TÓPICOS

"Os produtores andinos de quinoa correm o risco de não serem competitivos no mercado mundial"



We are searching data for your request:

Forums and discussions:
Manuals and reference books:
Data from registers:
Wait the end of the search in all databases.
Upon completion, a link will appear to access the found materials.

Por Nylva Hiruelas

O milenar ‘grão dourado’ dos Andes, sem dúvida, passou por uma ascensão meteórica que colocou o Peru como o maior produtor desse cereal. Porém, há alguns anos, a produção dessa humilde semente vem se distanciando de seu local de origem e começa a ser cultivada na Europa, nos Estados Unidos e até na China, afetando a renda de agricultores que nunca conseguiram decolar. economicamente. Um programa inovador das Nações Unidas lançado desde 2015 nas regiões de Puno e Ayacucho incentiva a produção de quinoa orgânica por meio de cooperativas para vendê-la no mercado internacional a um preço melhor e com um selo de qualidade. Miguel Maldonado, coordenador do programa, explica a contribuição deste programa para a redução da pobreza.

Este programa teve como objetivo fortalecer a cadeia de valor da quinoa orgânica. Qual o potencial da produção de quinoa como alavanca para o desenvolvimento dos produtores?

A cadeia de valor da quinoa reúne muitos pequenos produtores em situação de pobreza, portanto, ajudar a produzir de forma mais eficaz e eficiente tem impacto na melhoria da qualidade de vida dos agricultores. Além disso, esta rede é especial, pois tem um valor nutritivo muito elevado e goza de uma posição muito boa a nível internacional. De fato, pensa-se que no futuro esse grão poderá se tornar uma commodity, visto que seu cultivo já começou há anos em muitos países que ultrapassam o nosso em tecnologia agrícola. Portanto, é lógico supor que nossos produtores andinos correm o risco de não serem competitivos diante de um possível crescimento da oferta mundial.

O pioneirismo deste projeto reside no fato de ter envolvido o trabalho de três agências das Nações Unidas, FAO, UNESCO e OIT, combinando suas especialidades para alcançar uma melhoria na qualidade de vida dos produtores andinos de grãos. Uma das maiores conquistas é a articulação comercial de 154 toneladas de quinoa com uma melhoria de 13%, em relação aos preços de mercado, beneficiando 200 produtores e a capacitação de mais de 1000 produtores.

Como a quinua nacional pode competir no mercado mundial?

A riqueza cultural da quinua andina pode nos ajudar a diferenciar nosso produto de outros concorrentes internacionais. Essa semente foi cultivada pela primeira vez há 7 mil anos por colonos pré-colombianos e o conhecimento ancestral sobre a criação, uso e formas de consumo da quinua é preservado até hoje. Os camponeses utilizam elementos de sua visão de mundo para cultivar conhecimentos que é necessário resgatar (trabalho que a UNESCO fez no programa) não só porque faz parte do nosso patrimônio cultural, mas porque pode nos ajudar a nos diferenciar no mercado internacional.

Como este projeto conseguiu contribuir para a redução da pobreza dos camponeses?

Por um lado, o programa pretendia melhorar a produção, para o que implementámos um programa de produção biológica e um sistema de controlo interno através da formação de 50 produtores como auditores da certificação orgânica. Além disso, foi promovida a criação de 10 Sindicatos de Crédito e Poupança, que proporcionaram a 143 mulheres produtoras um financiamento coletivo com uma acumulação de capital de mais de 100.000 soles.

Por outro lado, tem procurado articular o produtor com o mercado, para isso tem procurado melhorar a associatividade dos produtores por meio da capacitação no modelo cooperativo. Os produtores participaram da feira expoalimentaria, de uma conferência de negócios no México, foram treinados em comércio exterior no Uruguai e vão participar de uma missão comercial no Brasil, que é um mercado muito interessante para a quinoa orgânica do Peru.

A riqueza desse programa está em ter procurado envolver o maior número possível de atores na cadeia. Nos articulamos com o Ministério da Agricultura, Promperú, outras organizações e atores locais.

Que cooperativas de Puno ou Ayacucho conseguiram entrar no mercado?

Em Ayacucho temos o exemplo da cooperativa “Campo Verde” do bairro de Acos Vinchos, que conseguiu vender quinoa no restaurante Tanta de Gastón Acurio, em lojas ecológicas de Lima e em outros mercados. O apoio do programa facilitará o fortalecimento desta cooperativa no mercado, já que tem trabalhado no desenho e implantação de uma pequena planta de beneficiamento industrial com a qual poderão comercializar barras energéticas de quinoa e kiwicha, bem como o fortalecimento de as capacidades técnicas de seus associados. Além disso, o programa apoiou o desenvolvimento de um plano de negócios e um plano de marketing que prevê que suas vendas aumentem de 68.000 soles em 2015 para 140.000 soles em 2017.

Em Puno, está a ser apoiada a marca Aynoka, iniciativa dos seus produtores que surgiu como reacção ao problema que surgiu durante os anos de 2013 e 2014, quando muitos quinoa nacional foram rejeitados no estrangeiro por conterem vestígios de produtos químicos. O lançamento da marca foi um grande passo, porém, insuficiente, pois o programa vem apoiando a implantação de padrões de qualidade. Para isso, está sendo elaborado um diagnóstico e um plano de implantação de sistemas padronizados de qualidade e rastreabilidade.

The Wide Angle


Vídeo: Como cozinhar quinoa BEM SOLTINHA deliciosa. Drica na Cozinha. Episódio #325 (Julho 2022).


Comentários:

  1. Stoffel

    Eu sento e não tropeço quando o autor chegou a isso por conta própria

  2. Cerny

    Casualmente encontrou hoje este fórum e foi especialmente registrado para participar da discussão.

  3. Dum

    Que frase ... ótima, a ideia excelente



Escreve uma mensagem