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O verdadeiro custo dos alimentos que comemos

O verdadeiro custo dos alimentos que comemos


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Por Ricardo Colmenares *

Os alimentos orgânicos são menos sociais porque são mais caros do que os convencionais? Os alimentos mais baratos são mais sociais? A verdade é que cada vez mais se acumulam dados que mostram que os sistemas convencionais de produção de alimentos causam sérios efeitos na saúde tanto dos ecossistemas quanto dos seres humanos, resultando em insustentáveis ​​(ambiental, social e economicamente falando) no curto prazo. Médio prazo para o sociedades que os apoiam. Desde a agricultura orgânica ou agroecologia, soluções reconhecidas como mais eficazes a médio e longo prazo têm sido desenvolvidas para a segurança alimentar da população mundial.

Como diz Jules N. Pretty, da University of Essex, no Reino Unido, os cidadãos pagam três vezes pela comida: uma na hora de comprá-la, outra ao pagar a ajuda que os agricultores recebem de nossos impostos, e ainda outro terço, quando tentamos consertar os efeitos ambientais prejudiciais (incluindo a saúde pessoal) causados ​​por esses sistemas de produção convencionais. São os chamados custos ocultos ou externalidades, que os agricultores e pecuaristas convencionais não precisam assumir em seus custos e, portanto, repassá-los ao preço do produto perante o consumidor. Aqueles que produzem com práticas ecológicas não os terceirizam, não os distribuem para o resto da sociedade ou do planeta, simplesmente porque não os geram ou o fazem muito menos. O custo de menor produção por área ou maior custo de mão de obra não permite competir em preço no ponto de venda com os produzidos com técnicas não ecológicas. Mas o preço que o consumidor paga pelo produto mais barato não é real para o próprio consumidor, pois ele terá que pagá-lo separadamente por meio de outras contas: pela descontaminação dos recursos naturais (ar, água e solo, paisagens, biodiversidade), em saúde para aliviar a baixa qualidade dos alimentos e a contaminação de produzir aquele alimento mais barato que você escolheu.

Podemos ter uma ideia de quanto custam esses custos ocultos ao cidadão de um país europeu? É difícil mensurar, mas já existem algumas estimativas que nos permitem ter uma ideia. Em seu relatório "Rumo a uma agroética", Jorge Riechmann cita o exemplo do Reino Unido, onde Jules N. Pretty, com estimativas conservadoras, obteve uma cifra de mais de 2,3 bilhões de libras por ano de custos ocultos da agricultura industrial naquele país. país. Os dados incluíram os custos de descontaminação da água de pesticidas e fertilizantes, danos causados ​​pela erosão do solo e despesas médicas com intoxicação alimentar e doença da “vaca louca”. Não incluiu os 4 bilhões de euros que os agricultores entraram na forma de subsídios; nem os 3.000 milhões de euros de despesas com a saúde em consequência de uma alimentação inadequada.

Os autores concluíram que as “externalidades” negativas produzidas pela agricultura orgânica equivaleriam a no máximo um terço daquelas da agricultura convencional e seriam compensadas por maiores externalidades sociais e espirituais positivas, como a conservação da biodiversidade cultural e natural, ou a terapêutica e inspiradora efeitos de uma paisagem bonita e saudável, de maior emprego e locais de encontro e conhecimento para compartilhar entre cidadãos de ambientes rurais e urbanos, o que fortalece as comunidades envolvidas.

Escândalos e crises sanitárias mostram que não é mais possível aceitar comprar alimentos abaixo do custo de produção e pagar os prejuízos com impostos, despesas sanitárias ou obrigatoriedade de consumo de água mineral, como cita Riechmann em seu relatório.

Quem deve assumir as externalidades negativas da agricultura convencional? Quanto do verdadeiro custo dos alimentos estamos pagando quando os compramos? Qual é o custo social, laboral, ambiental e de saúde que o preço que pagamos e o que não inclui, dependendo do percurso que fez desde o campo onde foi produzido até às nossas mãos? A fonte de reflexões sobre o preço dos alimentos é inesgotável e deve ser abordada desde vários campos, começando pelo próprio consumo, na escolha de onde e o que comprar, e continuando com a educação, por meio de experiências inovadoras como os pomares educativos. Só assim, observando, sabendo e refletindo, poderemos atribuir ao alimento seu verdadeiro valor - e preço.

(*) Ricardo Colmenares.

Diretor da Fundação Triodos e promotor de Huertoseducativos.org

Green Efe


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