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Zika, mosquitos GM e a teoria do choque

Zika, mosquitos GM e a teoria do choque


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Por elizabeth bravo

Naomi Klein em seu livro The Theory of Shock analisa como o capitalismo tira proveito de situações extremas para criar cenários propícios para influenciar decisões que favorecem grupos de poder, e que de outra forma seriam impossíveis de implementar. Isso está acontecendo com o surgimento de doenças transmitidas por vetores, como Zika e dengue. Em 2015 aconteceu com o Ebola e antes com a gripe “suína”. Em todos esses casos, grandes fortunas foram feitas sem realmente abordar as causas dessas epidemias, ou dar-lhes uma solução.

Nas últimas semanas a mídia foi inundada com notícias do surgimento desta nova epidemia, pois se presume que o vírus tenha a capacidade de afetar bebês no útero. No Brasil, a mídia insiste que o vírus Zika está relacionado ao aumento dos casos de microcefalia.

Zika é uma doença viral transmitida por várias espécies de mosquitos, incluindo o Aedes aegypti, vetor da dengue e da chikungunya. Para transmitir a doença, um desses mosquitos deve primeiro picar uma pessoa doente e depois uma saudável.

O vírus foi isolado pela primeira vez em 1947 em Uganda em macacos, quando um grupo de cientistas investigava a febre amarela. Apesar da devastação que está causando em nossa região, houve apenas dois casos em Uganda em 70 anos, talvez porque as pessoas lá desenvolveram defesas imunológicas contra o vírus. As primeiras infecções humanas foram detectadas em 1952 em Uganda e na Tanzânia. A partir de 2007, foram registrados casos na Oceania. Agora se apresenta como uma epidemia na América Latina.

Em 3 de março de 2016, a Organização Mundial da Saúde produziu um documento mapeando o portfólio de pesquisa e desenvolvimento para atacar o zika e convocou o Grupo Consultivo de Doenças Transmitidas por Vetores (VCAG) para avaliar as novas ferramentas propostas, incluindo métodos de diagnóstico, medicamentos profiláticos, vacinas e controle de vetores. Atrás da maioria deles, estão as empresas farmacêuticas. O objetivo final é que a OMS priorize produtos médicos e abordagens que devem ser adotadas rapidamente, para desenvolvimento e adoção.

Muitas dessas propostas são baseadas no controle de vetores.

Uma abordagem de combate a doenças, com foco no controle do mosquito à custa de tudo, envolve o uso de produtos químicos perigosos, como o larvicida piriproxifeno, que foi introduzido no Brasil em 2014; um inibidor do desenvolvimento que produz distúrbios endócrinos e é teratogênico. Outro produto químico usado é o malatião, um inseticida organofosforado considerado pela Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC) como potencialmente carcinogênico para humanos. Ou seja, a população pobre está sendo envenenada para controlar o mosquito, e sem a nossa certeza de que a incidência da doença vai diminuir.

Seguindo essa mesma abordagem, uma das questões que o Grupo Consultivo em Doenças Transmitidas por Vetores avaliará é o uso do mosquito transgênico OX513A para reduzir a população de vetores.

O mosquito transgênico OX513A foi desenvolvido pela Oxitec, empresa formada por pesquisadores da Universidade de Oxford, e foi adquirido em 2015 pela Intrexon, empresa especializada em biologia sintética.

A Oxitec manipulou geneticamente cepas do mosquito para que o macho deixe uma prole inviável quando cruzado com uma fêmea selvagem. É uma espécie de "mosquito terminador". Teoricamente, só sai o macho (que não transmite o vírus porque não morde). A separação entre machos e fêmeas em laboratório é manual, baseada apenas no tamanho dos mosquitos, portanto, a possibilidade de fêmeas transgênicas se infiltrarem e serem liberadas é alta.

Em um teste realizado nas Ilhas Cayman com o mosquito transgênico, constatou-se que 0,5% dos mosquitos liberados eram fêmeas. Embora essas porcentagens sejam baixas, o número total de mosquitos fêmeas transgênicos liberados ou o número de descendentes que sobrevivem pode ser alto. No Brasil, são produzidos mais de 2.500.000 mosquitos adultos transgênicos por semana, 0,5% desses mosquitos serão fêmeas: 12.500 mosquitos fêmeas, com capacidade de picar, poderão ser liberados a cada semana. Este número aumentará a cada temporada.

Por outro lado, se o mosquito transgênico conseguir eliminar ou reduzir as populações silvestres de Aedes aegypti, ele deixará o nicho desocupado para que outro mosquito também vetor do Zika e da dengue, Aedes albopictus, possa ocupá-lo, desde a competição para os locais de reprodução e alimentação.

Outro problema é que o mosquito OX513A sobrevive na presença da tetraciclina. Na presença deles, os mosquitos podem se reproduzir e persistir por várias gerações. Lembre-se de que a tetraciclina é um antibiótico amplamente utilizado nas indústrias de avicultura, aquicultura, medicina humana e veterinária, portanto há um risco adicional aí.

A empresa já realizou experimentos com esses mosquitos no Panamá, nas Ilhas Cayman, na Malásia e no estado da Bahia, no Brasil. Seus resultados são altamente discutíveis. Em relatório feito sobre as liberações do mosquito OX513A no Panamá, constatou-se que essa não é uma área onde a dengue é um problema epidemiológico, pois segundo o diretor do Centro de Saúde Nuevo Chorrillo (local onde ocorre a liberação do transgênico mosquito), o último surto de dengue havia ocorrido cinco anos antes, e em 2014 haviam sido registrados apenas cinco casos, por isso é difícil garantir que o mosquito transgênico tenha sido um sucesso no combate à dengue.

De qualquer forma, a avaliação realizada pelo grupo de controle de vetores da OMS, em sua reunião de março de 2016, concluiu que o mosquito transgênico não está pronto para comercialização, pois não foi comprovado que essa técnica realmente reduza a doença (ver http: //www.who.int/neglected_diseases/news/mosquito_vector_control_response/en/)

De acordo com o especialista Julius Lutwama, virologista-chefe do Instituto de Pesquisa de Vírus de Uganda, outro problema com estratégias de controle de doenças baseadas no controle de vetores é que existem 3.500 espécies conhecidas de mosquitos e a maioria delas não incomoda os humanos em nada: eles vivem em plantas e néctar de frutas. Apenas 6% das mulheres sugam sangue de humanos e, dessas, apenas metade são portadoras de parasitas que podem causar doenças.

Além disso, estratégias baseadas no combate ao vetor não abordam as causas subjacentes que dão origem a essas epidemias.

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva Abrasco, ao se referir ao problema da microcefalia, uma epidemia naquele país, avalia que as estratégias de controle da dengue falharam, já que houve um crescimento exponencial da epidemia de dengue (em 2015, Ministério da Saúde registrou 1 milhão 649 mil 008 casos prováveis ​​do vírus no país e houve um aumento de 82,5% nas mortes em relação ao ano anterior).

Según los científicos de Abrasco la mayoría de madres de niños con microcefalia viven en las zonas más pobres donde los sistemas de saneamiento ambiental son deficientes, hay una creciente degradación ambiental, una inmensa presencia de los residuos sólidos de los hogares y deficiencias en el drenaje de água de chuva. O acesso à água é intermitente, por isso as famílias precisam armazená-la, o que não só prejudica sua qualidade, mas também é um nicho ideal para a reprodução do mosquito Aedes aegypti.

Doenças como Zika, dengue, malária aumentarão com o agravamento do fenômeno El Niño, outro fator que tem influenciado a proliferação dessas epidemias. Enquanto for mantido o sistema que prioriza a geração de capital em detrimento da saúde e da natureza, será difícil.

GRÃO


Vídeo: Acabe com os Pernilongos - Armadilha para Mosquitos LED (Pode 2022).


Comentários:

  1. Kagagar

    Parabéns)))

  2. Swithun

    Lembre -se disso de uma vez por todas!

  3. Gardasho

    Maravilhoso, boa ideia



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