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A Soberania Alimentar abre caminho para o mundo

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Por Francisca Rodríguez *

Sem dúvida, esta missão central da FAO de incentivar os governos a definir políticas, programas e recursos para um plano de ação chamado a enfrentar esta dramática situação, está ameaçada pelos interesses mercantilistas do capital que só vêem esta grave situação como uma das empresas que a trarão. proporcionam enormes ganhos econômicos e, ao mesmo tempo, mantêm um domínio político contra os estados que se tornam cada vez mais dependentes da grande produção agrícola do agronegócio.

A alimentação é um direito humano e dever dos Estados em garanti-la

Assim, a abordagem da Via Campesina, baseada em uma concepção ampla de humanidade e direitos, coloca nossa abordagem da Soberania Alimentar como um princípio fundamental da luta contra a fome no mundo e as grandes causas que a geram, nossa abordagem para desenvolver a solidariedade e a fraternidade. entre os povos como a principal arma baseada em um requisito essencial de extrema importância que vai além das lutas dos camponeses para continuar desenvolvendo e defendendo a agricultura local, teve como objetivo colocar na consciência social a Soberania Alimentar como um direito soberano de cada nação. para garantir a alimentação de seus povos.

Esta foi uma das nossas afirmações mais importantes e estratégicas para fazer face a uma das medidas orientadas pelos interesses económicos de erguer como solução as bandeiras da segurança alimentar e, por conseguinte, gerar medidas para a aquisição de alimentos através do abastecimento dos países e grandes. corporações, a pretexto de ajuda humanitária, pondo em sério risco a própria produção camponesa que durante séculos alimentou a humanidade.

O que aconteceu nesses 20 anos de luta e resistência da Via Campesina

Sem dúvida, as certezas em nossas abordagens tornaram-se cada vez mais irrefutáveis; Por meio de propostas concretas e bem fundamentadas, apontamos saídas para os problemas globais gerados pelos atuais modelos de produção e consumo promovidos a partir de um capitalismo que ampliou seu domínio sobre Estados e governos, principalmente pela manipulação da consciência de grandes massas populares. dominado pelo consumismo e individualismo.

É óbvio que em nossa caminhada há avanços e retrocessos, mas a verdade é que hoje o acerto de nossa abordagem que tem promovido unidade e organização em torno do princípio político da Soberania Alimentar, como eixo norteador de nossas lutas no contexto, teria ser inegável, continental e global. Conseguimos colocar nossas abordagens como temas da maior importância e indiscutível para garantir a paz, a justiça, a boa vida dos povos e a vida do planeta, nos mais altos níveis.

Nossas propostas quebrando o muro da institucionalidade

Alcançamos espaços dentro das Nações Unidas: na FAO, no Conselho de Segurança Alimentar, no mecanismo criado para que a sociedade civil trate de nossas propostas; também no processo que a Comissão de Direitos Humanos está promovendo para instalar a Carta dos Direitos dos Camponeses e Camponeses na ONU. É uma ferramenta que, junto com as Diretrizes Voluntárias para a Posse Responsável da Terra, nos leva a avançar perante os governos a formulação de políticas justas e precisas sobre o papel da agricultura camponesa como eixo central para garantir a alimentação e a agricultura. Sobrevivência do nosso planeta, combatendo o aquecimento global, resgatando nossas práticas ancestrais de trabalhar a terra e produzir alimentos por meio da agroecologia baseada no cuidado com a mãe terra.

Para semear a paz, precisamos de sementes e da agricultura camponesa

Hoje a Soberania Alimentar já está integrada nas constituições de alguns Estados, bem como em vários países legislações sobre segurança e soberania alimentar e leis de nutrição. Também há progresso em poder debatê-lo na FAO com base no fato de que não haverá segurança alimentar sem Soberania Alimentar. Sem dúvida, tudo o que se avançou até agora é insuficiente, quando se torna cada vez mais grave o ataque à agricultura camponesa e à alimentação dos povos. O dramático êxodo dos milhares e milhares de refugiados que, fugindo do horror das guerras fabricadas pelos interesses expansionistas do capital, se dizem acolhidos e alimentados, são mais um exemplo deste flagelo.

Soma-se a esta situação o fato de, recentemente e pela primeira vez, um diretor-geral da FAO intervir no Conselho de Segurança das Nações Unidas, órgão responsável pela manutenção da paz e da segurança internacional, onde José Graciano Da Silva, atualmente Diretor-Geral da FAO , fez ouvir a sua voz sobre a relação incontornável entre segurança alimentar e paz, no seu discurso “Semeando segurança alimentar, colhendo paz”. Enfatizando que: A paz sustentável está intimamente ligada ao desenvolvimento sustentável, alimentos e sua produção. Para semear as sementes da paz, precisamos de sementes. E também aos fazendeiros para plantá-los!

Nossa luta é pela soberania alimentar agora

* Francisca Rodríguez é uma líder camponesa chilena, líder política da Coordenação Latino-americana de Organizações Rurais - CLOC-Via Campesina - e da Articulação Feminina CLOC.

Revista América Latina em Movimento


Vídeo: S de Soberania alimentar. Glossário 010 (Pode 2022).