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Quando começamos a consumir leite?

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Eles encontram a evidência direta mais antiga do consumo de leite em humanos do Neolítico.

Uma equipe de cientistas da Universidade de York (Reino Unido) identificou uma proteína do leite chamada β-lactoglobulina (BLG) na placa dentária mineralizada de sete indivíduos que viveram no período Neolítico. Esta é a primeira evidência direta de consumo de leite em adultos encontrada em todo o mundo, mas esta descoberta levanta novas incógnitas.

Uma mutação que permite digerir leite

De forma natural, o ser humano adulto não tem capacidade para digerir o leite corretamente. Isso porque, à medida que o corpo cresce, ele para de produzir lactase, que é a enzima responsável pelo processamento da lactose. Somente aqueles que carregam uma mutação genética conhecida como persistência da lactase (LP) mantêm o gene para essa enzima ativo e podem digerir o leite durante a vida adulta.

Porém, esse processo evolutivo deveria ter sido muito lento, e diferentes evidências sugerem que, no Neolítico, a frequência de pessoas com a mutação LP e a capacidade de digerir leite ainda seria muito baixa.

Estima-se que um terço da população mundial carregue LP, com as maiores frequências encontradas na Europa, África Oriental, África Ocidental e Oriente Médio, onde 75% da população adulta pode digerir o leite sem problemas. Na verdade, a persistência do LP é considerada um exemplo muito claro de coevolução entre genes e cultura, e sustenta a ideia de que as práticas culturais são capazes de modificar nosso código genético.

A ideia é que as populações neolíticas passassem a consumir leite a partir da domesticação de animais, ideias que têm sido apoiadas por várias evidências arqueológicas, por exemplo a descoberta de resíduos orgânicos em cerâmicas neolíticas que mostram a presença de vários lípidos do leite. O aumento da dependência de laticínios durante o Neolítico teria conduzido a seleção natural para a mutação LP durante os milênios subsequentes.

Um biomarcador perfeito

A Β-lactoglobulina é uma proteína do leite que é preservada no tártaro humano e pode ser usada para detectar o consumo desse alimento no passado. É encontrado apenas no leite e seus aminoácidos também diferem entre as espécies, tornando-o um biomarcador perfeito.

A equipe britânica, que publicou seus resultados na revistaCiências Arqueológicas e Antropológicas, analisou sua presença em vários indivíduos que viveram na Grã-Bretanha durante o Neolítico. Além disso, essas amostras vieram de três sítios arqueológicos diferentes, e os resultados são as evidências mais antigas encontradas até agora para a presença de BLG na placa dentária humana.

“O fato de ter detectado essa proteína no tártaro de indivíduos de três diferentes locais do Neolítico pode sugerir que o consumo de laticínios era uma prática alimentar generalizada no passado”, reflete Sophy Charlton, uma das pesquisadoras participantes do estudo. Como explicar esse resultado se, como já dissemos, não parece que a mutação que permite a digestão da lactose estava disseminada no Neolítico? Os autores acreditam que esses indivíduos provavelmente ainda consomem quantidades muito pequenas de leite ou seus derivados.

“A maioria das pessoas que viviam no Neolítico teria adoecido ao consumir leite, então uma explicação pode ser que esses fazendeiros estavam processando e obtendo alimentos com menor teor de lactose, como o queijo”, acrescenta a especialista. "Identificar mais indivíduos com BLG pode nos dar mais pistas sobre o consumo e processamento anterior do leite e aumentar nossa compreensão de como a genética e a cultura interagiram para aumentar a persistência da lactase no mundo", diz ele.

Outra linha de pesquisa promissora consistiria em buscar um padrão no consumo de leite: “talvez a quantidade de laticínios ou os animais de que foram obtidos também variassem conforme o sexo, a idade ou a posição social”, conclui a pesquisadora.

Referência: Charlton et al. 2019. Novos insights sobre o consumo de leite neolítico por meio da análise proteômica do cálculo dentário. Ciências Arqueológicas e Antropológicas. https://doi.org/10.1007/s12520-019-00911-7

Fonte: https://www.muyinteresante.es


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