Transgênico

Mosquitos transgênicos não controlados

Mosquitos transgênicos não controlados


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Após dois anos lançando mosquitos transgênicos no Brasil, supostamente para combater a transmissão da dengue, os insetos manipulados cruzaram com os locais e prosperaram, ao contrário do que afirma a multinacional Oxitec que os comercializa.

Os filhotes se transformaram em uma espécie de super mosquitos, que apresentam maiores riscos à saúde e ao meio ambiente do que os que já existiam antes do experimento. Dado que a mesma empresa tentou este tipo de experimento no México, por exemplo em Yucatán nos últimos anos, deveria haver um alerta e monitoramento de suas consequências também no país.

Como em inúmeros outros casos com culturas e animais transgênicos (incluindo aqueles resultantes de novas biotecnologias como Crispr e outras), os seres vivos obviamente não se comportam como nos projetos ou no laboratório, e o resultado de sua liberação é muito pior do que o problema que foi dito para atender. O que está acontecendo no Brasil agora - que pode ser estendido muito mais - é exatamente um dos motivos pelos quais muitos de nós nos opomos à liberação de OGM.

Esse preocupante caso de mosquitos manipulados foi registrado em Jacobina, no estado da Bahia, após o experimento de liberação de 450 mil mosquitos transgênicos por semana, durante 27 meses, entre 2013 e 2015. Avaliação dos resultados e verificação da reprodução dos mosquitos e estão fora de controle no ambiente, foi publicado na revistaNatureza, em setembro de 2019, em um estudo em que os cientistas participantes coletaram amostras de mosquitos seis, 12 e 27 meses após o início das liberações.

Segundo a Oxitec, os mosquitos transgênicos deveriam cruzar, mas não gerar filhotes, ou que fosse tão fraco que não sobrevivesse e, assim, a população de mosquitos transmissores de doenças fosse reduzida. Sua teoria não provou funcionar em nenhum dos países onde foi tentada, já que após uma primeira redução dos mosquitos, eles voltam ainda em maior número. Também não foi observado nenhum efeito no combate à dengue ou a outra doença. Em Jacobina, após o primeiro ano de alta, houve um aumento notável e relatado de casos de dengue.

Os autores do novo estudo constataram que, contrariando as promessas da empresa, as sequências transgênicas foram incorporadas ao DNA da população natural de mosquitos e que existem na natureza filhos híbridos, robustos e reprodutores. A cepa de mosquito usada pela Oxitec veio de um cruzamento entre mosquitos originários de Cuba e do México, então a que hoje existe no meio ambiente do Brasil é um híbrido de três países. Já existem mais mosquitos transmissores de doenças, adquiriram mais vigor e podem até multiplicar a resistência aos inseticidas.

As consequências desse novo tipo de mosquito transgênico, feroz e em livre circulação, são imprevisíveis, tanto em seus efeitos na saúde, como em outros mosquitos e no meio ambiente. Estima-se que também possam ser cruzados com outras espécies de mosquitos alémAedes aegypti (espécie primária transmissora da dengue, chikungunya e zika) e transmite seu material transgênico também paraAedes albopictus, ou mosquito tigre, muito mais agressivo e difícil de combater.

A Oxitec foi comprada em 2015 pela Intrexon, uma empresa transnacional de biologia sintética dos Estados Unidos que se dedica, entre outras coisas, à produção de animais transgênicos, como salmão e gado. Apesar dos alarmes levantados pelo estudo, o Oxitec-Intrexon segue em outros estados do Brasil com seus experimentos com insetos transgênicos.

Para as experiências da Oxitec, grandes recursos públicos foram aportados por municípios e universidades, poupados dos orçamentos da saúde. Ampla reportagem sobre o caso pela agência de notícias Rede Brasil Atual mostra também que a Comissão Brasileira de Biossegurança (CTNBio) agiu de forma intencional com negligência ao autorizar a liberação, classificando os estudos como de baixo perigo e sem riscos de biossegurança. além de não exigir o consentimento prévio, livre e informado da população que há mais de dois anos foi exposta como cobaia pela empresa e pela CTNbio.

A Fundação Bill e Melinda Gates também financia a Oxitec para seus experimentos com mosquitos transgênicos. Essa fundação também promove o uso de mosquitos com impulsos genéticos, uma técnica de alto risco para extinguir espécies na natureza. Na África, a organização Target Malaria, financiada pela Fundação Gates, fez uma consulta muito precária sobre o uso de mosquitos transgênicos, impedindo que a população tivesse informações completas e críticas sobre o experimento a que foram submetidos, algo que membros do Grupo ETC conseguiram documentar diretamente.

Em ambos os casos, tanto no Brasil quanto em Burkina Faso, fica claro que as populações locais são utilizadas por empresas e fundações como animais de laboratório, não é um experimento transgênico com insetos, é também um experimento com humanos - e com todo o ecossistema. - que ele deve ser interrompido imediatamente.

Silvia Ribeiro
Pesquisador do Grupo ETC

Fonte: La Jornada


Vídeo: A fábrica dos mosquitos transgênicos (Junho 2022).


Comentários:

  1. Barr

    Desculpe, mas isso é completamente diferente. Quem mais pode sugerir?

  2. Yusef

    É a condicionalidade

  3. Gabriel

    Você está brincando!

  4. Faukasa

    Bravo, esta esplêndida frase acaba de ser gravada

  5. Fitz Walter

    a resposta excelente e oportuna.

  6. Gardam

    Parece excelente frase para mim é



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