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Transgênicos, tecnologia obsoleta para o campo

Transgênicos, tecnologia obsoleta para o campo


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Por Antonio Turrent Fernández *

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, declarou no dia 15 de março, na última coletiva de imprensa da Conferência Regional para a América Latina e o Caribe, que os transgênicos são uma coisa da passado: estão obsoletas ... as novas biotecnologias já têm outra abordagem, com uma preocupação ambiental. Graziano se referia a algumas conclusões de um seminário internacional realizado recentemente em Roma, sede da FAO.

O aprimoramento de plantas pela engenharia genética terá que concluir o capítulo da inserção invasiva de DNA estranho ao genoma da planta ou transgênese para dar lugar a novas técnicas, como a edição de genes da própria planta. Essa técnica deriva da compreensão do mecanismo pelo qual as bactérias se defendem dos vírus.

R. Wilkinson e B. Wiedenheft. 2014. Um método CRISPR para engenharia de genoma, F1000PrimeReports, 2014, 6: 3 (doi: 10.12703 / P6-3).

O novo capítulo da engenharia genética dispensa a inserção de aditivos genéticos estranhos à planta, tão evidentes quanto o gene estrutural, o promotor, o identificador e as sequências que indicam o início e o fim da construção transgênica. Com a eliminação dessa transgênese, elimina-se a imprecisão da inserção no genoma, típica de tecnologia ultrapassada. A nova técnica de edição de genes cria um novo alelo (mais um, das variantes do gene) e, como tal, permanece subordinado ao plano de crescimento e desenvolvimento da planta, que o desliga ou liga.

A nova técnica elimina as principais limitações da biotecnologia atual, mas não todas. O desenvolvimento de superpragas (insetos e ervas daninhas) ainda continuará a ser instigado. Quando for possível editar o genoma do milho para conferir resistência ao herbicida glifosato, esse agroquímico terá que continuar a ser aplicado na lavoura em doses crescentes, com seu bem documentado efeito deletério à saúde humana e ecologia. Assim como a biotecnologia obsoleta, a nova utiliza cultura de tecidos, conhecida por gerar mutações, retendo assim os riscos correspondentes da biotecnologia obsoleta. Ele também retém os efeitos desconhecidos e os possíveis riscos derivados das interações do gene editado com outros genes próximos ou distantes no espaço genômico (conhecido como pleiotropia). Ele também mantém a incapacidade de manipular as centenas e até milhares de genes quantitativos que controlam características como rendimento potencial e tolerância genética a estresses ambientais, como secas e temperaturas extremas.

A nova biotecnologia torna obsoleta a atual engenharia genética comercial, que data da década de 1980. Por isso, eles precisam continuar vendendo sua tecnologia ultrapassada. É o caso das autorizações solicitadas ao governo mexicano para o plantio comercial de milho transgênico em 2012, que não foram concedidas. Todos esses materiais genéticos pertencem à geração ultrapassada da engenharia genética.

A ordem judicial ao Ministério da Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Rural, Pesca e Alimentação (Sagarpa) e ao Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat) para suspender a concessão de licenças de plantio de milho transgênico ao ar livre, em setembro de 2013 ( Miguel Concha, La Jornada, 22/03/14) foi um grande sucesso para a Nação. Ele salvou e até agora salvou o milho mexicano nativo e seus parentes selvagens de serem maciça e irreversivelmente contaminados com DNA transgênico. É do interesse da Nação que esta ordem judicial permaneça assim, até que os consórcios multinacionais demonstrem que modernizaram sua biotecnologia obsoleta e que também demonstrem, perante cientistas independentes, sem conflito de interesses, que reduziram seu risco ao aceitável níveis para a população e para a biodiversidade do milho nativo e seus parentes silvestres.

A nova técnica de edição de genes é produto de pesquisa básica e estratégica aplicada que tem despertado grande interesse em diversos grupos de pesquisadores de universidades e institutos de pesquisa da Europa, Estados Unidos e Brasil, pelo menos. Ele está sendo amplamente usado em pesquisas genômicas, medicina humana, animais de laboratório e plantas. A monopolização desta técnica de patenteamento por consórcios multinacionais irá apresentá-los com maior grau de dificuldade e custo do que a biotecnologia obsoleta.

* Pesquisador nacional emérito do Sistema Nacional de Pesquisadores. Membro do Sindicato de Cientistas Comprometidos com a AC Society. Email: [email protected]

Biodiversidade na América Latina e no Caribe


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