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Alimentando as cidades: um desafio fundamental para o desenvolvimento sustentável

Alimentando as cidades: um desafio fundamental para o desenvolvimento sustentável


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Por Peter Mayer

Semedo falou hoje na abertura de um encontro organizado pela FAO no Fórum Global para Alimentação e Agricultura (GFFA) que ocorre durante a Semana Verde Internacional deste ano em Berlim, de 15 a 24 de janeiro de 2016.

Advertindo sobre as dificuldades que muitas cidades enfrentam para garantir o acesso regular e estável a uma alimentação adequada para todos, ele observou que a situação "vai piorar à medida que uma proporção crescente de famintos vive em áreas urbanas".

Mais de 50% da população mundial hoje vive em áreas urbanas e essa porcentagem deve aumentar para 70% até 2050, principalmente nos países em desenvolvimento.

O impacto crescente da mudança climática, incluindo tempestades, inundações e outros eventos climáticos extremos, representam uma ameaça adicional para as pessoas nas cidades, especialmente os pobres, com acesso aos alimentos.

Reinventando os sistemas alimentares e tornando-os mais sustentáveis

Para atender a essas necessidades, os sistemas alimentares - nas fases de produção, distribuição e consumo - devem ser mais sustentáveis, segundo a FAO. Isso inclui garantir o acesso e a participação ativa de todas as partes interessadas, agricultores e pequenos agricultores em toda a cadeia de fornecimento e valor. Crucial para isso é reduzir drasticamente as perdas e o desperdício de alimentos, que são especialmente elevados nas áreas urbanas. Isso inclui medidas como a redistribuição de alimentos não utilizados e ainda comestíveis e o uso de resíduos como composto ou para gerar energia.

Semedo destacou ainda o papel das populações rurais na contribuição para a segurança alimentar de quem vive nas cidades.

“Alimentar as cidades - disse ele - cria grandes oportunidades de desenvolvimento sustentável - tanto nas cidades quanto no campo - principalmente quando os agricultores familiares e pequenos agricultores estão vinculados a esses mercados”.

A agricultura urbana e periurbana também é um componente importante dos sistemas alimentares, com técnicas inovadoras como a hidroponia - o cultivo de plantas em soluções de água mineral - e hortas domésticas e verticais que criam empregos, oferecem diversidade nutricional e contribuem para uma alimentação saudável em cidades e municipios.


Integrar alimentos ao planejamento urbano é "essencial"

A segurança alimentar e nutricional "permanecem muitas vezes esquecidas" no planejamento e desenvolvimento urbano, mas isso deve mudar se a comunidade internacional quiser alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que implica em cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis, de acordo com Semedo.

Para tanto, “é fundamental integrar a alimentação no planejamento urbano”, frisou, destacando que, embora as autoridades urbanas e metropolitanas estejam cada vez mais envolvidas nos diálogos locais, nacionais e globais sobre os sistemas alimentares, “ainda há muito por fazer. "

Este deve ser um processo inclusivo, que reúna governos, setor privado e sociedade civil, de forma a refletir as complexidades sociais, econômicas e ecológicas dos sistemas alimentares, acrescentou Semedo.

Redes globais de cidades e o Pacto de Milão sobre Políticas Alimentares Urbanas

É necessário que as cidades compartilhem suas experiências por meio de redes globais, como forma de estimular uma maior incorporação de boas práticas. Como exemplo, Semedo citou o Pacto de Milão sobre Políticas Alimentares Urbanas, aprovado por mais de 100 municípios ao redor do mundo na Expo Milão em outubro de 2015. A FAO planeja organizar um encontro global de prefeitos em 2016 para apoiar o trabalho do Pacto.

Por outro lado, a FAO também fez parcerias e lidera várias iniciativas, como Alimentos para as Cidades e Atendimento às necessidades alimentares urbanas. Semedo deve falar em uma cúpula de ministros da Agricultura no sábado, 16 de janeiro, dentro do programa GFFA.

FAO


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