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Projeto Denâmico: Tóxicos Diários Influenciam o Desenvolvimento Mental da Infância

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Por Miguel Jara

Os resultados do projeto Denamic (Avaliação da Neurotoxicidade do Desenvolvimento de Misturas em Crianças) podem ser consultados no site da Comissão Europeia, do Governo da UE. Tive conhecimento do assunto graças ao blog de María José Moya, afetado por Sensibilidade Química Múltipla (SQM) que oferece toda a informação.

As conclusões deste grande estudo confirmam o que já sabíamos, que a exposição a produtos químicos poluentes, mesmo em níveis baixos, pode afetar o desenvolvimento do cérebro das crianças. Isso ocorre durante a gravidez, lactação e em idade precoce e pode influenciar seu desenvolvimento cognitivo e motor.

Esta é a chave para compreender o aparecimento de distúrbios como déficit de atenção, autismo ou ansiedade.

O objetivo do trabalho do Denamic foi criar métodos e ferramentas para analisar as consequências desta exposição a produtos químicos poluentes nas fases em que ocorre a parte principal do desenvolvimento do cérebro.

O cérebro em desenvolvimento é, em muitos casos, o alvo mais sensível aos efeitos dessas substâncias.

Um dos espanhóis participantes do estudo europeu foi o Centro de Pesquisas Príncipe Felipe (CIPF) de Valência, dirigido por Vicente Felipo.

Seu laboratório se encarregou de caracterizar os efeitos da exposição a diferentes tipos de pesticidas e outros poluentes em diferentes aspectos da função cognitiva e na atividade motora e coordenação.

Ele também analisou os mecanismos moleculares pelos quais os poluentes induzem esses efeitos. Além disso, ele identificou o papel da neuroinflamação no hipocampo e as alterações na neurotransmissão do cerebelo nas alterações induzidas por pesticidas na aprendizagem e coordenação motora.

Diferentes pesticidas induzem diferentes efeitos e esses efeitos também são diferentes de acordo com o sexo, dependendo da função neurológica avaliada. Foi ele quem advertiu que a exposição a esses tipos de poluentes é uma "pandemia silenciosa".

A razão? Bem, porque embora esse problema afete milhões de crianças em todo o mundo, como os níveis de exposição são muito baixos, é difícil relacionar essas condições a eventos como a mãe ter ingerido mercúrio durante a gravidez, por exemplo, através de peixes.

Enquanto escrevo, o projeto já dura quatro anos, de janeiro de 2012 a 31 de dezembro de 2015, e tem resultado em inúmeras publicações. Os seus resultados proporcionarão à União Europeia e à Organização Mundial da Saúde (OMS) resultados, metodologia e recomendações para gerir os riscos de exposição a contaminantes químicos.

A equipe de pesquisa produziu um relatório (em inglês) intitulado Young Minds at Risk?, Que alerta sobre a neurotoxicidade de contaminantes presentes em alimentos, água e outros produtos como inseticidas e como a exposição a esses contaminantes afeta as crianças:

Não posso deixar de lembrar disso enquanto a epidemia do vírus Zika se desenvolve em países como o Brasil. Lá existem associações médicas que apontam o uso de inseticidas na água potável como uma possível causa de casos de microcefalia. Pesticidas como o piriproxifeno danificam o sistema nervoso dos mosquitos transmissores da dengue ou do zika.

A OMS endossa o produto e o governo brasileiro desmente os médicos dizendo que há localidades onde há microcefalia mas esse veneno não é usado. As autoridades sanitárias afirmam que não existem estudos epidemiológicos que verifiquem essa relação causal. Mais uma razão para fazê-los com urgência, já que trabalhos como o Denamic fazem o que fazem, aponta para uma direção semelhante.

Esses dados vão ajudar a União Europeia na legislação sobre potenciais neurotóxicos e a marcar os níveis toleráveis ​​dessas substâncias, indicaram as mesmas fontes. Eu começo partindo do princípio de que não existem níveis toleráveis ​​para todas as pessoas igualmente, alguns são melhores do que outros dependendo de quais níveis.

Tem gente que não metila, desintoxica, enfim, certas substâncias, como metais pesados, porque sua composição genética não é a ideal. Essas pessoas podem desenvolver intoxicações crônicas por causa de níveis muito baixos de exposição.

Também não posso deixar de lembrar, ao ler as conclusões citadas deste estudo, a "epidemia" de diagnósticos de autismo e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade na infância nos países ocidentais.

Polêmicos "modismos farmacêuticos" à margem do conceito de TDAH, o estudo mostra que o que já se sabia também é verdade, que as crianças podem sofrer desatenção, por exemplo na escola, causada pela intoxicação crônica por produtos tóxicos todos os dias. Estes chegam ao seu corpo em doses muito baixas, mas por muito tempo (pela própria gravidez) e de muitas substâncias e fontes diferentes.

Miguel Jara


Vídeo: Desenvolvimento Mental do Adolescente (Pode 2022).