TÓPICOS

Mercadorias ambientais e a financeirização da natureza. Entrevista com Amyra El Khalili

Mercadorias ambientais e a financeirização da natureza. Entrevista com Amyra El Khalili


We are searching data for your request:

Forums and discussions:
Manuals and reference books:
Data from registers:
Wait the end of the search in all databases.
Upon completion, a link will appear to access the found materials.

Por Andriolli Costa

De acordo com o Ministério da Agricultura, durante 2013 o agronegócio brasileiro atingiu a cifra recorde de 99,9 bilhões de dólares em exportações. Soja, milho, cana-de-açúcar ou carne conquistam o mercado externo na forma de commodities: padronizadas, certificadas e de acordo com determinados critérios e valores regulamentados internacionalmente.

Para a economista Amyra El Khalili, porém, as monoculturas extensivas não devem ser a única alternativa para a produção brasileira. O movimento econômico que envolve as commodities tradicionais exclui do processo pequenos e médios produtores, extrativistas, ribeirinhos e populações tradicionais. Sem grandes incentivos governamentais, sem investimentos para atingir elevados padrões de qualidade nacionais e internacionais, ou capacidade produtiva para atingir os mercados, eles são sempre deixados de fora do sistema.

Raciocinando com base na inclusão, o economista palestino criou o conceito de mercadoria ambiental. Em entrevista concedida por e-mail ao IHU On-Line, ela aborda a polêmica dos créditos de carbono (uma "comoditização da poluição"), questiona a disponibilização de créditos de Redução de Emissões por Desmatamento (Redd) para agropecuária e descreve o conceito inicial criado por ele. "Uma commodity tradicional é a matéria-prima extraída do ecossistema, que é fabricada, padronizada por um critério internacional de exportação adotado entre transnacionais e governos." Por outro lado, a commodity ambiental “também terá critérios de padronização, mas adotando valores socioambientais e um modelo econômico totalmente diferente.

Khalili, que por mais de 20 anos atuou como negociante de ouro no mercado financeiro, relata que o termo commodity é usado como uma provocação. O conceito está em construção permanente, mas atualmente representa o produto fabricado pela comunidade de forma artesanal, integrado ao ecossistema e que não promove impacto ambiental. A commodity convencional favorece a monocultura, os transgênicos e a biologia sintética, com seus lucros concentrados nos grandes proprietários. O meio ambiente é pautado pela diversificação da produção agroecológica e integrada, e favorece o associativismo e o cooperativismo.

Amyra El Khalili é economista graduada pela Escola Paulista de Economia, Finanças e Administração. Atuava no Mercado Futuro e de Capitais como Corretora de Valores, com uma carteira de clientes que variava do Banco Central do Brasil à Bombril S / A e Grupo Vicunha. Ele deixou o mercado financeiro para investir seu tempo e energia no ativismo. É a idealizadora do projeto da Bolsa de Valores Brasileira de Commodities Ambientais, fundadora do Movimento Mulheres pela P @ Z e editora da Aliança RECOs (Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras). Khalili ministra cursos de extensão e MBA em diversas universidades, por meio da cooperação entre a rede, entidades locais e centros de pesquisa. É autora do e-book gratuito "Commodities Ambientais em missão de paz - novo modelo econômico para a América Latina e o Caribe" (São Paulo: Nova Consciência, 2009)

Baixar: http://lachatre.com.br/Amyra/commoditiesambientais.pdf

Entrevista:

IHU On-Line - Existem diferenças entre comoditização da natureza e financeirização da natureza? Qual?

Amyra El Khalili - Eles existem, mas um acaba interferindo no outro. A comoditização da natureza é transformar o bem comum em mercadoria. Em outras palavras, a água, que na linguagem jurídica se chama bem difuso, deixa de ser um bem de uso público para ser privatizada, para se tornar uma mercadoria. A financeirização é diferente, é a ação de tornar financeiro o que é eminentemente econômico.

Isso porque melhorar a qualidade de vida também é uma questão econômica. Uma região onde as pessoas conseguem conviver com a natureza e ter acesso à água potável, por exemplo, oferece um custo financeiro melhor, onde você vive melhor e gasta menos. Isso também tem uma base econômica.

IHU On-Line - No caso da financeirização da natureza, o que caberia nessa descrição?

Amyra El Khalili - Nossa obrigação de pagar por serviços que a natureza nos dá de graça e que nunca foram contabilizados na economia, como o sequestro de carbono da natureza, por exemplo. As árvores sequestram carbono naturalmente, mas para ter qualidade do ar de agora em diante é preciso pagar para respirar. Nessa lógica, quem respira deve pagar o preço de quem polui, enquanto este deixa de ser criminalizado e recebe flexibilidade para não ser multado.

IHU On-Line - Você foi o criador do conceito de commodities ambientais, que é muito diferente da mercantilização da natureza. Qual foi sua proposta inicial para o termo?

Amyra El Khalili - Uma commodity tradicional é a matéria-prima extraída do ecossistema, que é fabricada, padronizada por um critério internacional de exportação adotado por empresas transnacionais e governos. Pequenos produtores, extrativistas e ribeirinhos, entre outros, não participam dessas decisões. O ouro, um mineral, não é uma mercadoria enquanto estiver na terra, é um bem comum. Transforma-se em bar, registrado em bancos, devidamente certificado com padrão de qualidade avaliado e adaptado aos padrões internacionais de comercialização.

A commodity ambiental também terá critérios de padronização, mas adotando valores socioambientais e um modelo econômico totalmente diferente. O conceito está em construção e debate permanente, mas hoje chegamos à seguinte conclusão: a commodity ambiental é o produto fabricado pela comunidade de forma tradicional, integrado ao ecossistema e que não promove impacto ambiental como ocorre na produção de commodities convencionais.

O convencional (soja, milho, café, etc.) é produzido com monocultura e o ambiental exige diversificação da produção, respeitando os ciclos da natureza de acordo com as características de cada bioma. O caminho convencional é para a transgenicidade, para a biologia sintética e geoengenharia; a outra é para a agroecologia, permacultura, agricultura alternativa e de subsistência, estimulando e valorizando as formas tradicionais de produção que herdamos de nossos ancestrais. A convencional tende a concentrar o lucro nos grandes produtores, e a ambiental o divide em um modelo associativo e cooperativo para atender a maioria da população que estava excluída do outro modelo de produção e financiamento.

O Brasil concentra sua política agrícola em cinco produtos do padrão exportador (soja, cana-de-açúcar, gado, pinheiro e eucalipto). A comoditização convencional promove o desmatamento que elimina a biodiversidade com a abertura de novas fronteiras agrícolas. Somos produtores de grãos, mas não existe só essa forma de gerar emprego e renda no campo. Quantos vegetais temos no brasil? Pense na capacidade de enriquecimento da nossa biodiversidade e no que poderíamos produzir com diversificação. Doces, frutas, sucos, polpas, bolos, plantas medicinais, infusões, condimentos, molhos, licores, bebidas, farinhas, cascas reprocessadas e diversos produtos oriundos da pesquisa gastronômica. Isso sem falar no artesanato, no reaproveitamento e na reciclagem de resíduos. O meio ambiente não é empecilho para produzir, muito pelo contrário.

IHU On-Line - Como é possível transformar algo produzido manualmente em mercadoria?

Amyra El Khalili - O termo é apenas uma provocação. Na commodity ambiental utilizamos critérios de padronização, reavaliando os critérios adotados nas commodities tradicionais. É por isso que criei o termo para explicar "descomoditização". Porém, diferentemente dos convencionais, os critérios de padronização podem ser discutidos, precisam da intervenção de quem os produz e podem ser modificados. Nas commodities ambientais, os excluídos devem estar no topo desse triângulo, já que os povos da floresta, as minorias, as comunidades que manejam os ecossistemas devem decidir sobre esses contratos, critérios e manejo desses recursos, uma vez que a maioria dos territórios lhes pertence por herança tradicional .

Para estimular a organização social, cito um exemplo de marketing associativo e cooperativo de sucesso. É o caso dos floricultores de Holambra (SP). Além de produzir com controle e gestão adequados às suas necessidades, a força da produção coletiva e o padrão de qualidade têm feito seu produto ganhar espaço e reconhecimento nacional.

Hoje tem flores de Holambra até no romance da Globo. Mas essa produção ainda está no padrão da commodity convencional, porque ali o uso de defensivos agrícolas é mantido. Mesmo assim, conseguiu adotar outro critério para decidir sobre padronização, comercialização e preços, livrando-se do sistema de monocultura. A produção de flores é diversificada, o que mantém o preço acima do custo de produção, gerando lucro para seus produtores.

Inspirados no exemplo de comercialização da Cooperativa Agrícola de Holambra com o sistema Leilão de Flores (Veiling), desenvolvemos um projeto de comercialização de commodities ambientais, além de novos critérios de padronização integrada e participativa com associação. Porém, o governo também precisa incentivar mais esse tipo de alternativa e a produção comunitária. A Anvisa, por exemplo, exige regulamentos de vigilância sanitária e normas de industrialização que impossibilitem as mulheres de Campos dos Goytacazes de colocar seus doces de goiaba nos supermercados brasileiros (fora de sua cidade). Quem chega aos supermercados para vender um doce? Apenas Nestlé, apenas grandes empresas.

E o questionamento que se faz é justamente esse. Espaço aberto para que pessoas como os produtores de doces saiam da marginalização do sistema econômico. Que também possam colocar seus doces nas prateleiras e que possam concorrer com um doce industrializado, a um preço compatível com sua capacidade de produção. Não se trata de industrializar a goiaba doce, mas de manter um padrão artesanal da tradição de Dulce de Guayaba. Se não tivermos critérios para incluir aquela produção que é feita fora do sistema, eles sempre serão estragados e não terão poder de decisão. O que se pretende é que se crie um mercado alternativo e que esse mercado tenha as mesmas condições, e que possa, sobretudo, decidir como, quando e o que produzir.

IHU On-Line - O termo commodities ambientais às vezes é usado de forma distorcida, como se referindo a commodities tradicionais, mais aplicado a questões ambientais, como créditos de carbono. De que forma essa apropriação foi feita?

Amyra El Khalili - Foi desviado por comerciantes do mercado de carbono. Procuravam um termo diferente da expressão “créditos de carbono”, palavra que já denuncia um erro operacional. Afinal, se você quer reduzir a emissão, por que dar licença para emitir? Os contadores, administradores de empresas e pessoas da área financeira não perceberam como é que se reduz a emissão de um empréstimo que entra no balanço financeiro como um ativo e não como um passivo. Como o nome créditos de carbono não atrai quem entende de mercado, eles agarraram a expressão commodities ambientais para tentar justificar os créditos de carbono. Porque na verdade o que eles faziam era mercantilizar e financeirizar a poluição, e consideramos que uma prática sub-reptícia de assédio conceitual, quando se apropriam das idéias dos outros, esvazia-as de seu conteúdo original e as enche de conteúdo espúrio. É importante destacar que esse “modus operandi” também está ocorrendo com outras iniciativas e questões como a questão de gênero e etnia. Bandeiras tão arduamente conquistadas por anos de trabalho e que são tão caras para nós.

IHU On-Line - Os defensores da Redução Certificada de Emissões promovida pelos Créditos de Carbono afirmam que, apesar de esse recurso oferecer aos países industrializados permissão para poluir, o governo estabelece um limite para essas transações. Você concorda com tal afirmação?

Amyra El Khalili - Esse controle não é feito de forma adequada a ponto de, desde 2012, haver uma polêmica no Parlamento Europeu de grupos que exigem que a Comunidade Europeia retenha 900 milhões de licenças de emissão autorizadas após o mercado ter sido inundado por essas licenças (cap and trade) .

São permissões obtidas por órgãos governamentais que foram vendidas quando o preço dos créditos de carbono era alto e agora caíram para quase zero.

Então, em teoria, pode ser muito bom, mas entre a teoria e a prática existe uma distância oceânica. E tem também o seguinte: Mesmo que você tenha controle regional, a partir do momento que um desses títulos vai para o mercado financeiro e pode ser trocado entre países e estados em um sistema globalizado, quem controla tal sistema? Se internamente, com os nossos títulos, às vezes ocorrem fraudes e perda de controle, tanto com a emissão quanto com as garantias, como vai ser controlado algo que está migrando de uma música para outra? É praticamente impossível controlar volumes volumosos em um mercado intangível de difícil mensuração.

IHU On-Line - China e Califórnia planejam usar arrozais como fonte de créditos de carbono, provocando uma reação da comunidade ambiental ao movimento No-Redd Rice. De que trata o movimento e por que é contrário a este acordo?

Amyra El Khalili - REDD, Reduzindo Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal é a compra de um título de créditos de carbono sobre uma área de floresta que deve ser preservada. Este é mais um exemplo da financeirização da natureza, pois vincula a comunidade local a um contrato financeiro em que fica impedida de gerir a área durante muitos anos, enquanto a outra parte do contrato continua a produzir e a permitir poluição na outra. lado do rio. mundo.

No caso do arroz REDD, ocorre o seguinte: com o entendimento de que uma floresta sequestra carbono e que é possível emitir créditos de carbono sobre uma área preservada de floresta, o argumento é que a plantação também sequestra. Os OGMs ainda sequestram mais carbono do que a agricultura convencional, porque os OGMs promovem um crescimento mais rápido das plantas e aceleram o ciclo do carbono.

Então, tudo o que é plantado em monocultura intensiva, como cana-de-açúcar ou soja, também sequestrará carbono. E é por isso que o agronegócio quer emitir créditos de carbono também para a agricultura. Podemos dizer que não sequestra? Não, realmente sequestra, mas e os impactos ambientais?

O movimento internacional contra REDD com Arroz está se posicionando porque vai pressionar toda a produção agrícola mundial, colocando a mídia e os pequenos produtores, populações tradicionais, povos indígenas mais uma vez reféns de corporações transnacionais e dos impactos socioambientais que este exclusivo econômico modelo está causando., além de afetar diretamente o direito à soberania alimentar dos povos, vincular o modelo de produção à biotecnologia e aos novos experimentos biogeoquímicos.

IHU On-Line - O problema é que, se o crédito de carbono foi criado com o objetivo de reduzir os impactos ambientais, não pode ser colocado em uma monocultura que gere impactos da mesma forma que a possibilidade de solucionar o problema, correto?

Amyra El Khalili - Exatamente. Outra coisa importante é que, mesmo com o conceito de commodity ambiental em construção coletiva e permanentemente em discussão, hoje temos a segurança do que não é commodity ambiental. Não são transgênicos, nem podem ser produzidos com derivados da biotecnologia - como biologia sintética e geoengenharia. Não são monocultivos, não podem se concentrar em grandes produtores, não causam doenças pelo uso de minerais cancerígenos (amianto), não usam produtos químicos, nem envolvem poluição ou fatores que possam criar problemas de saúde pública, uma vez que esses elementos geram enormes impactos ambientais e socioeconômicos.

A produção agrícola, como é feita hoje, estimula o produtor a mudar sua produção de acordo com o valor pago pelo mercado. Então, se a demanda é por goiaba, só se cultiva goiaba. Em commodities ambientais, não. Não é o mercado, mas o ecossistema que tem o poder de determinar os limites da produção. Com a diversificação da produção, quando não é goiaba é caqui, se não é caqui na próxima safra é pequi e na próxima, melancia. Se começarmos a interferir no ecossistema para manter a mesma monocultura 365 dias por ano, vamos gerar um impacto muito sério.

IHU On-Line - O que é água virtual e como esse conceito se encaixa na discussão de commodities?

Amyra El Khalili - Água virtual é a quantidade de água necessária para a produção das commodities que enviamos para exportação. No Oriente Médio, ou em outros países em crise de abastecimento, como não há água para a produção agrícola extensiva, a alternativa é importar alimentos de outros países. Quando se importam alimentos, a água que esse país usou e que o outro deixou de usar também é importada.

O que se defende em nossa linha de raciocínio é que, quando exportamos commodities tradicionais (soja, milho, gado, etc.), essa água também se paga. Porém, nem a água, nem a energia, nem a terra usada para a produção dessa extensa monocultura é paga. A comoditização convencional, no modelo que tínhamos no Brasil há 513 anos, é altamente consumidora de energia, solo, água e biodiversidade, e esse custo não se soma ao preço da commodity. O produtor não recebe esse valor, pois vende a soja pelo preço formado na Bolsa de Chicago. Quem compra mercadoria quer pagar barato, vai sempre pressionar para que esse preço seja baixo.

IHU On-Line - Também na água, se é na escassez de recursos que estes passam a ser valorizados como mercadoria, quais as perspectivas de uma crise global no abastecimento de água?

Amyra El Khalili - Considero a questão da água a mais séria e emergencial do mundo. Sem água não há vida, ela é essencial para a sobrevivência do ser humano e de todos os seres vivos. A falta de água é morte imediata em qualquer circunstância. No Brasil não estamos livres do problema da água. Boa parte dessa água está sendo contaminada com efluentes, defesas agrícolas, produtos químicos e, com a eminência da exploração do gás de xisto, por exemplo, a técnica de fraturamento da rocha pode contaminar o lençol freático.

Pesquisadores e a mídia dão grande ênfase às mudanças climáticas, que é a consequência, sem aprofundar a discussão sobre as causas. Eles destacam o mercado de carbono como "a solução", sem priorizar a causa, que é o binômio água e energia. O modelo energético adotado no mundo contribui para esses desequilíbrios climáticos e talvez seja o mais responsável de todos os fatores.

Somos totalmente dependentes de energia fóssil e, no Brasil, temos um duplo uso da água: para a produção de energia (hidrelétrica) e para a produção agrícola e industrial, além do consumo humano e de outros seres vivos.

E por que é necessário produzir tanta energia? Porque nosso padrão de consumo é altamente consumidor. Continuamos barrando rios e fazendo hidrelétricas, e quando varremos rios matamos todo o ecossistema que depende do ciclo hidrológico. Se o binômio água e energia for resolvido, o problema da emissão de carbono também estará resolvido. Resolvida a questão da água, reconstruímos as matas, os ciliares, a biodiversidade. O fluxo de oxigênio no meio ambiente e na própria natureza trabalhará para reduzir as emissões de carbono. Se não atacarmos as causas, continuaremos circulando em torno das consequências, sem encontrar uma solução real e eficiente para as gerações presentes e futuras.

Publicado em português em: Dialogos do Sul

Biodiversidade na América Latina e no Caribe


Vídeo: Danza tradicional de palestina (Julho 2022).


Comentários:

  1. Ruford

    Acho que você vai encontrar a solução certa.

  2. Shaktinris

    Bravo, ideia brilhante e devidamente

  3. Neuveville

    Espere, IMHO

  4. Gardataxe

    Tópico fascinante

  5. Galeun

    Concedido, informações maravilhosas

  6. Nabhan

    Esqueci de escrever sobre o saque !!!!!!!!!



Escreve uma mensagem