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Cortes, corrupção e olimpíadas: essa é a privatização da água no Rio

Cortes, corrupção e olimpíadas: essa é a privatização da água no Rio


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Os atores dessa trama: o governo federal de Temer de direita, o governo estadual do Rio liderado pelo PMDB de direita, a construtora Obredecht - cujo presidente está preso pelo escândalo de corrupção da estatal Petrobras - e um punhado de empreiteiros de obras públicas interessados ​​nos novos desenvolvimentos de infraestruturas de água que a Cedae prevê.

Em junho, o Rio e outros estados brasileiros declararam estado de emergência econômica, com as contas públicas no terreno devido à recessão - uma queda de 4% é esperada para este ano. Imediatamente, o governo federal de Temer propôs um plano de resgate para os estados. Só que, como aconteceu na Europa após a crise da dívida desencadeada em 2010, essas ajudas estão condicionadas à implementação de cortes e privatizações de empresas públicas, em um processo que de fato já havia iniciado tanto o governo federal de Dilma quanto os estados. A Cedae foi uma das expressamente citadas pelo Ministério da Fazenda. Especificamente, o condicionamento estava vinculado a um plano de finalização das obras do Metrô Río que deveriam conectar a Vila Olímpica.

Marco Capute, secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, declarou que falar nesta época em privatização da água era "um disparate", embora sua explicação não soasse muito convincente: "estamos em um processo de criação de valor para a empresa", disse. ., referente a investimentos de até 9.000 milhões de reais (cerca de 2.500 milhões de euros) para um plano de saneamento em 11 municípios da Baixada Fluminense, área da região metropolitana do Rio com três milhões de habitantes. À semelhança do que acontece com a água em várias cidades espanholas (e sobretudo no caso de Madrid), o Executivo do PNMB não esconde a intenção de que esta “criação de valor” vise o IPO e eventual privatização da entidade.

Como lembra Renato “Cinco” Athayde Silva, vereador carioca do PSOL (cisão à esquerda do PT), a privatização da empresa já é uma realidade em parte: “partes da rede já foram privatizadas, com uma concessão a 30 anos assinada em 2012 com a empresa Foz Águas 5 ”, destacou em entrevista recente à CorporateWatch. Esta empresa é responsável por empreendimentos em 21 bairros da zona oeste do Rio de Janeiro. O vereador de esquerda afirmou categoricamente que o plano do PMDB nada mais é do que "privatizar empresas públicas e vendê-las para empresas que financiam suas campanhas".

No caso, a empresa em questão é a Obredecht, construtora cujas doações, segundo o jornal Estadão, representaram dois terços da receita do PMDB em 2013. A concessionária Foz Águas 5, lembrou Renato “Cinco”, é sócia da Obredecht e da empresa privada Águas do Brasil. Coerente com essas abordagens, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, dependente do governo federal) atua junto ao Estado do Rio na definição de um plano de desinvestimento de ativos: traduzido, na venda de ativos e empresas públicas.

Segundo o vereador do PSOL, a intenção da Cedae / Foz Águas não é propriamente administrar todo o serviço, o que pode coincidir com as afirmações do chefe da Fazenda sobre os "disparates" que a privatização acarretaria. Teria interesse em receber os generosos subsídios do Estado para a construção da infraestrutura, um negócio vantajoso, já que o contrato exclui o transporte do serviço para as favelas. Segundo Renato “Cinco”, isso deixa 16% da população carioca sem abastecimento.

“A Cedae é tecnicamente uma empresa pública, mas é muito pouco transparente. Qualquer controle social da empresa é muito frágil, no momento. Em grande medida, depende dos órgãos executivos e dos dirigentes, que são cooptados e eleitos pelos partidos dominantes ”, concluiu. Uma história que infelizmente é familiar aos leitores do Estado espanhol.

Diagonal Periódica


Vídeo: Privatização da Água. Minha experiência! (Junho 2022).


Comentários:

  1. Tyronne

    Quem disse A dirá B, se não for torturado...

  2. Fer

    É uma ótima ideia e na hora



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