístico del cual muy corrientemente abusan las disciplinas sociales y las grandes generalizaciones que se hacen a partir de ellas- la heterogénea composición física del país en función de los procesos socioculturales particulares que acontecen en los espacios. No obstante, ¿cómo hablar del espacio sin mencionar la economía, las relaciones de poder, los ideales y toda la serie de referencias que nos proveen los grupos humanos a cerca de él?

Un hito importante y de actualidad en el contexto nacional relacionado con la construcción del espacio que a mí parecer no se puede pasar por alto, lo constituye el intento de las administraciones "locales" en el ámbito municipal por "ordenar el territorio" bajo su jurisdicción con los llamados Planes de Ordenamiento Territorial" (POT) que tienen el fín de planificar su uso del territorio y la forma como se articula a este su población. Las administraciones locales y las Corporaciones Regionales en conjunto con la serie de instituciones que operan al nivel burocrático en los municipios, han estado trabajando en "reconocer " las características físicas del espacio municipal así como algunos aspectos de su población y economía. La delimitación del "territorio administrativo" que hasta entonces fue más una abstracción retórica, busca consolidar la cartografía básica de los municipios con la ayuda de nuevas tecnologías y la incorporación de actores que han permanecido ausentes del espectro cognitivo institucional. Claro está, esta incorporación de los sujetos en el espacio es más abstracta que real. La construcción del espacio "nacional" al nivel de los municipios y las regiones que desde la perspectiva institucional están agenciando particularmente Arquitectos adscritos a las oficinas de planeación, merecen una revisión crítica desde disciplinas como la geografía y la misma antropología con la cual se hagan evidentes los aspectos más representativos de los espacios en relación con los seres humanos que los habitan. Quizás en cierto periodo de tiempo, sea evidente si lo que en realidad los "arquitectos" que construyeron el espacio municipal hicieron una obra de arquitectura en la cual se integran los intereses de "la población" localizada en el territorio, o si por el contrario se limitaron a la decoración de interiores de un territorio en el cual su población continua siendo un accesorio de uso discontinuo

REFERENCIA
Boas [1911] (1947), "Cuestiones fundamentales de Antropología Cultural". Editorial Lautaro. Argentina.
Boaventura de Sousa (1991), "Hacia una cartografía simbólica del derecho". Instituto Latinoamericano de Estudios Jurídicos Alternativos. Bogotá.
Braudel, Fernand (1997) [1989], "Las Civilizaciones actuales". Editorial Tecnos. México.
Ghul, Ernesto (1976). "Colombia: Bosquejo de su geografía tropical". Tomo 2. Instituto Colombiano de Cultura. Bogotá.
[1982] (1995). "Los páramos circundantes de la Sabana de Bogotá". Fondo FEN. Bogotá.
Lowie, Robert [1937] (1946), "Historia de la etnología". Fondo de Cultura Económica. México
Molano, Joaquín (1995), "Paisajes de la Alta Montaña Ecuatorial". En: Reyes, Pedro (ed.) "El Páramo. Ecosistema de Alta Montaña Ecuatorial". Fundación de Ecosistemas Andinos (ECOAN). Editorial Códice. Santafé de Bogotá.
Ospina, Guillermo y Tocancipá, Jairo (1999). "Encuentros discursivos sobre el páramo. Una aproximación desde la antropología a los estudios sobre la alta montaña ecuatorial". Inédito.
Sartre, Jean-Paul (1993) [1943], "El ser y la Nada". Editorial Altaya. Barcelona. España.
Torrente, y Acosta (1996), "Marco Jurídico y Derecho Ambiental en Colombia". Editorial Cámara de Comercio de Bogotá. Bogotá.
Wallerstein, Immanuel (coord.)(1996), "Abrir las Ciencias Sociales". Comisión Gulbenkian para la Reestructuración de la Ciencias Sociales. Siglo XXI Editores. México.
(1997), "El espacio tiempo como base del conocimiento". En: Análisis Político. Sep./ Dic. 1997. Num. 32. Instituto de Estudios Políticos y Relaciones Internacionales. Universidad Nacional de Colombia. Bogotá.


Video: O QUE ACONTECEU COM AS PESSOAS PERDIDAS NO ESPAÇO? (Junho 2022).


Comentários:

  1. Kajirn

    Sinto muito, mas na minha opinião você está errado. Tenho certeza. Proponho discuti-lo. Escreva para mim no PM, ele fala com você.

  2. Claudio

    Bravo, parece-me, é a frase brilhante

  3. Dario

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  4. Lambert

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  5. Wickley

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