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Quem paga pelo planeta quebrado?

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Por Beatriz Balvé *

O homem faz parte da natureza, e a maneira como se distancia e se apropria dela destrói não só a natureza, mas o próprio homem. O fato de hoje essa questão - como destruição do meio ambiente - ser abordada desde a ecologia não muda nem modifica o problema. Esta situação se deve à incapacidade do homem de organizar, planejar e controlar a produção, que inclui não apenas a produção em si, mas também a distribuição, a troca e o consumo.

Para analisar se é verdade que riqueza e pobreza ameaçam igualmente o meio ambiente, devemos ter em mente que ambas se referem a personificações sociais de uma categoria econômica: o trabalho, categoria que divide sua relação em dois pólos opostos: o trabalhador e o não. trabalhador e onde a riqueza e a pobreza constituem o seu estatuto de classe social.

Além disso, vale lembrar que a partir da década de 1980, e com particular vigor a partir de 1990, a questão da pobreza passou a prevalecer, deslocando a dívida externa. Isso já é observado nos Documentos I e II de Santa Fé, que contêm “receitas” para garantir o domínio dos Estados Unidos na América Latina.

Na mesma época em que estavam sendo elaborados, a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, chefiada pela primeira-ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland, produziu um relatório denominado "Nosso Futuro Comum" (1987) e aprovado por unanimidade nas Nações Unidas, conclui que o confusão sobre as teorias do desenvolvimento reflete uma crise global, no sentido de que o desenvolvimento não é mais um problema exclusivo dos países que ainda não o alcançaram, e propõe um novo estilo de desenvolvimento que inclui uma reorientação nas nações industrializadas e o reordenamento do norte. relações do sul.

Especialistas da Argentina e de outros países criticam a reportagem da Revista de Comércio Exterior do México e apontam que o ponto fraco dos argumentos está em não considerar as dificuldades técnicas e políticas para resolver o problema. Alguns indicadores seriam: 25% da população mundial nos países industrializados possui 80% da frota automotiva e consome 85% do papel, 70% do aço, 86% de outros metais e 80% da energia.

O relatório Brundtland define desenvolvimento sustentável como aquele que atende às necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender às suas próprias necessidades. Porém, à luz dos indicadores, não é difícil ler o verso de uma afirmação tão altiva de que, para alcançar esse desenvolvimento "equilibrado", o Sul teria que compensar os desperdícios do Norte sacrificando suas possibilidades presentes e futuras. . Para não acentuar o desequilíbrio ecológico, a maioria pobre deve limitar-se a esperar a esmola que a minoria rica está disposta a oferecer-lhe; se tentassem desenvolvê-lo, os países pobres seriam os responsáveis ​​pela destruição do meio ambiente.

Vemos, então, que entre a sensibilização e a construção de capacidades para resolver o problema estão as diferenças de poder e os conflitos reais que existem entre o Sul e o Norte.

Em última análise, os ricos querem que os pobres não paguem mais pelos pratos quebrados, mas pelo planeta quebrado.

* Pesquisador social do Centro de Pesquisa em Ciências Sociais (CICSO)

UTBA


Vídeo: Seu Jorge, Racionais MCs - Diário De Um Detento (Pode 2022).


Comentários:

  1. Berkeley

    Eu acho que você cometeu o erro

  2. Kearn

    Hehe, meu primeiro comentário :)

  3. Shasida

    Esta é apenas uma ótima ideia.

  4. Bak

    Desculpe interferir, mas, na minha opinião, esse tópico não é mais relevante.



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